VELHO: Agregando a Podridão ao seu giro pelo país
Postado em 14/08/2025


Artista: Velho & Podridão
Evento: Velho & Podridão Tour
Cidade/Estado/País: Teresina – Piauí – Brasil
Local: Bueiro do Rock
Data: 14 de Agosto
Ano: 2025
Produtora: Ripping the Road

No nosso querido e amado Brasil, não podemos jamais admitir que uma quinta-feira seja um dia típico para shows, ainda mais quando falamos de eventos de cunho underground. Mas como nem sempre a regra é aplicada, fomos surpreendidos com uma data da turnê conjunta, que as bandas VELHO e PODRIDÃO estão realizando pelo país, em plena véspera do tal “sextou”.

Fiquei muito aliviado quando fomos informados, que a passagem dos caras pela capital piauiense, seria abrigada na tradicionalíssima casa de shows Bueiro do Rock. Digo isso porque conheço bem o local e, para projetos desse tamanho, é um lugar mais do que apropriado e de conhecimento geral do público. Ávido por uma oportunidade de presenciar algo do gênero, já que a carência nesta cidade predomina, não pensei duas vezes em ir fazer a cobertura exclusiva para este portal.

Agendado para as 19:00, fomos contemplados com um atraso de quase uma hora, o que acaba por chatear, principalmente quem já está habituado com a pontualidade britânica dos festivais europeus. Abstraindo a situação, fui passar o tempo nas mesas de merchandising, e lá acabei encontrando o baixista e vocalista da PODRIDÃO, além do baterista e do simpático líder do VELHO, Caronte.

A conversa com todos eles foi muito bacana, inclusive, traremos entrevistas exclusivas de ambas as bandas em breve para a The Ghost Writer Magazine. E foi durante a prosa que percebemos uma movimentação tímida no palco, com o início dos trabalhos da Döença, quarteto nascido em Teresina e que vem promovendo a recém lançada Demo “Emanações Infernais”.

O público ainda era muito pequeno quando o Black Metal começou a tomar conta do recinto. Com letras em português e pouca interação com os presentes, o grupo passou a sua mensagem de uma maneira muito direta, crua e até minimalista. Particularmente senti falta de um baixista, por colaborar contra o peso que as músicas exigiam. Não sei, ao certo, se os caras optaram pela não adição do instrumento ou se o responsável pelos graves estava impossibilitado de comparecer ao compromisso. O fato é que prejudicou e, espero imensamente que este aspecto seja revisto, visando a ascensão do seu desenvolvimento musical.

“Lamentos do Abismo” e a faixa-título, do referido registro discográfico inicial, foram os destaques de um set curto e que reservou surpresas com algumas inéditas, que provavelmente estarão nos próximos ataques sonoros dessa nova formação. Com o término da Döença, eu estava muito curioso para conferir a conterrânea Cadaverise, que já vem fazendo muito barulho no submundo desde 2009.

Não demorou muito para que a segunda atração tomasse para si o protagonismo, já com uma audiência maior do que a constatada anteriormente. Aqui vale apontar que o grupo não estava promovendo nenhum lançamento em específico, tendo em vista que seu último artefato se deu no ano de 2021, quando foi parido o Single “Forever In The Shadows”. Dito isto, a sua atuação consistiu em um apanhado de composições antigas, muito conhecidas pelos fãs, diga-se, e que teve o seu ápice com “Darkness Liberty” do debut “Code of Immorality” (2017), além do bem vindo cover do Vulcano “Will Live Forever”.

A PODRIDÃO veio na sequência trazendo na bagagem um histórico recente, balizado por uma bem sucedida turnê na Europa, que teve como ponto alto a sua participação no celebrado festival “Obscene Extreme”, na República Tcheca. E, foi quando o trio entrou em cena, que notamos o quanto estar constantemente na estrada pode fazer bem a uma banda. Conjunto afiado, entrosado e que vem adquirindo maturidade a passos largos com o seu Death Metal. Tudo isso é bem perceptível, até aos mais ignorantes.

“Coffin of the Corrupted Dead” é o seu mais recente álbum, lançado no Brasil pela Kill Again Records e, de tão novo que é, ainda não consegui escutá-lo como merecido. Mas o que posso dizer é que, o que tive contato até a produção deste texto, me soou como uma progressão natural do que fora apresentado no antecessor, “Cadaveric Impregnation” (2023). A análise do CD virá posteriormente, porém, voltando ao show em si, dele tivemos apenas “Dissolved into Viscous Ruin”, talvez pelo receio que os seus seguidores, ainda não tenham tido tempo de assimilar as demais do novo título.

A trinca composta por “Urban Cannibalism”, “Verminoses Faecalis” e “Cadaveric Impregnation”, do já mencionado “Cadaveric Impregnation”, foi a maior dos destaques. Não por acaso, as duas últimas finalizaram a participação da PODRIDÃO na ocasião, com todos os bangers abrindo rodas e interagindo com os músicos aos berros. Eu também gostei muito de “Tomb of Repugnant Stench” e “Bind, Torture, Kill”, ambas do Split com a Convulsive “Convulsively Rotteness” (2024).

