Artista: Vários
Evento: Summer Breeze Brasil
Cidade/Estado/País: São Paulo – São Paulo – Brasil
Local: Memorial da América Latina
Data: 27 de Abril
Ano: 2024
Produtora: Consulado do Rock & Parceiros
Toda a equipe da The Ghost Writer Magazine ainda estava em completo estado de êxtase por conta da maratona do dia anterior, quando a contagem regressiva para o segundo dia de shows começou cedo. E quando eu digo cedo, foi literalmente amanhecendo! Precisávamos preparar todo o equipamento e gerenciar os times que cobririam os quatro palcos instalados no Memorial da América Latina.
Chegamos por volta das 10h da manhã no local e já nos deparamos com a nossa principal inimiga, que aprendemos a respeitar: a bendita rampa que serve como translado do Ice e Hot Stages até os Sun e Waves Stages. Cara, como é cansativo ter que enfrentar ela durante um dia inteiro de festividades! Mas, como missão dada é missão cumprida, lá fomos nós novamente encarar o problema em nome do jornalismo sério e independente.
Os trabalhos começaram pontualmente às 10h15 no Waves Stage com o projeto educativo School of Rock. Para quem não conhece, o School of Rock é uma atividade voltada para educação musical e formação de novos músicos, especialmente jovens ligados ao Rock e ao Metal. Na prática, funciona como uma extensão do projeto School of Rock (rede internacional de ensino musical), trazendo para dentro do festival uma programação paralela com foco didático e interativo. E, como é algo ligado mais aos pais dos alunos e curiosos, preferimos nos posicionar no Ice Stage para acompanhar metade do show da Nervosa, que começaria às 11h00.
Quando Prika Amaral (vocal e guitarra), Helena Kotina (guitarra), Hel Pyre (baixo) e Gabriela Abud (bateria) entraram em cena promovendo o seu último álbum “Jailbreak” (2023), o calor já estava castigando muito o público. Mas isso não foi um impeditivo para que tivéssemos o nosso senso crítico desgastado e mal piscamos os olhos acompanhando a nova fase deste verdadeiro orgulho brasileiro. Realmente dá gosto de ver a evolução das meninas com o seu Thrash/Death Metal, mesmo após tantas mudanças de formação.
E, por falar em trocas constantes no seu line-up, foi muito bom ver Prika completamente à vontade na nova função de cantora. Ela, de fato, abraçou muito bem o posto, como foi perceptível nos ótimos destaques aqui, “Seed of Death” e “Behind the Wall”. Aliás, a predominância do set foi dos últimos registros, deixando a fase de Fernanda Lira cada vez mais sepultada no passado. Achei a escolha acertada e o bom número de fãs que ali se encontrava parece ter concordado comigo.
“Perpetual Chaos” (2021) foi lembrado com “Perpetual Chaos” e “Venomous”, com Prika novamente detonando nas linhas originalmente registradas pela espanhola Diva Satanica (Bloodhunter, ex-Outreach). Mas antes, para coroar a sua performance, a Nervosa trouxe um dueto que nada mais é do que a representação da força da mulher no Metal nacional. Mayara Puertas (Torture Squad) chegou chutando a porta com “Elements of Sin”, novamente de “Jailbreak”, arrebatando os fãs mais próximos do palco. Excelente.
Ao final da participação de Mayara, tivemos que deixar a Nervosa para poder acompanhar a nova banda de Nando Fernandes (ex-Hangar, Cavalo Vapor), Edu Ardanuy (ex-Dr. Sin) e Luís Mariutti (ex-Angra, Shaman), a Sinistra, no Sun Stage. Com um som baseado nos melhores momentos do Black Sabbath da era Dio, e os próprios caras não negam isso, a banda chegou com tudo apresentando músicas do seu debut homônimo, lançado em 2022.
Com letras em português, melodias marcantes, ótimos solos de Ardanuy e um dos melhores cantores do Metal nacional liderando, não tinha como alguma coisa dar errado, não é verdade? E foi assim que despejaram “Mente Vazia”, “Viver” e “Livre Pra Seguir” para a apreciação de todos. Confesso que fiquei hipnotizado pela atuação do quarteto, mesmo que o direcionamento musical não seja uma novidade.
