WINGS OF STEEL: Gates of Twilight
Postado em 19/05/2023


Artista: Wings of Steel
País: Estados Unidos
Álbum: Gates of Twilight
Gravadora: Independente
Licenciamento: Shinigami Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2023

Eu estava realmente com muita saudade de ouvir um álbum que fosse direto ao ponto no quesito Heavy Metal Tradicional. E a norte-americana WINGS OF STEEL entrega justamente isso no seu debut “Gates of Twilight”, sem qualquer tipo de constrangimento por se valer única e exclusivamente de todos os principais clichês do gênero, além de contar com um trunfo valiosíssimo: a potente voz de Leo Unnermark. É notório que o rapaz fez o dever de casa direitinho ao se aproximar bastante do estilo de Geoff Tate (ex-Queensrÿche), para se adequar a um direcionamento artístico que também não esconde a sua predileção pelos primeiros momentos do Queensrÿche, em especial o emblemático “The Warning” (1984).

Ao lado de Leo, o guitarrista Parker Halub completa o duo responsável por esta obra e acaba por revelar a sua posição de mastermind do projeto em cada detalhe do produto. Em “Gates of Twilight”, os arranjos de guitarra assumem papel fundamental para que o disco pavimente o seu caminho de manutenção do Heavy Metal fabricado nos anos 1980. O processo de emulação é tamanho que, em determinadas passagens, eu fiquei me perguntando se este full-length não tinha sido, na realidade, concebido no recorte temporal aqui mencionado como referência estética. Os timbres dos instrumentos e até os efeitos retrô aplicados na voz de Leo nos lembram o tempo todo que este material serve como uma espécie de tributo ao período mais romântico do Metal. E qual é o problema nisso tudo?! Para mim, nenhum! Porém, os que procuram constantemente por inovações vão se frustrar em demasia.

“Fall in Line”, a segunda faixa, agrada em cheio por abraçar o segmento e transborda orgulho ao fazê-lo. O solo inspirado de Halub dita o ritmo da canção, antes da chegada da sabática “Garden of Eden”, que despeja andamentos arrastados e alguns dos melhores arranjos vocais proferidos por Leo. Ela serviu como quebra na condução da tracklist, até a parcial retomada com a cadência de “Cry of the Damned”, que possui, provavelmente, o melhor refrão do repertório. Desta forma, caro leitor, você consegue perceber que a dupla se preocupou em variar as estruturas das suas composições? Pois é, a cada track que ia sendo revelada, novas características despontavam como sustentáculo criativo dentro da proposta.

A balada “She Cries” é outro dos destaques e nela é perceptível um efusivo aceno ao Judas Priest, mais precisamente pela similaridade com a clássica “Beyond the Realms of Death” de “Stained Class” (1978). Talvez os inoportunos torçam o nariz, mas o fato é que a WINGS OF STEEL não parece muito preocupada com a recepção deste ou daquele fã! O que transparece é que os músicos estão apenas compondo o que gostam ao deixar as suas respectivas veias artísticas fluírem, permitindo que a racionalidade estratégica quanto a possível aceitação ou não do mercado fosse completamente descartada. Se, de certa forma, isso é bem ousado e corajoso, de outra pode vir a colocar “Gates of Twilight” em um ambiente um tanto quanto inóspito.

A minha maior surpresa foi o contato que tive com a Blues Rock despojada da vertente Whitesnake, intitulada “Leather and Lace”. Apesar de soar deslocada, ela acabou colocando um tempero extra neste caldeirão repleto de elementos oriundos do Heavy Metal, Hair Metal, Glam e Hard Rock. E novamente Leo exibe o seu alcance, indo até notas altíssimas, beirando o exagero, mas que acaba funcionando ao imprimir altas doses de feeling para o ouvinte. Já a faixa-título se configura como sendo um Epic Doom, na linha de Sorcerer e Memory Garden, ainda que a fase de Ronnie James Dio no Black Sabbath continuasse permeando o meu imaginário durante a audição de todo o play. O que tinha tudo para não se conectar, de alguma maneira, acabou dando certo, talvez pelo entrosamento latente dos caras.

“Gates of Twilight” é finalizado com a épica “Into the Sun” e sua inclinação para melodias tradicionalistas, tão comumente escritas pelo Manowar. Não chega a empolgar, mas também não tira o certo brilho que foi fundamentado por músicas que demonstram respeito imensurável pelo movimento cultural que tanto amamos. No final das contas, a bolachinha soa mediana, entretanto, com o nível de qualidade técnica demonstrado tanto por Leo Unnermark quanto por Parker Halub, creio que possamos ser otimistas quanto ao futuro da WINGS OF STEEL.

Formação:

Parker Halub (guitarrista, baixista)
Leo Unnermark (vocalista)

Tracklist:

01. Liar in Love
02. Fall in Line
03. Garden of Eden
04. Cry of the Damned
05. She Cries
06. Lady of the Lost
07. Leather and Lace
08. Slave of Sorrows
09. Gates of Twilight
10. Into the Sun

 
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