O baterista Repugnant Fat é uma verdadeira máquina de guerra, com uma pegada e precisão incríveis. Acredito que ele foi o instrumentista que mais se beneficiou, com as constantes aparições que o power trio tem confirmado mundo a fora. “Chronic Gonorrhea” que o diga, já que está ainda mais brutal e violenta em sua versão ao vivo, se compararmos com o resultado obtido no álbum “Revering the Unearthed Corpse” (2020). Upgrade absurdo!

“Vingando as Bruxas”, disponibilizado em 2025 pela horda VELHO, é certamente um dos principais lançamentos do Black Metal nacional em 2025. E, foi carregando esta responsabilidade, que a banda recebeu os piauienses de braços abertos ao promover uma verdadeira viagem, conduzindo-os rumo a dimensão onde o oculto e o profano reinam soberanos, em pouco mais de uma hora de entretenimento metálico. O pessoal cativa com a sua personalidade, principalmente Caronte, que é um cara solícito, acessível e extremamente simpático.

Foram ao todo dezesseis músicas, que procuraram englobar a sua discografia, compreendendo os seus três álbuns de estúdio. “Retornando ao Caos Primevo”, primeira de “Vingando as Bruxas”, abriu caminho para que as também novatas “Destruindo os Mandamentos” e “Reunindo as Matilhas”, viessem na sequência. Já naquela altura, com poucos minutos de conteúdo apresentado, ficou claro que o novo disco terá a mesma importância dos anteriores, como “O Retorno da Mesma Lua” (2019) e “Decrepitude & Sabedoria” (2015), tamanha a aceitação da plateia.

Em determinado momento, Caronte nos apresentou a baixista do Miasthenia, Aletéa Cosso, substituindo o titular do posto, Rafael Lopes, que não pôde excursionar com seus companheiros. A moça segurou as pontas, demonstrando um entrosamento notável com o baterista Splatter. Por sinal, uma das melhores presenças em cena foi a desse indivíduo. Ao mesmo tempo que conduzia com velocidade absurda a rítmica das canções, não parava de bater cabeça e vociferar as letras em alto e bom som. Excelente!

Não pude deixar de notar a quantidade enorme de pessoas que cantava todas as músicas! Talvez o português ajude bastante para essa reação popular, mas o fato é que as construções são eficazes, moldadas para induzir o mais chato dos fãs ao headbanging. Eu mesmo fui pego com diversos movimentos involuntários com a cabeça, em sons como “Capela Negra”, “Círculo de Fogo”, “A Marca Invisível de Lúcifer”, “A Nova Onda Ocultista” e a clássica das clássicas “Satã Apareça!”.

“O Único Caminho” e “Mais um Ano Esfria” foram as últimas antes da despedida. Confesso que subestimei o potencial do VELHO on stage, mas o fato é que me diverti muito no decorrer de todo o curso da sua atuação. A proposta aqui é ir direto ao ponto, entregando o mais puro e orgânico Raw Black Metal que possa existir. Sim, é uma experiência de nicho e que, acredito, será melhor apreciada por quem já entende e consome o estilo. No meu teste, passou com louvor e muitas sobras!

Setlist Velho:

01. Retornando ao Caos Primevo
02. Destruindo os Mandamentos
03. Newton Misantropo
04. Reunindo as Matilhas
05. Renascendo pelo Ódio
06. Perto dos Portais da Loucura
07. A Mesma Velha História
08. Coma Induzido
09. Cadáveres & Arte
10. Capela Negra, Círculo de Fogo
11. A Marca Invisível de Lúcifer
12. A Nova Onda Ocultista
13. Alinhando Estrelas Mortas
14. Satã, Apareça!
15. O Único Caminho
16. Mais um Ano Esfria

Setlist Podridão:

01. Darkness Swallows the Light
02. Urban Cannibalism
03. Dissolved into Viscous Ruin
04. Tomb of Repugnant Stench
05. Bind, Torture, Kill
06. Chronic Gonorrhea
07. Regurgitate Hellish Maggots
08. Fucking Your Corpse
09. Your Body is the Tomb
10. Verminoses Faecalis
11. Cadaveric Impregnation

Setlist Cadaverise:

01. The Cadaver Will Rise
02. Church of Holy Lies
03. Hammer of Hell
04. Hail to Black Metal
05. Primitive Way To Death
06. Screams Beyond the Cemetery
07. Will Live Forever (Vulcano cover)
08. Darkness Liberty
09. Stench of Hell
10. Brutal Assault of Evil
11. Antichristian
12. Congregation
13. Time of Blasphemy
14. Profanizer

Setlist Döença:

01. Emanações Infernais
02. Lamentos do Abismo
03. Abyss Walker
04. Seita Extremista
05. Libra
06. Sob a Sombra Tenebrosa dos Tiranos
07. Luxúria Negra
08. Coroa de Escárnio
09. Agouro Caído
10. Caminhando Contra a Vida… Doença… Morte…

 
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