Desta feita, acompanhamos o show na íntegra, que teve como pontos altos “Quem é Você” (a melhor dentre todas) e “O Amanhã”. E, em tempo, é importante que se diga que apenas “Nada é Mais Igual”, do primogênito, ficou de fora. Caso contrário, teríamos tido a experiência completa do full-length bem ali na nossa frente. Uma pena, mas não vou me queixar, pois a experiência de ter visto o Sinistra foi inenarrável.
Com as ondas de calor devastando a plateia, o nosso plantel foi enfrentar novamente a tal rampa para acompanharmos os norte-americanos do Forbidden no Hot Stage. Ao assumir esta escolha, tivemos que abrir mão da porto-alegrense Rage in My Eyes no Waves Stage, que um ano antes lançou o seu último single “Spark of Hope”, contendo os já habituais elementos do Heavy/Power Metal. Infelizmente, não tivemos qualquer informação sobre a passagem dos gaúchos pelo Summer Breeze Brasil.
Quando chegamos ao Hot Stage, a introdução com um trecho de “Follow Me” já ecoava nos PAs, com o enorme telão exibindo imagens da história da banda, desde seus dias como Forbidden Evil, para a alegria geral dos apaixonados pelo Thrash Metal. Eu conheço o quinteto há muitos anos, mas confesso que nunca fui tão próximo assim das suas atividades; entretanto, o que foi apresentado me pegou pelos ouvidos e não largou mais. Talvez e, principalmente, por eu ter gostado muito do timbre do vocalista Norman Skinner (Hellscream, Skinner), que substituiu Russ Anderson à altura.
“Twisted Into Form” veio na sequência, e com ela também a revelação de que o quinteto havia preparado para nós uma verdadeira homenagem aos primórdios do grupo, com a predileção pelas músicas de “Forbidden Evil”. Reclamar para quê, não é verdade?! Então emendaram com “March Into Fire”, “Forbidden Evil” e “Step by Step”, esta última responsável por uma enorme roda que tomou boa parte da região próxima do palco. E foi naquela altura que Skinner abriu um enorme sorriso e agradeceu aos brasileiros pelo apoio e suporte ao Forbidden, que estava debutando em nossas terras. Muito legal!
Ainda houve tempo para “As Good as Dead”, “Infinite”, de “Twisted Into Form” (1990), e “Through Eyes of Glass”, com o encerramento catártico com a clássica das clássicas “Chalice of Blood”, para a total redenção da geral. Eu não estava tão empolgado, confesso, mas o Forbidden faz parte de um seleto grupo de artistas que ajudou a criar e a difundir o Thrash Metal; desta forma, poder estar ali vendo a história continuar a ser escrita foi uma bênção. Então, com este sentimento de gratidão, partimos para o Ice Stage para a nova aparição de Kai Hansen (Helloween) e o seu Gamma Ray.
Enquanto a veterana Korzus destruía tudo com o seu Thrash Metal moderno no Sun Stage, o About2Crash iniciava a sua participação agitando o Waves Stage. Entretanto, optamos por acompanhar a íntegra do Gamma Ray, que prometia uma verdadeira compilação de hinos que delinearam a estética do Power Metal desde o final dos anos 1980. E não nos arrependemos, já que era muito aguardado este novo encontro com um dos músicos mais carismáticos do Metal mundial.
Após quase dez anos sem nos visitar, o Gamma Ray aportou em terras brasileiras, sendo introduzido por “Welcome”, de “Heading for Tomorrow” (1990), para em seguida emendar com as excelentes “Land of the Free” e “Last Before the Storm”, antes da imortal “Rebellion in Dreamland”, de “Land of the Free” (1995), que em estúdio contou com a participação de Michael Kiske (Helloween). Foi neste momento que a banda tocou na minha alma, já que a mencionada composição fez parte da trilha sonora de toda a minha adolescência. Mágico para dizer o mínimo!
