Artista: Cannibal Corpse (Estados Unidos)
Evento: Pro Latin America Tour
Cidade/Estado/País: Fortaleza – Ceará – Brasil
Local: Complexo Armazém
Data: 08 de Maio
Ano: 2022
Produtora: Liberation
Se tem uma ramificação do Metal que eu idolatro é o Death Metal. Desde o seu surgimento e, principalmente, quando tive contato com o clássico “Cause of Death” do Obituary em 1990, que eu não parei de me aprofundar neste amplo universo artístico. Então, dentro deste gradativo processo de pesquisa, foi que cruzou no meu caminho os norte-americanos do CANNIBAL CORPSE.
Na ativa desde o final dos anos 1980, a banda capitaneada pelo virtuoso baixista Alex Webster e pelo baterista Paul Mazurkiewicz foi minha companheira em diversos momentos da vida, ao lado de nomes como Morbid Angel, Incantation, Immolation e o já citado Obituary. Desta maneira, nem preciso dizer que era um sonho de adolescência poder ver bem de perto esses caras atuando, não é verdade?!
E foi quando a empresa paulista Liberation Productions anunciou a nova vinda do CANNIBAL CORPSE ao Brasil, em total suporte ao excelente “Violence Unimagined” (2021), que meu interesse em participar desta empreitada se tornou prioridade máxima. Sendo assim, a cidade escolhida para esta cobertura exclusiva foi Fortaleza, capital cearense. Por questões de logística e geográficas, esta foi a opção mais viável, em detrimento de São Paulo, que sempre recebe uma infraestrutura mais adequada.
A equipe da The Ghost Writer Magazine chegou em Fortaleza na manhã de 8 de maio, no próprio dia da apresentação, que estava confirmada para ser sediada na casa de espetáculos Complexo Armazém. Localizado na região da Praia de Iracema, o ambiente funciona como uma espécie de espaço de eventos multifuncional, com capacidade para abrigar um público entre 2.000 e 3.000 pessoas. Ou seja, temos aqui, talvez, o melhor lugar para um projeto artístico deste tamanho.
A noite prometia bastante, mas quando chegamos ao Complexo Armazém, percebemos pouca aglomeração de fãs, o que por si só acendeu uma luz vermelha seguida de um sentimento de preocupação latente. Além disso, o setor voltado ao merchandising se limitava a apenas uma mesa com dois modelos de camisetas com preços inflacionados, como de costume. Desta vez deixei passar o souvenir e rumei para a frente do palco, que já estava com todo o backline montado, apenas aguardando a invasão de Webster & cia.
Com relativo atraso no cronograma pré-estabelecido, os pouco mais de 100 bangers presentes foram à loucura com a entrada de Mazurkiewicz, que distribuiu sorrisos e acenos antes de se sentar na sua bateria. Na sequência, Alex Webster (baixo), Rob Barrett (guitarra), Erik Rutan (guitarra) e George “Corpsegrinder” Fisher (vocal); um a um foram se encaminhando para as suas posições para iniciarem o ataque sonoro com “The Time to Kill is Now”, de “Kill” (2006), e “Scourge of Iron”, de “Torture” (2012).
Algo que me chamou a atenção foi o fato de não terem iniciado o set com a primeira do álbum da vez, “Murderous Rampage”, que, aliás, nem foi lembrada para constar na tour. De “Violence Unimagined”, apenas deram o ar da graça “Inhumane Harvest”, “Necrogenic Resurrection” e “Condemnation Contagion”; todas muito bem recebidas, já que elas contêm a assinatura clássica do CANNIBAL CORPSE. Entretanto, mesmo sabendo que a banda possui uma discografia vasta, senti falta de mais canções do novo título.
Na primeira parte do show eu me posicionei bem em frente a Rob Barrett e, desta forma, consegui também ficar muito próximo de Webster. É impressionante como o grupo está entrosado e o baixista, como de costume, dá uma verdadeira aula de execução no seu instrumento. Os dedos literalmente não param, subindo e descendo escalas com uma velocidade absurda. Quem nunca viu esse músico tocando, recomendo urgentemente assistir algo no YouTube. Já na segunda metade rumei para o outro lado para acompanhar Erik Rutan (Hate Eternal, ex-Morbid Angel), e para me referir a ele vou precisar de um parágrafo inteiro que segue logo abaixo.
