A VERMIS MORTEM é uma banda de Metal Extremo formada em 2013, em Salvador, Bahia, que transita principalmente entre o Black Metal e o Death Metal para transmitir suas mensagens, centradas em temas como o ocultismo, a morte e diferentes manifestações do sobrenatural. Com o lançamento do excelente debut “…of the Occult”, o grupo vem dando passos cada vez mais largos rumo ao merecido reconhecimento por parte dos maníacos fãs dos gêneros aqui mencionados. Fomos bater um papo muito bacana com o vocalista, líder e idealizador do projeto, Marcelo “The Evil One”, para, juntos, dissecarmos os principais pontos da recente trajetória do quarteto no underground nacional.
The Ghost Writer Magazine: Satisfação máxima em falar com você, Marcelo “The Evil One”. Como estão as atividades da VERMIS MORTEM atualmente? Você continua radicado em Aracaju, Sergipe? Como funciona a logística para que os trabalhos com a banda sejam produtivos?
Marcelo “The Evil One”: Fala, pessoal! A satisfação é toda minha! A VERMIS MORTEM continua a todo vapor. Estamos produzindo muito material, gravando músicas e clipes; muita coisa está acontecendo. Continuo residindo em Aracaju. Já faz bastante tempo que me mudei, mas, sempre que posso, vou para Salvador, seja para ver amigos e familiares ou resolver assuntos da banda, e tem funcionado muito bem. Todos são muito comprometidos. A banda ensaia sem mim e sempre marcamos a quantidade de ensaios necessária quando temos shows ou outras atividades. Muita coisa conseguimos resolver à distância, sem problemas. Hoje em dia, a tecnologia estreitou a comunicação, e conseguimos ser bastante produtivos apesar da distância.
The Ghost Writer Magazine: Já faz pelo menos dois anos que recebemos aqui na redação o seu álbum de estreia, “…of the Occult” (2024). O material ficou sensacional e digno dos grandes títulos do Death/Black Metal brasileiro. Como se deu o seu trabalho de composição e como ele vem sendo recebido pelos fãs e pela imprensa até aqui?
Marcelo “The Evil One”: Obrigado pelos comentários, cara! Foi um grande retorno nosso depois de um tempo sem produzir material novo. Apesar de ficarmos um período sem lançar músicas novas, nunca paramos de compor. Fizemos isso com tanta dedicação que agora temos muita coisa foda que queremos lançar e, com certeza, faremos isso! As críticas sobre nosso último álbum foram excelentes, o que nos surpreendeu bastante. Fazemos as coisas do nosso jeito e, claro, é uma grande satisfação ter o reconhecimento de maníacos do Metal como nós!
The Ghost Writer Magazine: A VERMIS MORTEM fez poucas aparições para promover “…of the Occult”, e isso chama a atenção, já que o disco agrada em cheio nos mais diversos aspectos. Quais os motivos que você atribui para que a agenda da banda não tenha mais compromissos firmados?
Marcelo “The Evil One”: Realmente, não somos uma banda de fazer muitas apresentações. Sempre foi dessa forma. Às vezes, é difícil conciliar a agenda de todos, mas, quem sabe, não conseguimos mudar um pouco essa realidade e levar o show da VERMIS MORTEM para mais lugares.
The Ghost Writer Magazine: A produção de “…of the Occult” é um dos destaques, conduzida por Alexandre Vitorino, pois deixou todo o conteúdo orgânico, com aquela velha aura saudosista dos anos 1980. Quais os principais detalhes que você pode nos descrever sobre esse processo até a chegada do produto final?
Marcelo “The Evil One”: Quando compomos nossa música, já imaginamos como queremos que ela soe. Acho que estamos todos bem alinhados quanto a isso, o que facilita o direcionamento de tudo que envolve as composições: timbre dos instrumentos, volumes, detalhes, tudo é exaustivamente discutido. Como produzimos a maior parte das etapas da gravação de nossas músicas, temos controle total sobre o processo e o resultado dele.
The Ghost Writer Magazine: Marcelo, para quem conhece a sua carreira, sabe que você é um dos melhores designers gráficos do país atualmente, principalmente dentro da linguagem do Metal Extremo. Como você também assinou a arte de “…of the Occult”, qual a sua real intenção com ela? Quais as mensagens contidas nela que você pode nos revelar?
Marcelo “The Evil One”: Quanto à capa de “…of the Occult“, minha ideia sempre foi trazer um ar de mistério, apresentando o ocultismo como prática, e não apenas como iconografia. O recipiente é o ponto central da composição e tudo converge para ele, trazendo consigo o significado de morte e transformação. Três iniciadas executam um sacramento proibido, e o oculto não é aquilo que elas veem, mas aquilo que estão prestes a libertar.
The Ghost Writer Magazine: Ouvindo as músicas do disco, ficou muito evidente a forte influência que Possessed e Celtic Frost exercem na sonoridade da VERMIS MORTEM. Você concorda com a minha afirmativa? Como funciona o método de escrita da banda? A função está totalmente concentrada no guitarrista Alexandre Vitorino?
Marcelo “The Evil One”: Concordo, sim, com certeza. A escrita, até então, tem sido feita por mim na maior parte das letras e lapidada junto com Alexandre, assim como a parte instrumental das composições.
The Ghost Writer Magazine: A faixa “Inhuman Entities” é a primeira música propriamente dita de “…of the Occult”. Ao escutá-la, é impossível não nos recordarmos de “Seven Churches”, clássico do Possessed. Aliás, o seu estilo de canto também nos lembrou muito Jeff Becerra, o que deixa a obra bem próxima dos norte-americanos. Você acredita que os fãs estão tendo essa mesma percepção?