“Master of Confusion” e “One With the World” foram as próximas, revelando o talento de Frank Beck (Almanac, Masters of Disguise), que assumiu o posto de vocalista com muita sobriedade desde 2015. Outro destaque vai para o entrosamento dos guitarristas Hansen e Henjo Richter, como constatado em “One With the World”, sempre sustentados pela cozinha precisa formada pelo baixista Dirk Schlächter e pelo baterista Michael Ehré. Uma verdadeira aula de sincronia musical!
A parte mais emocional do show contou com a execução de “The Silence”, mais uma vez de “Heading for Tomorrow”, servindo para dar um respiro para a multidão que se aglomerava bem em frente ao quinteto, até a chegada de “Induction” e “Dethrone Tyranny”, ambas de “No World Order” (2001). Com o passeio pela sua discografia sendo a máxima da apresentação, a emblemática “Empathy”, de “To the Metal!” (2010), seu penúltimo trabalho de estúdio, garantiu que a energia se mantivesse em alta. Bacana também foi poder ver que a audiência não arredava pé ou demonstrava qualquer sintoma de cansaço, mesmo com o sol escaldante. Verdadeiros sobreviventes, eu diria!
A tríade que se encarregou pelo encerramento foi um presente para quem acompanha o Gamma Ray desde quando era um mero projeto de Kai Hansen, no longínquo ano de 1989. “Heaven Can Wait”, do debut, não poderia passar incólume, ou você se atreveria a não entoar o pegajoso refrão na frente dos músicos?! Pois bem, e lá estava eu gritando a plenos pulmões: “Heaven can wait, til another day e all that I see is the Years, somewhere out in space, and it’s time for deliverance”. Ao final, estava esgotado, admito, mas a felicidade era plena na minha alma!
“Somewhere Out in Space”, do homônimo de 1997, e “Send Me a Sign”, do controverso “Power Plant” (1999), no bis, foram as derradeiras, preparando o terreno para o Angra, que seria a próxima atração no Hot Stage bem ao lado. Como já tivemos diversas experiências no decorrer da carreira dos brasileiros, desde a fase de Andre Matos nos anos 1990, optamos por ver o início do seu repertório, antes de rumarmos para o Sun Stage afim de reencontrarmos o vocalista croata Dino Jelusick.
Com a já tradicional introdução do álbum “Holy Land”, de 1996, “Crossing”, o Angra subiu ao palco do Summer Breeze Brasil com toda a pompa de ser um dos principais artistas do Metal nacional em atividade na atualidade. Conseguimos acompanhar “Nothing to Say”, “Angels Cry”, do homônimo de 1993, e uma pequena parte da novata “Tide of Changes”, do mais recente “Cycles of Pain” (2023). Quem me conhece sabe que eu não comprei a atual fase com o italiano Fabio Lione (Rhapsody of Fire, Athena), mas tenho que admitir que as canções que eu pude assistir acabei gostando e “aceitando”.
E foi com as pernas já faltando que peregrinamos para o Sun Stage, enfrentando a maldita rampa, com o objetivo de cobrir a segunda metade da atuação de Jelusick. E, quando chegamos ao local, o cara já estava em “Fade Away”, terceira apresentada. Em suporte ao seu primeiro álbum solo “Follow the Blind Man” (2023), Dino soube se portar bem on stage, com o ilustre convidado Nando Fernandes (Sinistra, ex-Cavalo Vapor, Hangar) assistindo a tudo bem ali ao lado.
Senti o público muito apático com a sonoridade mais pesada e moderna, desferida no decorrer das nove tracks do seu primeiro ato em voo solo, levando a frustração para quem esperava por algo de Trans-Siberian Orchestra, Whitesnake ou do supergrupo Whom Gods Destroy. As outras duas exceções foram “Fade Away” e “I Walk Alone”, do Animal Drive, não por acaso as mais bem recebidas. A total falta de ligação dos bangers com “Follow the Blind Man” acredito que tenha sido fator determinante para uma recepção tão insossa, ainda que o cantor tenha demonstrado o porquê de o estarem colocando como o sucessor direto de David Coverdale (Whitesnake, ex-Deep Purple).
