VOLBEAT: God of Angels Trust
Postado em 06/06/2025


Artista: Volbeat
País: Dinamarca
Álbum: God of Angels Trust
Gravadora: Vertigo Records
Licenciamento: Indisponível
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2025

A dinamarquesa VOLBEAT conquistou um espaço definitivo no meu coração quando tive contato com “Seal the Deal & Let’s Boogie” (2016). À primeira vista, a ideia de misturar Thrash Metal, Rock N’ Roll, Rockabilly e pitadas de Punk Rock soava quase desastrosa, mas, na mente do seu criador, Michael Poulsen, essa combinação sempre pareceu fazer total sentido. Munido dessa convicção inabalável, o conjunto chega forte em 2025 com “God of Angels Trust”, reafirmando sua identidade e ampliando seu alcance.

A base conceitual permanece a mesma, embora seja perceptível que “God of Angels Trust” carrega uma densidade maior em comparação aos registros anteriores. Isso, no entanto, não diminui em nada o apelo comercial — muito pelo contrário. A força da VOLBEAT segue ancorada em riffs cativantes e refrãos de clara inclinação radiofônica. A sensação geral é a de estar diante de uma coleção de canções pensadas para grudar na cabeça: uma mais envolvente que a outra, sem exceções.

“Devils Are Awake” abre o repertório deixando claro que Poulsen decidiu pesar a mão. Com clima denso e referências evidentes de “For Whom the Bell Tolls”, da fase clássica do Metallica, a faixa já antecipa a tônica do álbum: intensidade rítmica caminhando lado a lado com melodias fortes, fórmula que ajudou o agora trio a se consolidar como potência. Em “By a Monster’s Hand”, essa lógica se intensifica, equilibrando bases de Thrash Metal com um refrão direto e extremamente assimilável. Funciona muito bem.

Michael Poulsen segue entregando uma performance segura, mantendo seu conhecido hábito de carregar as linhas vocais com vibratos prolongados. Longe de ser um defeito, esse traço já se tornou parte essencial da identidade do cara, algo evidente na emocional “Acid Rain” e na curiosa “In the Barn of the Goat Giving Birth to Satan’s Spawn in a Dying World of Doom”. Aliás, esta última merece destaque por quebrar paradigmas. Mesmo me considerando um headbanger conservador, acabei aceitando com naturalidade a inserção do trecho Country, o que resultou em um efeito surpreendentemente positivo e libertador.

Enquanto “Better Be Fueled than Tamed” resgata o flerte com o Punk Rock, “At the End of the Sirens” combina uma introdução de clara inspiração sabática — que certamente arrancaria um sorriso orgulhoso de Tony Iommi — com riffs que remetem diretamente à escola criativa de James Hetfield. O resultado é assumidamente desavergonhado e honesto. Esse espírito descompromissado faz parte do DNA da VOLBEAT e talvez seja justamente o que explica sua forte conexão com o público. Simplicidade bem escrita e bem executada costuma ser um atalho legítimo para o estrelato.

Também me deixei capturar pelo refrão angustiante de “Lonely Fields” e pela abordagem mais agressiva de “Enlighten the Disorder (By a Monster’s Hand Part 2)”. Ambas encerram “God of Angels Trust” sinalizando uma fase mais pesada, ainda que a essência do projeto tenha sido preservada e apenas readequada a esse novo momento criativo. O único ponto realmente frustrante fica por conta da ausência de uma edição física nacional, obrigando o público brasileiro a recorrer à importação — um detalhe que poderia ter sido melhor considerado.

Formação:

Michael Poulsen (guitarrista, vocalista)
Kaspar Boye Larsen (baixista)
Jon Larsen (baterista)

Tracklist:

01. Devils Are Awake
02. By a Monster’s Hand
03. Acid Rain
04. Demonic Depression
05. In the Barn of the Goat Giving Birth to Satan’s Spawn in a Dying World of Doom
06. Time Will Heal
07. Better Be Fueled than Tamed
08. At the End of the Sirens
09. Lonely Fields
10. Enlighten the Disorder (By a Monster’s Hand Part 2)

 
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