ACCEPT: A Ascensão Humanoide em um Futuro Distópico
Postado em 01/05/2024


Artista: Accept (Alemanha)
Evento: Accept Latin American Tour
Cidade/Estado/País: São Paulo – São Paulo – Brasil
Local: Carioca Club
Data: 01 de Maio
Ano: 2024
Produtora: Dark Dimensions

Com o encerramento da última edição do Summer Breeze Brasil, parte da equipe da The Ghost Writer Magazine resolveu ficar mais uma semana em São Paulo para conseguir cobrir a nova vinda de Bruce Dickinson (Iron Maiden) em sua carreira solo, com o seu novo álbum “The Mandrake Project” (2024). E foi durante essa trip que soubemos que o ACCEPT se apresentaria no Carioca Club na noite de 01 de maio, obrigando-nos a colocar mais esse compromisso na nossa agenda.

O primeiro problema que enfrentamos é que o evento já estava sold out, mas, mesmo assim, resolvemos arriscar e fomos para a portaria do estabelecimento atrás de algum cambista ou desistência de algum fã. Resolvemos o infortúnio com a primeira opção, obviamente pagando muito mais caro que o valor oficial, pois a vontade de ver os alemães in loco era maior do que qualquer coisa.

Ao entrarmos no tradicional Carioca Club, soubemos que a banda russa de Heavy Metal Amalgama seria o open act, apresentando o seu mais recente disco “Mastermind” (2024). Enquanto os caras se preparavam para entrar em cena, passeamos pelo ambiente e fomos atrás dos produtos do ACCEPT; entretanto, não achamos nada de interessante ou que os preços valessem a pena o investimento. O único ponto positivo foi que novamente encontramos o batalhador e parceiro Silvio Golfetti (Voice Music), o que nos rendeu um excelente bate-papo.

Quando a introdução do Amalgama começou a ecoar nas dependências do Carioca Club, fomos rapidamente nos posicionar para acompanhar essa total incógnita que se aventurava por terras brasileiras. O grupo russo iniciou as suas atividades no início dos anos 2000 e a sua trajetória se limitou até então ao seu país e adjacentes, mas agora a história parece que está mudando bastante. E foi com essa confiança que o quinteto despejou as apenas medianas “Dark Lacroix”, “Mastermind” e “Amulang”.

O som se mostrou genérico e uma possibilidade que poderia trazer um atrativo maior seria se os seus compositores incorporassem, na sua sonoridade, elementos culturais da Rússia, o que não se confirmou em absoluto. Pelo menos esse foi o resultado do que nos foi apresentado em todo o set, principalmente em “Fight for Freedom”, “Brothers in Rock” e “Sping of My Life”, o que acabou por elevar ainda mais o caráter genérico e pouco interessante do conteúdo.

O Amalgama encerrou sua aparição com “Dark Night”, “Beat of Your Heart” e a derradeira “Back to the 80’s”, passando para mim a sensação de que não foi um agente agregador para uma noite que prometia ser mágica em todos os seus aspectos. Também não acredito que tenha funcionado diante de um público apático e que não interagiu com os visitantes vindos do extremo lado da Europa. Uma pena.

Pouco tempo se passou até termos o headliner pronto para despejar em nós o seu enorme arsenal de batalha, travestido no mais puro suco do Heavy Metal alemão. Confesso que, apesar da saída do baixista e fundador, Peter Baltes, em 2018, eu estava ansioso, tendo em vista que eu nunca havia tido a oportunidade de ver o ACCEPT pessoalmente, acrescido da expectativa de estar diante do excelente guitarrista Wolf Hoffmann atuando e esbanjando o seu habitual carisma. E foi com a adrenalina lá no alto e percalços técnicos que iniciaram com “The Reckoning” e a faixa-título do seu último álbum “Humanoid” (2024).

Pois é, apesar da euforia, as duas primeiras músicas foram comprometidas pela total falta de volume no som das guitarras. A frustração foi gigantesca, muitos ficaram atônitos, mas, felizmente, a partir de “Restless and Wild” a qualidade voltou para os trilhos e seguiram em frente com uma tonelada de clássicos que esperávamos ouvir durante a sua performance.

“Midnight Mover” e “London Leatherboys”, ambas de “Balls to the Wall” (1983), chegaram na sequência e foram muito celebradas, afinal de contas, ao lado de “Metal Heart” (1985), estamos falando aqui de um dos principais títulos do time liderado por Hoffmann. Não foram poucos que cantaram em uníssono, inclusive este que vos escreve, para estarmos com o motor pulsando forte para receber de braços abertos “Dying Breed” (mais uma de “Humanoid”), “Overnight Sensation”, do homônimo de 1996, e um medley que contou com as atemporais “Demon’s Night”, “Starlight”, “Losers and Winners” e “Flash Rockin’ Man”. Até aqui, setlist matador!

O guitarrista Joel Hoekstra (Whitesnake, Trans-Siberian Orchestra, Night Ranger e outros) foi um dos destaques e, mesmo na condição de substituto temporário de Phil Shouse na turnê sul-americana e nos festivais europeus de 2024, demonstrou consistência em músicas que exigem muito de qualquer instrumentista, como em “Breaker”, “Ravages of Time” e “Shadow Soldiers”. Sempre acompanhado de perto pelos companheiros nas seis cordas Hoffmann e Uwe Lulis, os três formaram um bloco sonoro pesadíssimo, concedendo assim maior vigor para a trinca “Princess of the Dawn”, “Fast as a Shark” e “Metal Heart”.

O maior hino da fase do vocalista Mark Tornillo, “Teutonic Terror”, do disco “Blood of the Nations” (2010), deu as caras e solidificou a relevância do cantor junto à base de fãs do ACCEPT, que, naquela altura, não conseguiam sentir a mínima falta de Udo Dirkschneider. Tal sensação se repetiu em “Pandemic” e “Zombie Apocalypse”, antes da primeira despedida do sexteto que precedia o já esperado bis.

O ACCEPT retornou para pôr a casa abaixo em definitivo com “Balls to the Wall” e “I’m a Rebel”, arrancando os últimos resquícios de voz que eu e a maioria do público ainda tínhamos. “Balls to the Wall” foi arrebatadora e, mesmo com o calor infernal em decorrência da superlotação do Carioca Club, conseguiu um efeito anestesiante que é muito raro em concertos do gênero. Antes da despedida, acenos, sorrisos e muitas lágrimas nos olhos dos bangers que agradeceram com muita reverência e respeito. Que não demorem a retornar.

Accept Setlist:

01. The Reckoning
02. Humanoid
03. Restless and Wild
04. Midnight Mover
05. London Leatherboys
06. Dying Breed
07. Overnight Sensation
08. Demon’s Night/Starlight/Losers and Winners/Flash Rockin’ Man
09. Breaker
10. Ravages of Time
11. Shadow Soldiers
12. Princess of the Dawn
13. Fast as a Shark
14. Metal Heart
15. Teutonic Terror
16. Pandemic
17. Zombie Apocalypse
18. Balls to the Wall
19. I’m a Rebel

Amalgama Setlist:

01. Proton (Intro)
02. Dark Lacroix
03. Mastermind
04. Amulang
05. Fight for Freedom
06. Brothers in Rock (Extented Intro)
07. Sping of My Life
08. Dark Night
09. Beat of Your Heart
10. Back to the 80’s

 
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