Naquela altura já havíamos perdido o Noturnall, que estava levando um bom número de espectadores para o Waves Stage, enquanto que seguíamos para o sentido totalmente oposto para pegar a primeira metade dos italianos do Lacuna Coil, que já esquentavam as suas turbinas no Ice Stage depois do encerramento do Angra. Já se aproximavam das 16h quando a linda baixinha Cristina Scabbia surgiu com os seus asseclas para promover as músicas de “Black Anima” (2019), acrescidas de algumas belas surpresas.
O sol permanecia de rachar a consciência até dos mais pacientes, então nos posicionamos próximos da rampa e longe de onde o Lacuna Coil estava, para podermos ter um fácil acesso ao translado, porque uma das nossas prioridades se apresentaria logo mais no Sun Stage: o The Night Flight Orchestra, projeto do vocalista do Soilwork Björn “Speed” Strid. Mesmo com a visão comprometida, pudemos curtir as ótimas “Reckless”, “Trip the Darkness” e “Layers of Time”.
Outro destaque foi poder ver a interação entre Scabbia e Andrea Ferro, que souberam manter a estrutura complementar dos seus timbres e estilos de canto. Eles modernizaram o tal “beauty and the beast”, transpondo-o para o Metal Alternativo de vanguarda e, por conseguinte, afastando-se completamente do seu passado dentro do Gothic Metal. Os flertes com o Industrial também são bem evidentes, mas nada que chegue ao nível de soar artificial. O grupo agradou e já tem uma legião cativa de seguidores no nosso país, o que acabou por ficar evidente com o trecho que acompanhamos até “Apocalypse”, do já citado “Black Anima”.
Mal conseguimos assistir “Sword of Anger” quando nos despedimos do Lacuna Coil para abraçarmos o The Night Flight Orchestra com o seu Hard Rock AOR cativante e bem diferente do que Björn comumente executa no Soilwork. Foi então que, ao chegarmos no Sun Stage, percebemos o clima mais ameno e a bem-vinda sombra em toda a área do palco, o que prontamente foi comemorado por todos. Alívio é pouco para traduzir aqueles 50 minutos com a ausência do sol implacável que nos assombrava.
O projeto Nite Stinger, que reuniu o baterista do Dr. Sin Ivan Busic e o vocalista Jack Fahrer, movimentou pouco no Waves Stage com o seu Hard Rock oitentista, enquanto que, onde estávamos, mal dava para andar. E foi com esta mescla de incômodo e satisfação que vimos o time liderado por Björn, composto por Rasmus Ehrnborn (guitarra), Sebastian Forslund (guitarra e percussão), Mats Rydström (baixo, em substituição a Sharlee D’Angelo, que está em turnê com o Arch Enemy), John Lönnmyr (teclados), Jonas Källsbäck (bateria) e as backing vocals Anna Brygård e Åsa Lundman, comandar os trabalhos.
De uns tempos para cá, com o hiato nas atividades do Soilwork após o final da sua última turnê, o vocalista resolveu apostar todo o seu tempo no The Night Flight Orchestra e acredito que tenha sido a sua melhor escolha para este ano. Mas vale aqui reiterar que a sonoridade deste projeto foge muito da sua banda principal, ao se escorar em um Hard Rock AOR festivo, dançante e repleto de refrões pegajosos, todos eles ressaltados pelas participações de Anna Brygård e Åsa Lundman.
E foi neste clima de total descontração que entramos na onda e nos divertimos muito ao som das ótimas “Midnight Flyer” – que abriu o set –, “Sometimes the World Ain’t Enough”, “Divinyls” e as mais festejadas pela galera “Burn for Me” e “Gemini”. Eu ali era um marinheiro de primeira viagem, já que conhecia muito pouco dos seus discos, mas ver a empolgação de toda a plateia me contagiou e me arrancou diversos sorrisos do rosto.
Outro ponto alto foi a balada “Something Mysterious”, que demonstrou a versatilidade do frontman, ao conseguir aquecer até os fãs que ostentavam camisetas de bandas de Black Metal, e eu mesmo vi vários animados com o clima mais emocional proposto. “Satellite”, de “Aeromantic” (2020), e “Paralyzed”, de “Amber Galactic” (2017), vieram na sequência antes do desfecho bem alto astral com “Living for the Nighttime” e “West Ruth Avenue”, novamente do álbum mais explorado da sua discografia naquela tarde: “Amber Galactic”.