Erik sempre foi uma referência para mim, devido à sua enorme discografia quando esteve inserido em núcleos de bandas que ajudaram a moldar o gênero. Poder vê-lo a pelo menos cinco metros de distância foi algo inesquecível. Pegada forte e extremo bom gosto para a execução de solos e riffs são elementos que o credenciam como um dos principais nomes do Death Metal mundial. Dentro deste aspecto, músicas como “Code of the Slashers”, a clássica “Fucked With a Knife”, de “The Bleeding” (1994), e “The Wretched Spawn” ganharam muito mais potência do que as suas versões originais de estúdio.
“I Cum Blood” foi outro destaque absoluto, apresentada após as ótimas “Gutted”, de “Butchered at Birth” (1991), e “Kill or Become”, de “A Skeletal Domain” (2014). E foi com a velha frase sempre proferida pelo vocalista Corpsegrinder, “This next song is about shooting blood from your cock!”, que o caos deathmetálico foi instaurado e a pista virou uma roda única, com quase todos que ali estavam participando dela. Grande momento para estar em Fortaleza.
Eu mal havia me recuperado da catarse causada por “I Cum Blood” e o CANNIBAL CORPSE passou por cima dos sobreviventes como um rolo compressor com as indispensáveis “Evisceration Plague”, do homônimo de 2009, “Death Walking Terror” e “Unleashing the Bloodthirsty”, esta última a minha preferida em “Bloodthirst” (1999). A verdade é que mal tivemos tempo de respirar, por estarmos diante de uma performance intensa e que tinha como máxima levar todos ao seu limite! Arrebatador!
Já nos aproximávamos do desfecho quando George anunciou “Devoured by Vermin”, que é uma das principais clássicas da sua fase e o ponto mais alto de “Vile” (1996). Juntamente com “A Skull Full of Maggots” e “Stripped, Raped and Strangled”, do melhor disco da era Chris Barnes, “The Bleeding” (1994), a trinca foi colocada propositalmente no desfecho para conseguir manter a audiência participando de toda a apresentação. E conseguiram! Quase uma hora e meia de espetáculo e era muito difícil ver alguém parado.
Antes de se despedir, o CANNIBAL CORPSE selou a sua passagem por terras cearenses ao som de “Hammer Smashed Face”, seu hino absoluto e que rompeu barreiras quando foi inserido no filme “Ace Ventura: Pet Detective” (1994), estrelado por Jim Carrey. A ligação pode parecer estapafúrdia, mas foi algo bem divertido de se ver quando a película foi disponibilizada. Voltando ao show, Corpsegrinder é conhecido por não ter mais pescoço de tanto que ele agita em cena, e naquele momento achei que a sua cabeça ia simplesmente cair diante de tanta energia desprendida. Brincadeiras à parte, acho bem difícil ter um frontman oriundo do Metal Extremo que supere este senhor.
Ao final de “Hammer Smashed Face”, na saída do Complexo Armazém, ainda trombei rapidamente com a banda entrando na van e este foi meu último momento com o CANNIBAL CORPSE. Apesar da pouca adesão de pagantes, mal sabia eu que sairia de Fortaleza amando ainda com maior intensidade um dos subgêneros mais bastardos do Metal mundial. Com um repertório que procurou ser democrático, englobando diversas fases da sua trajetória, o time entregou o que prometeu e elevou o seu nome ainda mais no conceito do brasileiro.
Cannibal Corpse Setlist:
01. The Time to Kill is Now
02. Scourge of Iron
03. Inhumane Harvest
04. Code of the Slashers
05. Fucked With a Knife
06. The Wretched Spawn
07. Gutted
08. Kill or Become
09. I Cum Blood
10. Evisceration Plague
11. Death Walking Terror
12. Necrogenic Resurrection
13. Condemnation Contagion
14. Unleashing the Bloodthirsty
15. Devoured by Vermin
16. A Skull Full of Maggots
17. Stripped, Raped and Strangled
18. Hammer Smashed Face
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