WINGS OF STEEL: Winds of Time
Postado em 17/10/2025


Artista: Wings of Steel
País: Estados Unidos
Álbum: Winds of Time
Gravadora: High Roller Records
Licenciamento: Shinigami Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2025

Já se passaram dois longos anos desde que conhecemos a promissora WINGS OF STEEL, capitaneada pela dupla formada por Leo Unnermark e Parker Halub, com o seu bom debut “Gates of Twilight”, disponibilizado no Brasil pela Shinigami Records. Agora, em 2025, fomos apresentados ao segundo capítulo da sua saga no underground norte-americano, com a chegada de “Winds of Time”. Mas será que tivemos mudanças em sua sonoridade, que até então era calcada no Heavy Metal Tradicional?! É o que vamos conferir a seguir, mas, de antemão, já posso adiantar que os caras incluíram um baterista nas suas fileiras com a admissão do competente Damien Rainaud (Anthropia, Gates of Paris).

Para quem amou “Gates of Twilight”, pode ficar sossegado porque “Winds of Time” nada mais é do que uma continuação direta dele. Tanto a abordagem musical da produção quanto as estruturas das composições seguem exatamente o mesmo caminho, contendo, inclusive, as referências que vão desde o Black Sabbath da era Ronnie James Dio e Judas Priest até Queensrÿche, além de Sorcerer e Memory Garden nas canções mais arrastadas com texturas épicas. Já Leo Unnermark continua arrasando e se valendo do seu estupendo alcance vocal! Está certo que ele às vezes se passa com alguns exageros, mas o seu belo timbre ajuda a mascarar qualquer tipo de deslize, como é perceptível em “Winds of Time”, com seus mais de dez minutos de duração, e “Saints and Sinners”, que mais parece ter sido sobra de estúdio de “Painkiller” (1990).

O recente full-length aposta em um direcionamento que indica a predominância do Heavy Metal, com inserções de características do Speed Metal e maior presença de power ballads. Ao deixar o Hard Rock de lado, a WINGS OF STEEL conferiu linearidade a este material, tornando-o conciso e extremamente maturado dentro da sua linguagem pré-estabelecida. Desta forma, as ideias se tornaram mais conectadas entre si e reforçam a maturidade adquirida pelos seus compositores nestes dois anos de intervalo entre as obras aqui mencionadas. Prova disso está na balada “Crying”, que pesa a mão no estilo de Mötley Crüe e Ozzy Osbourne, em vez de se escorar em algo emocional como o Whitesnake, por exemplo.

Se em “Gates of Twilight” o guitarrista Parker Halub assumiu a responsabilidade pela condução dos seus principais trechos, aqui ele, novamente, esbanja grande desenvoltura. Os riffs, que são de extremo bom gosto, auxiliam a manter as tracks sempre vibrantes e cursivas por meio, também, do uso de guinchos e harmônicos característicos dos anos 1980. Como exemplo de um resultado eficaz, temos “Burning Sands”, que, além de provavelmente ser a melhor dentre todas, passa a sensação exata de movimento cinético constante. Outra que vai pelo mesmo caminho é “Lights Go Out”. Apesar de destoar das demais, ela traz um teor de imprevisibilidade com uma passagem progressiva inspirada em “Tom Sawyer”, do Rush. Inclusive, foi justamente nela que Rainaud justificou a sua entrada no line-up, com uma atuação para lá de competente.

A derradeira é “Flight of the Eagle”, segunda mais longa do CD e detentora de tantas camadas quanto a faixa-título. Ela tem o seu início com estrutura melódica semelhante à de uma balada antes de finalmente avançar para um território um pouco mais progressivo, semelhante ao que tanto foi propagado pelos ícones Queensrÿche e Crimson Glory. Eu, sinceramente, aposto todas as minhas fichas que o principal predicado deste “Winds of Time” foi a maneira inteligente pela qual a sua tracklist foi disposta. Ao começar e finalizar com construções que contenham um vasto leque de informações, a WINGS OF STEEL acabou incitando o fã a ser mais atencioso com o conteúdo, desafiando-o e deixando claro que, para esta nova empreitada, a leitura precisaria ser bem mais apurada do que a exigida por “Gates of Twilight”. Bastou um primeiro contato com o disco para entender a mensagem, o que acabou por me ajudar a mergulhar mais a fundo no play.

“Winds of Time” joga dentro das quatro linhas e não procura se afastar em quase nada da identidade balizada em “Gates of Twilight”. Mesmo assim, vi com bons olhos a decisão de escantear o Hard Rock para que o foco fosse o Heavy Metal e, agora, se abrisse cada vez mais espaço para a velocidade do Speed Metal. Obviamente, ainda temos as baladinhas e as homenagens ao Sabbath, mas nada que ofusque a assinatura própria que a WINGS OF STEEL vem desenvolvendo e lapidando durante a sua curta trajetória na cena. Com este, subimos mais alguns degraus!

Formação:

Parker Halub (guitarrista, baixista)
Leo Unnermark (vocalista)
Damien Rainaud (baterista)

Tracklist:

01. Winds of Time
02. Saints and Sinners
03. Crying
04. Burning Sands
05. To Die in Holy War
06. Lights Go Out
07. We Rise
08. Flight of the Eagle

 
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