Artista: Battle Beast
País: Finlândia
Álbum: Steelbound
Gravadora: Nuclear Blast Records
Licenciamento: Shinigami Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2025
A finlandesa BATTLE BEAST já clama pela minha boa vontade há alguns bons anos. Mas foi quando pude conferir parcialmente a sua apresentação no Summer Breeze Brasil de 2024 (atual Bangers Open Air), que me permiti mergulhar na sua discografia para me apaixonar pela sensacional cantora Noora Louhimo. A estética sonora da banda transita pelo Power Metal, Hard Rock e, mais recentemente, tem inserido cada vez mais elementos de música Pop nesta equação. O resultado se traduz em álbuns relativamente curtos, composições concisas, pomposas e com refrões que grudarão na cabeça como um antigo chiclete Ploc de hortelã. Partindo desta premissa, pode acreditar que a receita de bolo foi seguida à risca em “Steelbound”, seu sétimo álbum completo.
A equipe composta para dar vida à “Steelbound” contou com as presenças de Janne Björkroth, Joona Björkroth e Mika Jussila, que juntos entregaram uma sonoridade límpida, extremamente cristalina e, ao mesmo tempo, pesadíssima. Músicas como a explosiva “The Burning Within” e “Here We Are” só conseguiram me impactar porque a roupagem concedida a elas foi milimetricamente pensada para que funcionasse como um verdadeiro soco no estômago. Além deste fator, não podemos jamais deixar de mencionar a participação do percussionista Joonas Kaikko e a potência vocal de Noora Louhimo! Com uma técnica invejável voltada para a “voz de peito”, a moça usa e abusa de drives, alternando com o seu já conhecido timbre que pende para o Heavy Metal Tradicional, para nos presentear com uma atuação primorosa! Gigantesca, eu diria!
A veia Pop do BATTLE BEAST assume papel de protagonismo com a chegada da faixa-título, que apela para riffs e bases dançantes. A imprevisibilidade se faz presente em um trecho que conta com um duelo no formato de “perguntas e respostas” promovido por Louhimo ao despejar drives em profusão e corais conduzidos pela rapper Iina Mutikainen. A miscelânea empolga, mas a proposta musical pode acabar afastando a sua fan base, que é composta majoritariamente por fãs chatos de Heavy Metal. Eu adorei este novo caminho adotado, mas eu já me considero um entusiasta de mente bem aberta, principalmente pelos muitos ciclos que já estou ativo no cenário.
“Twilight Cabaret” inova ao trazer ritmos caribenhos e um dos melhores refrões de todo o disco. E o que chama a atenção é que, quando os músicos se propuseram a sair um pouco da sua zona de conforto, acabaram por resultar na sua construção mais cativante em muito tempo. Por diversas vezes eu me vi balançando as pernas, cantando e me divertindo durante a minha experiência, o que não é muito normal quando estou preparando um texto avaliativo como este. “Twilight Cabaret” me desconectou do meu ofício e me propôs viajar para bem longe, talvez para alguma ilha no Caribe. Por que não?!
Este full-length é composto por canções, na sua mais literal concepção da palavra. Absolutamente todas funcionam por serem projetadas para capturar seu interesse com refrões para cantar junto e grooves dançantes, evocando influências que vão do ABBA (“Steelbound”) às Spice Girls (“Twilight Cabaret”). Apenas “The Long Road” poderia ter ficado de fora, já que ela nada mais é do que um interlúdio completamente dispensável e que só serve para dar mais volume ao curto contexto apresentado aqui. Dito isto, o meu foco se manteve sempre ativo e eu me rendi por completo ao bom gosto do BATTLE BEAST quando “Last Goodbye” chegou chutando a porta e me obrigando a cantar o seu refrão a plenos pulmões aqui na redação. Passei uma certa vergonha, assumo, mas as melodias são tão bem construídas que temos a real sensação de que estamos diante de músicas antigas e já bem conhecidas. O negócio é catártico, de verdade!
Outro ponto alto atende pelo nome de “Blood of Heroes”, que, de tão similar ao que foi apresentado nas trilhas sonoras da franquia “Piratas do Caribe”, acreditei que estava diante de uma track esquecida da referida coleção. A peça tem aquela cara de longa-metragem da Disney, então o clima de fantasia meio que dá uma aquecida para o clímax que se aproximava com o surgimento das últimas: “Angel of Midnight”, “Riders of the Storm” e “Watch the Sky Fall”. Da trinca, eu gostei mais de “Angel of Midnight” por carregar consigo texturas que me remeteram diretamente ao bom e velho Hard Rock AOR.
“Steelbound” é um disco que se escora em excelentes refrões para funcionar e se tornar relevante no mercado. A baixa duração também ajuda para que ele seja extremamente palatável e de fácil assimilação. Eu estou encantado com esta compilação e, sinceramente, não consegui pescar deméritos que me fizessem assumir o papel de crítico inconveniente e que tem que bater em algo, mesmo que não tenha se incomodado com nada. Na realidade, antes que eu me esqueça, essa bolachinha só não conquistou minha nota máxima porque a presença de “The Long Road” não teve propósito algum. De resto, é só alegria!
Formação:
Noora Louhimo (vocalista)
Joona Björkroth (guitarrista)
Juuso Soinio (guitarrista)
Eero Sipilä (baixista)
Pyry Vikki (baterista)
Janne Björkroth (tecladista)
Tracklist:
01. The Burning Within
02. Here We Are
03. Steelbound
04. Twilight Cabaret
05. Last Goodby
06. The Long Road
07. Blood of Heroes
08. Angel of Midnight
09. Riders of the Storm
10 Watch the Sky Fall
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