A noite de 12 de agosto de 2026 entrou para a história do rock ao promover o reencontro de Ritchie Blackmore com o DEEP PURPLE, 33 anos depois de sua saída da formação. Durante a apresentação no Northwell at Jones Beach Theater, em Wantagh, Nova York, o guitarrista subiu ao palco ao lado de Ian Gillan, Roger Glover, Ian Paice, Don Airey e Simon McBride para executar “Smoke on the Water”, última faixa antes do bis. Ao término da performance, Blackmore e Gillan protagonizaram um abraço diante da plateia, em uma cena que simbolizou a reaproximação entre dois dos principais nomes da trajetória do grupo. Na sequência, o vocalista revelou que havia recebido uma mensagem do guitarrista propondo a participação especial e classificou o retorno do fundador como um momento de enorme satisfação.
A presença de Blackmore havia sido confirmada pelo próprio músico um dia antes, durante uma transmissão ao vivo no Instagram realizada ao lado de sua esposa, Candice Night. Segundo o guitarrista, a ideia surgiu em uma conversa com Gillan e previa uma intervenção restrita ao encerramento da apresentação, sem qualquer interferência no repertório principal. Antes do espetáculo, ele também contou que havia preparado sua Fender Stratocaster especialmente para a ocasião, incluindo a troca das cordas, procedimento que, segundo suas próprias palavras, não realizava havia mais de 25 anos. O músico ainda brincou com o porte do equipamento utilizado por Simon McBride, atual responsável pelas guitarras do DEEP PURPLE, e admitiu que, após tanto tempo, pretendia limitar sua participação a apenas uma composição. A princípio, Blackmore chegou a considerar “Highway Star”, mas Candice Night observou que a faixa já fazia parte da abertura do concerto, o que contribuiu para a escolha de “Smoke on the Water”.
O reencontro também encerra simbolicamente um longo intervalo iniciado em 1993. Blackmore havia retornado ao DEEP PURPLE em 1984, quando a formação conhecida como Mark II voltou a reunir Ian Gillan, Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice, resultando no álbum “Perfect Strangers”. O trabalho recolocou o conjunto em evidência internacional, mas as tensões internas reapareceram nos anos seguintes. Após a saída de Gillan em 1989 e a entrada de Joe Lynn Turner, veio “Slaves and Masters”, de 1990. Gillan posteriormente retornou para “The Battle Rages On…”, lançado em 1993, último registro de estúdio do DEEP PURPLE com Blackmore. A relação entre os dois músicos voltou a se deteriorar durante a excursão daquele ano, culminando no último espetáculo do guitarrista com o grupo, realizado em 17 de novembro de 1993, em Helsinque, na Finlândia. Joe Satriani assumiu temporariamente o posto para o restante da turnê, antes de Steve Morse se tornar o substituto definitivo. Depois disso, Blackmore retomou o Rainbow e, posteriormente, dedicou-se ao Blackmore’s Night, projeto formado com Candice Night e voltado à música de inspiração renascentista.
A escolha de “Smoke on the Water” acrescentou uma dimensão ainda mais significativa ao reencontro. A composição surgiu a partir do incêndio que destruiu o cassino de Montreux, na Suíça, em dezembro de 1971, durante um concerto de Frank Zappa. O DEEP PURPLE estava na cidade para trabalhar no material que posteriormente originaria “Machine Head” e acompanhou as consequências do episódio. Blackmore desenvolveu o célebre riff central, enquanto Roger Glover contribuiu para o título e Ian Gillan e Glover participaram da elaboração da letra inspirada nos acontecimentos. Mais de cinco décadas após sua criação, a mesma obra serviu como elo para reunir novamente Blackmore, Gillan, Glover e Paice em um palco. Aos 81 anos, o guitarrista havia planejado executar somente uma faixa, mas a escolha daquela composição transformou uma participação especial em um dos reencontros mais simbólicos da longa história do DEEP PURPLE.
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