Marcelo “The Evil One”: Então, eu ouvi isso de algumas pessoas, de fato, mas nunca foi intencional. O Metal Extremo baiano, de certa forma, sempre teve grande influência do Possessed.
The Ghost Writer Magazine: Uma das minhas preferidas é “Your Dead Messiah Will Never Return”, e é nela que o lado satânico da VERMIS MORTEM é mais acentuado. Como você avalia o uso de preceitos satanistas nas novas bandas que têm aparecido na cena? Quais as suas principais fontes de pesquisa sobre esse assunto?
Marcelo “The Evil One”: Eu não costumo analisar muito o caminho que as outras pessoas costumam trilhar. Acho que é algo muito individual, e não cabe a mim julgar ou opinar sobre como cada um faz seus trabalhos e escolhas. Eu leio sobre muitas coisas. Adoro História, mitologias antigas, poesia, livros sobre ocultismo, estudos sobre símbolos e arte. Acredito que é enriquecedor estar sempre em movimento, aprendendo coisas novas. A história humana é muito rica e, hoje, todo conhecimento está a poucos passos de quem tem real interesse.
The Ghost Writer Magazine: Já em “The Key of the Bottomless Pit”, temos a banda apostando em andamentos cadenciados e uma introdução extremamente introspectiva. Não por acaso, ela é a segunda mais longa do play. Qual a importância que você enxerga no momento de inserir composições mais complexas dentro de um full-length?
Marcelo “The Evil One”: Eu acho que todo álbum tem um ritmo, e esse ritmo, conosco, sempre foi intencional e pensado. Gostamos de criar diferentes climas nos nossos lançamentos, então pensamos com cuidado onde cada música deve estar e em como deve soar. Acho que tudo isso faz parte da experiência.
The Ghost Writer Magazine: “Venomous Winds of Pazuzu” lida com uma temática específica, voltada para a entidade citada no seu título. Existe alguma ligação desta faixa com o clássico filme “O Exorcista”? Quais as referências bibliográficas e cinematográficas sobre as quais você se debruçou durante o processo de escrita das letras do artefato?
Marcelo “The Evil One”: Essa composição foi idealizada por Alexandre, tanto a letra quanto a parte instrumental. Ele sempre quis fazer uma música sobre Pazuzu. Sempre flertamos com a mitologia suméria. “Venomous Winds of Pazuzu” é a invocação final, culminando na ideia de que “evil never dies”, que ainda conecta o disco à própria história anterior da VERMIS MORTEM. Claro que há influência de “O Exorcista”, um grande clássico do cinema, mas quisemos dar um ar ancestral dentro da nossa proposta. Na letra, temos a inversão da oração de São Francisco, junto com toda a atmosfera pestilenta e caótica.
The Ghost Writer Magazine: “Stillborn Rebirth” é um EP disponibilizado em 2024 e conta com mais de 35 minutos de duração. Na minha ótica, ele possui conteúdo que justificaria chamá-lo de álbum. Por qual razão vocês o apresentam dessa forma em sua discografia? Ele recebeu versão física? Como você avalia a distribuição deste material no nosso underground?
Marcelo “The Evil One”: O “Stillborn Rebirth” foi o nosso retorno. Nós quisemos regravar músicas da nossa demo, pois estávamos obtendo melhores resultados nas nossas gravações. Fizemos isso no meio da gravação de “…of the Occult”. Não sei por que surgiu a ideia de regravar as músicas; estávamos empolgados com o retorno da banda e querendo fazer muita coisa ao mesmo tempo. Mas, daí, resolvemos gravar duas faixas novas, e acabou ficando maior do que o planejado inicialmente. Ainda pretendemos lançar uma versão física; é algo que está nos nossos planos. Gostamos muito desse material. Acabamos lançando-o antes do nosso full-length, que fomos trabalhando com mais calma e critério.
The Ghost Writer Magazine: Voltando ainda mais no tempo, vocês se aliaram à banda peruana Enygma para lançarem juntos o split “Southern Evil”, em 2015. Olhando para trás, como você avalia essa experiência com os nossos vizinhos do Peru?
Marcelo “The Evil One”: A experiência foi ótima. O split rodou bastante na época. Uma pena que a banda Enygma acabou.
The Ghost Writer Magazine: Pelo tempo transcorrido desde o lançamento de “…of the Occult”, presumimos que a banda já deva estar trabalhando em novo material. O que você poderia nos adiantar sobre o futuro próximo da VERMIS MORTEM?
Marcelo “The Evil One”: Estamos finalizando nosso próximo split, que será anunciado em breve. Gravamos quatro músicas para esse novo trabalho e, na sequência, já vamos iniciar a gravação do nosso próximo full-length. Estamos trabalhando também na produção de dois clipes: um será lançado ainda este ano, e o outro será lançado juntamente com o split. Tivemos uma mudança de baterista recentemente. Um grande hail para o The La Muerte, que esteve conosco por muitos anos e é um grande irmão nosso, e um grande bem-vindo ao Amnezia, que assumiu a responsa da nossa máquina de guerra!
The Ghost Writer Magazine: Marcelo, fica aqui novamente o meu agradecimento em nome de toda a equipe da The Ghost Writer Magazine. Continuem na resistência, sempre levantando a bandeira do Death/Black Metal no nosso amado Nordeste brasileiro. Agora é o momento para as suas considerações finais…
Marcelo “The Evil One”: Uma grande saudação aos maníacos que acompanham a VERMIS MORTEM e um grande hail à The Ghost Writer Magazine pelo grande trabalho junto ao underground! Tem muito por vir. Preparem os ouvidos para o caos que se aproxima!
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