Ao final do show, um erro de cálculo da nossa equipe quase fez com que perdêssemos o Hammerfall no Hot Stage. Houve uma confusão de horários da nossa parte, então tivemos que sair correndo alucinadamente para enfrentar uma multidão que já se aglomerava na área dos palcos maiores para ver os suecos. Foi bem difícil chegar lá, e quando finalmente conseguimos, a banda liderada pela dupla Oscar Dronjak (guitarrista) e Joacim Cans (vocalista) já estava executando “Any Means Necessary”, segunda do repertório. Perdemos pouco, mas foi algo decepcionante, principalmente para mim, que ansiava vê-los pela primeira vez ao vivo.
Gotas de frustração à parte, impossível não se emocionar com a enxurrada de clássicos que vieram a dominar o Summer Breeze Brasil por cerca de 1h de uma apresentação impecável. E foi dentro desta premissa que vieram “Any Means Necessary”, “Heeding the Call”, do maravilhoso “Legacy of Kings” (1998), e “Hammer of Dawn”, do homônimo de 2022. Como já estávamos perto do crepúsculo, ver a mudança do dia para a noite com a iluminação do palco sendo mais perceptível rendeu um espetáculo visual maravilhoso. De tão lindo, valeu a pena o breve comentário aqui.
Com as chegadas de “Blood Bound”, “Renegade”, do homônimo de 2000, e “Hammer High”, recebemos a informação de que os veteranos mineiros do Thrash Metal, Eminence, estavam destruindo tudo no Waves Stage. Infelizmente, ao priorizar o Hammerfall, perdemos a apresentação dos irmãos brasileiros, porém felizes com indicativos sempre positivos quanto à sua primeira passagem pelo maior evento dedicado ao Metal que esse brasilzão já recebeu. Voltando ao Hammerfall, a presença de palco dos caras deixava tudo muito efervescente todo o tempo, com Cans agitando bastante em meio à correria dos guitarristas Dronjak e Pontus Norgren. Mal sabíamos para onde olhar diante de tanto dinamismo, e foi então que recebemos, sem dó, a trinca composta por “One Against the World”, “Hector’s Hymn” e “Last Man Standing”. Surreal!
“Let the Hammer Fall” elevou ainda mais a participação dos presentes, enquanto o seu novo hino “(We Make) Sweden Rock”, de “No Sacrifice, No Victory” (2009), dava conotações mais patrióticas à sua atuação. O encerramento veio através de “Hail to the King”, single lançado dois dias antes da apresentação, junto com o anúncio de seu novo álbum, e tocada ao vivo pela primeira vez no mesmo dia, além da clássica das clássicas “Hearts on Fire”, de “Crimson Thunder” (2002). Haja coração, meus amigos!
As pernas já estavam me faltando quando lembramos que a escolha mais indigesta de todo o segundo dia de Summer Breeze Brasil havia chegado. Com Epica e Dark Tranquillity tocando exatamente no mesmo horário, optamos por pegar duas músicas da primeira e partir para assistir 90% da segunda. Com a decisão tomada, fomos para perto da rampa, e só este pequeno translado levou um tempo absurdo, já que, devido à quantidade de pessoas, estava praticamente impossível transitar pelo local. E foi durante essa peregrinação que, bem de longe, conseguimos ver o Epica dominar o Ice Stage com o seu Symphonic Metal, através de “Abyss of Time – Countdown to Singularity”, do ambicioso “Omega” (2021), e “The Essence of Silence”, de “The Quantum Enigma” (2014).
Após o término de “The Essence of Silence”, deixamos o nosso até breve para Simone Simons & Cia. para novamente enfrentar a rampa para acesso ao Sun Stage. E, quando chegamos lá, o simpático e carismático Mikael Stanne já estava desferindo “Identical to None” para a enorme audiência que se espremia bem na sua frente. “Nothing to No One”, de “Damage Done” (2002), “Hours Passed in Exile” e “Atoma” foram as seguintes, com a banda mantendo uma postura frenética constante. Preciso mesmo dizer que eu estava em um completo estado de êxtase?! Não preciso, não é?!
