Ativa desde 2015, a HAMMER KING retorna com seu sexto registro de estúdio, “König Und Kaiser”, de maneira discreta e sem grandes alardes. Mantendo o seu híbrido entre Heavy Metal Tradicional e Power Metal — abordagem que remete diretamente ao que o HammerFall consolidou ao longo da década de 1990 —, desta vez o HAMMER KING promete avançar alguns passos, ao incorporar facetas menos óbvias à própria sonoridade. A dúvida que naturalmente surge é se essa tentativa de expansão realmente se sustenta. É isso que passo a analisar a seguir.
Confesso que cheguei pouco confiante ao receber “König Und Kaiser”, disponibilizado pelos parceiros da Napalm Records, sobretudo porque o Power Metal, nos últimos tempos, tem demonstrado escassa renovação criativa. Minha expectativa era encontrar um repertório previsível, sustentado por fórmulas já exploradas à exaustão e sem disposição real para sair do lugar-comum. Felizmente, desta vez, minha impressão inicial acabou sendo contrariada, o que já representa um mérito relevante dentro desse contexto.
Costumo não julgar um lançamento apenas pelo aspecto visual, embora, neste caso, a capa dialogue diretamente com um imaginário já bastante explorado, evocando texturas e camadas que o próprio HammerFall popularizou décadas atrás. Superada essa primeira impressão, é justo reconhecer que o HAMMER KING demonstra esforço concreto para apresentar algo diferente. Isso fica evidente logo na abertura, “Hailed by the Hammer”, que aposta em variações de groove dentro de uma base tradicional do Power Metal. A entrada é surpreendente e, admito, arrancou um sorriso sincero, justamente por fugir do caminho mais previsível.
Outro ponto alto aparece na track que batiza o lançamento, “König Und Kaiser”, claramente inspirada no Heavy Metal mais moderno do Dream Evil. A faixa ganha destaque pelas orquestrações discretas, porém muito bem encaixadas, responsáveis por adicionar um nível extra de sofisticação ao repertório. “Kings of Arabia”, situada no chamado “lado B” do full-length, também merece atenção especial. A inclusão de referências à música árabe, mesmo sem atingir o refinamento apresentado pelos turcos do Myrath, revela uma tentativa honesta de ampliar horizontes estéticos — e, na minha percepção, funciona de forma convincente.
O material foi registrado no Studio Greywolf e passou pela pós-produção no Hansen Studios, pertencente ao carismático Kai Hansen, conhecido por sua trajetória no Helloween e no Gamma Ray. O resultado final segue o padrão técnico atualmente encontrado nesse nicho: som limpo, bem equilibrado e profissional, ainda que distante de causar um impacto realmente marcante do ponto de vista da atual realidade do mercado.
Vale destacar que o HAMMER KING não deve ser colocado no mesmo rótulo de nomes que se limitam a reproduzir, de forma automática, as próprias influências. Dentro de suas possibilidades, o conjunto alemão demonstra empenho em entregar algo mais revitalizante para o Heavy/Power Metal. “König Und Kaiser” me agradou e cumpriu melhor seu papel do que eu imaginava inicialmente. Resta saber se, na sua avaliação, essa formação conseguiu de fato escapar do senso comum — deixo essa reflexão para você, leitor.