THE HEATHEN SCYTHE: The Heathen Scythe
Postado em 28/03/2024


Artista: The Heathen Scythe
País: Brasil
Álbum: The Heathen Scythe
Gravadora: Independente
Licenciamento: The Heathen Scythe
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2024

Fui apresentado à THE HEATHEN SCYTHE pela equipe de empresários do Bangers Open Air e, ao conferir rapidamente seus videoclipes — todos com produção impecável —, cheguei a imaginar que se tratava de uma formação escandinava. Ledo engano, meus amigos. O plantel é brasileiro e nasceu a partir da visão criativa do vocalista Da’at, que já possuía o nome bem consolidado na cena por conta do projeto Aclla. A impressão inicial, inclusive, revela o cuidado estético e a ambição artística desde o primeiro contato.

Em 2024, o sexteto disponibilizou de forma independente o seu primeiro EP, reunindo seis canções muito bem elaboradas, conectadas entre si e sustentadas por uma proposta bastante rica, sobretudo quando se observa o mercado nacional de maneira mais ampla. Homônimo, o disco apresenta uma diversidade tão grande de influências que se torna difícil enquadrá-lo em um subgênero específico. Por isso, prefiro partir da leitura de que a base criativa dialoga diretamente com o chamado Modern Metal, sem se limitar a rótulos.

Produzido pela própria THE HEATHEN SCYTHE, com mixagem e masterização assinadas por Lasse Lammert, o título chama atenção em diferentes frentes. Tanto no aspecto sonoro quanto no visual, The Heathen Scythe” surge como um lançamento extremamente consistente para quem aprecia descobrir novidades fora do circuito mais óbvio. A arte de capa — criada por Marcelo Vasco, guitarrista da The Troops of Doom e designer gráfico amplamente reconhecido — amarra todas as composições em uma apresentação visual que, por si só, já justifica a aquisição da edição física. É, sem exagero, um trabalho visualmente impactante.

Partindo para a análise das tracks, conforme já mencionado, cada uma aponta para um elevado nível de complexidade, reunindo diferentes nuances e referências. “Casting the Circle” abre o EP como uma espécie de introdução ritualística, conduzida por Da’at como se estivesse proclamando sua mensagem dentro de um culto profano. Esse caráter cênico — por vezes claramente dramático — atravessa todo o conteúdo apresentado e ajuda a construir uma atmosfera muito particular.

Na sequência, “The Heathen Scythe” surge como um dos grandes destaques do repertório, com arranjos e vocalizações que remetem aos momentos mais inspirados do Nevermore, entrelaçados a orquestrações que evocam os ingleses do Cradle of Filth. Confesso que, a partir desse ponto, minha percepção de imprevisibilidade cresceu ainda mais, especialmente quando surgem as inserções Folk no encerramento da canção. É uma mistura ousada, mas surpreendentemente coesa — daquelas que prendem a atenção do começo ao fim.

As experimentações seguem como a principal diretriz da bolachinha. Não me surpreendi, portanto, quando a introdução de “Welcome (to the Dead)” trouxe referências do Industrial, muito próximas das abordagens adotadas pelo Nu Metal quando esse movimento ganhou força nos anos 2000. A lógica de ruptura continua em “The Offering” e “Into the Fire”, sendo esta última a responsável pelo refrão mais marcante e melhor construído de todo o trabalho. Arrisco afirmar que “Into the Fire” tem tudo para se tornar presença constante nos shows dos paulistas daqui em diante — e, pessoalmente, considero um dos momentos mais fortes do EP.

“Spiral Dance – The Egregore” se conecta de forma natural com “Casting the Circle”, funcionando como o desfecho ideal para o ritual pagão concebido por Da’at e seus asseclas. Início, desenvolvimento e encerramento surgem muito bem definidos, como em narrativas literárias estruturadas por autores como Snorri Sturluson e Neil Price. Encerrando esta análise, afirmo, sem qualquer hesitação, que THE HEATHEN SCYTHE figura entre as mais relevantes descobertas nacionais que tive o prazer de acompanhar nos últimos tempos — uma estreia que merece atenção imediata de quem persegue com interesse os novos caminhos do Metal no país.

Formação:

Da’at (vocalista)
Hesed (guitarrista)
Netzah (guitarrista)
Yesod (baixista)
Hokhmah (tecladista)
Malkhuth (baterista)

Tracklist:

01. Casting the Circle
02. The Heathen Scythe
03. Welcome (to the Dead)
04. The Offering
05. Into the Fire
06. Spiral Dance – The Egregore

 
Categoria/Category: Reviews

TOP