Sorrindo bastante e interagindo sempre que necessário, Stanne despejava uma clássica após a outra, sempre democratizando a escolha das canções para englobar ao máximo a rica discografia do Dark Tranquillity. E foi nesta toada que fomos presenteados com “Terminus (Where Death Is Most Alive)” e a dobradinha de “Moment” (2020): “The Last Imagination” e “Phantom Days”. Esta última, preciso afirmar categoricamente, foi um dos pontos mais altos, junto a “ThereIn”, de “Projector” (1999), que veio logo após “Cathode Ray Sunshine”.
O premiado single “Lost to Apathy” agarrou a todos pelas mãos e ouvidos, com seu refrão grudento e riffs inspirados, antes do grand finale com “Misery’s Crown”, do memorável “Fiction” (2007). Em meio aos gritos dos fãs, fomos para o backstage tentar bater um papo com Stanne, mas como a van já estava pronta para levar o grupo de volta ao hotel, só deu tempo para duas fotos e poucas palavras de agradecimento pelos seus serviços prestados ao Metal mundial. Simpatia pura.
Antes de voltarmos para o Hot Stage para recebermos o headliner Within Temptation, ainda deu tempo para dar uma passadinha rápida no Waves Stage para assistirmos algo de Jeff Scott Soto. Como temos ótimas relações com a base da sua banda solo, que são os músicos da Spektra, resolvemos apoiar. E como tudo é muito corrido em um evento que possui vários palcos simultâneos com atividades, só conseguimos assistir duas canções inseridas no prometido “Swedish Set”, que contou com um repertório exclusivo para o Summer Breeze Brazil, reunindo clássicos das bandas suecas por onde passou: Yngwie Malmsteen, Talisman e W.E.T..
Conferimos “The Call of the Wild”, de “Marching Out” (1985), e “Time After Time”, do grandioso “Odyssey” (1988), ambos da carreira solo de Yngwie Malmsteen. Como de costume, Soto arrasou, mas fiquei constrangido de terem colocado o cara em um palco tão pequeno. A pior escolha da produção para este ano foi ter retirado o Waves Stage do auditório, transpondo-o para um local aberto e espaço físico minúsculo para os músicos trabalharem. Ainda assim, o cantor conseguiu arregimentar um excelente número de espectadores para vê-lo.
E foi a passos largos que rumamos para conferir o Within Temptation, que já estava dando os seus primeiros sinais de vida no Summer Breeze Brasil. E, meus amigos, como o local estava cheio! Foi bacana poder constatar pessoalmente que os holandeses ostentam uma gigantesca fan base no nosso país, podendo inclusive segurar boa parte de uma legião de sobreviventes exauridos por conta de um sol causticante que os acompanhou por um dia inteiro de festejos.
Quando chegamos, a banda já estava apresentando “Faster”, do álbum que pessoalmente eu mais gosto de toda a sua carreira, “The Unforgiving” (2011). Com a utilização inteligente do enorme telão, muita pirotecnia com direito a canhões de fumaça e lança-chamas, além de um sistema de iluminação programado para interagir com cada uma das músicas individualmente, o sexteto protagonizou uma apresentação pomposa e a melhor experiência visual de todo o festival. Foi algo incrível aos olhos, e por diversos momentos foi a música que acabou ficando em segundo plano.
Sharon den Adel continua maravilhosa e liderando com muita simpatia o time formado por Ruud Jolie e Stefan Helleblad (guitarras), Jeroen van Veen (baixo), Mike Coolen (bateria) e Martijn Spierenburg (teclado); para juntos desferirem algumas das melhores canções dos seus trabalhos mais representativos. Foi assim com “The Reckoning” (de “Resist”, de 2019) e a faixa-título de seu último disco, “Bleed Out” (2023), por exemplo. Conferi ambas com semblante de paisagem, já que não estava muito atento aos dois últimos trabalhos da banda, mas os fãs não paravam de agitar um minuto sequer.
Já “Paradise (What About Us?)” foi outra história e ainda contou com a participação virtual de Tarja Turunen (ex-Nightwish). Com a sua voz reproduzida com o uso de playback nos PAs e as imagens do videoclipe, que também conta com a sua presença no telão, o dueto com Sharon foi replicado da melhor maneira possível para a ocasião, já que a finlandesa não estava presente. Tudo muito bem sincronizado e que conseguiu levar os mais entusiasmados para o limite máximo da emoção.
Ainda conseguimos acompanhar “Angels”, do mediano “The Silent Force” (2004), e “Raise Your Banner”, que contou com muitas explosões e canhões de fumaça, com direito à cantora empunhando uma bandeira da Ucrânia em total apoio ao país que foi vítima de uma invasão da Rússia dois anos atrás. Eu, particularmente, gostei da sua manifestação, mas quando política se mistura com arte, geralmente pode ser perigoso e promover uma desnecessária segmentação do público. Até me despedir do Within Temptation, para conferirmos a segunda metade do show dos alemães do In Extremo, não senti qualquer tipo de animosidade de alguma parcela dos presentes. Um verdadeiro alívio!
Quando ainda estávamos no meio da rampa e próximos ao Sun Stage, já era possível ouvir os sons das gaitas de foles e flautas dos divertidíssimos Dr. Pymonte e Flex der Biegsame, ecoando pelo lugar. Cara, como é divertido o som medieval do In Extremo e como foi uma enorme satisfação ver o logo da banda no telão por cima da imagem da bandeira brasileira. Foi um verdadeiro privilégio, já que, em mais de 40 anos de carreira, o grupo que tem como figura principal o vocalista Das letzte Einhorn nunca havia se apresentado na América do Sul.
O clima foi de bebedeira em meio a uma taverna medieval, ao som das ótimas “Herr Mannelig”, “Unsichtbar”, de “Kompass zur Sonne” (2020), e “Weckt die Toten”. Muita dança em cima e embaixo do palco, com todos sendo protagonistas de uma enorme confraternização metálica. Eu já estava completamente morto, mas não conseguia retirar o sorriso do rosto diante da animação do sexteto em ação. E foi desta forma que mandaram “Liam”, “Sängerkrieg” e a mais celebrada “Ave Maria”, com o seu refrão contagiante para a alegria de todos os presentes.
Como o In Extremo pautou a sua carreira em utilizar o idioma alemão, senti certa desconexão dos brasileiros com a banda, mas nada que bom humor e doses de experiência não resolvam, correto? E foi desta maneira que conduziram até o final com “Spielmannsfluch” e “Pikse Palve”, de um dos seus melhores lançamentos, “Sængerkrieg Akustik Radio Show” (2008). E, com o adeus e até breve de Einhorn servindo para nos lembrar que já estava tarde, posso dizer que o segundo dia foi fechado com chave de ouro? Pode apostar que sim, leitor! Agora é retornar para o hotel para recarregar as baterias, porque amanhã tem Mercyful Fate, Anthrax, Overkill, Carcass, Amorphis e muito mais.
Setlist In Extremo:
01. Wintermärchen (Intro)
02. Troja
03. Feuertaufe
04. Vollmond
05. Küss mich
06. Herr Mannelig
07. Unsichtbar
08. Weckt die Toten
09. Liam
10. Sängerkrieg
11. Ave Maria
12. Frei zu sein
13. Störtebeker
14. Ai vis lo lop
15. Spielmannsfluch
16. Pikse Palve
Setlist Within Temptation:
01. The Reckoning
02. Faster
03. Bleed Out
04. Paradise (What About Us?)
05. Angels
06. Raise Your Banner
07. Wireless
08. Entertain You
09. Stand My Ground
10. Supernova
11. In the Middle of the Night
12. All I Need
13. Our Solemn Hour
14. Don’t Pray for Me
15. The Cross
16. Mad World
17. What Have You Done
18. Never-Ending Story
19. Mother Earth
Setlist Jeff Scott Soto:
01. Now Your Ships Are Burned
02. Comin’ Home
03. If U Would Only Be My Friend
04. The Call of the Wild
05. Time After Time
06. Caught in the Middle
07. Broken Wings
08. Blissful Garden
09. Brothers in Arms
10. Comes Down Like Rain
11. Just Between Us
12. I Am a Viking/I’ll See the Light Tonight
13. Big Boys Don’t Cry/Watch the Fire/Learn to Live Again/One Love/Break Your Chains/Day By Day/Give Me a Sign/Colour My XTC/Dangerous/Just Between Us/Mysterious (This Time It’s Serious)/Frozen/Crazy/I’ll Be Waiting (Medley)
Setlist Dark Tranquillity:
01. Identical to None
02. Nothing to No One
03. Hours Passed in Exile
04. Atoma
05. Terminus (Where Death Is Most Alive)
06. The Last Imagination
07. Phantom Days
08. Cathode Ray Sunshine
09. ThereIn
10. Lost to Apathy
11. Misery’s Crown
Setlist Epica:
01. Alpha – Anteludium (Intro Tape)
02. Abyss of Time – Countdown to Singularity
03. The Essence of Silence
04. Victims of Contingency
05. Sensorium
06. Unleashed
07. The Final Lullaby
08. Reverence (Living in the Heart)
09. The Obsessive Devotion
10. The Skeleton Key
11. Code of Life
12. Storm the Sorrow (com participação de Cristina Scabbia)
13. Unchain Utopia
14. Cry for the Moon
15. Beyond the Matrix
16. Consign to Oblivion
Setlist Hammerfall:
01. Brotherhood
02. Any Means Necessary
03. Heeding the Call
04. Hammer of Dawn
05. Blood Bound
06. Renegade
07. Hammer High
08. One Against the World
09. Hector’s Hymn
10. Last Man Standing
11. Let the Hammer Fall
12. (We Make) Sweden Rock
13. Hail to the King
14. Hearts on Fire
Setlist The Night Flight Orchestra:
01. Midnight Flyer
02. Sometimes the World Ain’t Enough
03. Divinyls
04. Burn for Me
05. Gemini
06. Something Mysterious
07. Satellite
08. Paralyzed
09. White Jeans
10. Living for the Nighttime
11. West Ruth Avenue
Setlist Lacuna Coil:
01. Blood, Tears, Dust
02. Reckless
03. Trip the Darkness
04. Layers of Time
05. Heaven’s a Lie
06. Apocalypse
07. Our Truth
08. Sword of Anger
09. My Demons
10. Now or Never
11. In the Meantime
12. Veneficium
13. Enjoy the Silence
14. Never Dawn
15. Swamped
16. Nothing Stands in Our Way
Setlist Jelusick:
01. Reign of Vultures
02. Acid Rain
03. Fade Away
04. The Healer
05. Died
06. Chaos Master
07. The Great Divide
08. Groove Central
09. I Walk Alone
10. What I Want
11. Animal Inside
12. Fly High Again
Setlist Angra:
01. Crossing/Nothing to Say
02. Angels Cry
03. Tide of Changes – Part I
04. Tide of Changes – Part II
05. Newborn Me
06. Vida Seca
07. Rebirth
08. Dead Man on Display
09. Time
10. Cycle Doloris/Ride into the Storm
Setlist Gamma Ray:
01. Welcome/Land of the Free
02. Last Before the Storm
03. Rebellion in Dreamland
04. Master of Confusion
05. One With the World
06. The Silence
07. Induction/Dethrone Tyranny
08. Empathy
09. Heaven Can Wait
10. Somewhere Out in Space
11. Send Me a Sign
Setlist Forbidden:
01. Forbidden
02. Follow Me
03. Twisted Into Form
04. March Into Fire
05. Forbidden Evil
06. Step by Step
07. Off the Edge
08. As Good as Dead
09. Infinite
10. Through Eyes of Glass
11. Chalice of Blood
Setlist Sinistra:
01. Mente Vazia
02. Viver
03. Livre pra Seguir
04. Santa Inquisição
05. Quem é Você
06. Umbral
07. O Amanhã
08. Rock and Roll na Veia
Setlist Nervosa:
01.Seed of Death
02. Behind the Wall
03. Death!
04. Elements of Sin
05. Kill the Silence
06. Perpetual Chaos
07. Venomous
08. Masked Betrayer
09. Under Ruins
10. Jailbreak
11. Guided by Evil
12. Endless Ambition
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