Após mais de trinta anos participando ativamente na cena, já ouvi de tudo um pouco! Ou seja, é muito raro que eu, no alto dos meus quarenta e oito anos, me impressione ou me vicie em algo que é lançado na indústria fonográfica atualmente. Pois bem, foi com esse posicionamento de ceticismo que conheci o segundo álbum da paulista TROVÃO, sabiamente intitulado “Diamante”. De fato, eu estava diante de um diamante bruto, que ainda precisa ser lapidado, mas que já esbanja personalidade, bom gosto nas harmonias e um vocalista que se vale do seu indiscutível carisma para entreter e, principalmente, reverenciar a saudosa década de 1980. Tanto na estética visual quanto musical, a TROVÃO se propõe a propagar, em pleno 2025, o que era elaborado no período mais romântico do Metal, saindo-se muito bem na empreitada. Fomos conversar com o vocalista Gustavo Trovão, que se mostrou extremamente simpático e solícito com a nossa equipe, para nos apresentar de maneira mais contundente os principais detalhes que cercam a sua banda.
The Ghost Writer Magazine: Foi meio que por acaso que conhecemos o trabalho da TROVÃO. “Diamante” (2025) nos foi apresentado pelo vocalista Lord Vlad, do Malefactor, como algo que não reinventa a roda, mas que presta homenagem aos anos mais românticos do Metal brasileiro. Ao ouvir o material, viciamos. Você tem acompanhado a mesma reação com o público em geral?
Gustavo Trovão: Na verdade, eu percebi uma boa repercussão desde o momento em que soltei as primeiras faixas, nas versões demo, no YouTube, em 2017. Estavam mal gravadas, mas, mesmo assim, recebi vários comentários positivos! Depois disso, eu me juntei com o pessoal, começamos a ensaiar e gravamos o “Prisioneiro do Rock N Roll”. Esse disco foi e continua sendo muito bem falado na cena, tendo como único ponto negativo a questão da duração, pois era um material muito curto. Quando elaborei o “Diamante”, acabei fazendo mais músicas, e as letras tinham que ser mais impactantes. Foi um processo de 2 anos, então trabalhamos duro para ficar do jeito que imaginamos e, desde quando ele foi lançado, tem sido muito bem falado, tanto no Brasil quanto no exterior.
The Ghost Writer Magazine: Como foi dito acima, “Diamante” é um resgate dos primórdios do Metal feito no Brasil, de nomes como Santuário, Centúrias, Vapor, Zona Abissal e o Overdose, na fase do EP “Século XX”, de 1985. O objetivo foi exatamente esse quando resolveram tirar o projeto do papel?
Gustavo Trovão: A ideia da TROVÃO nunca foi recriar a roda. Para falar a verdade, eu nunca quis inovar, então eu apenas juntei três estilos que já existiam (Heavy Metal Tradicional, Hard Rock e AOR). O nosso som transita o tempo todo por esses 3 estilos, e essa mescla, junto com as referências que temos, deu a identidade à TROVÃO. Tenho muitas influências de bandas nacionais, como Kamikaze, Harppia, Patrulha do Espaço, Platina… como também muita coisa que vem lá de fora.
The Ghost Writer Magazine: A Classic Metal Records, atual gravadora de vocês, nos informou que a primeira tiragem de “Diamante” esgotou bem rápido, assim como aconteceu com o debut “Prisioneiro do Rock ‘n’ Roll” (2021). Como vocês avaliam o engajamento que a TROVÃO vem adquirindo em tão pouco tempo?
Gustavo Trovão: A procura pelo material foi muito grande, tanto aqui no Brasil quanto lá fora. A questão da “barreira” da nossa língua, que existiu por muitos anos no exterior, está cada vez menor. Recebo mensagens toda semana, de outros países, perguntando sobre o material e elogiando o trabalho da TROVÃO.
The Ghost Writer Magazine: A produção de “Diamante”, conduzida por Rodrigo Toledo, é tão fidedigna ao que era lançado nos anos oitenta que o ouvinte mais desavisado vai realmente acreditar que o material é, de fato, da época mencionada. Como se deu o processo de produção para que vocês tenham conseguido tal sonoridade?
Gustavo Trovão: A produção é tão importante quanto a própria composição. Ela tem que conversar e trazer toda a atmosfera sonora que as músicas merecem. O produtor é como se fosse o sétimo membro da banda, pois ele tem que estar inserido naquele contexto e extrair o máximo de nós e dos instrumentos. E ele conseguiu! Houve uma grande preocupação em destacar todos de forma equilibrada, e chegamos muito próximos dos timbres que tínhamos como referência. Bandas como Ratt, Dokken e King Kobra, no auge dos anos 80, foram usadas como um norte para a produção.
The Ghost Writer Magazine: Acredito que o fato de as músicas serem todas em português esteja ajudando o público brasileiro a se conectar mais rápido com a banda. Você concorda com essa afirmativa? Existe alguma chance de termos a TROVÃO compondo algo em inglês no futuro?
Gustavo Trovão: Concordo plenamente! Traz muito mais conexão, mesmo. Nas poucas apresentações que fizemos, conseguimos notar o público cantando todas as letras de forma visceral! As letras em português fazem parte da identidade da banda e, por isso, não vamos cantar em inglês.
The Ghost Writer Magazine: O figurino da banda é algo que também chama a atenção. Quando vi as suas fotos promocionais, meio que me vi fazendo uma viagem no tempo, quando o Metal era mais colorido e espalhafatoso. Como vocês enxergam a importância desse tipo de direcionamento para o crescimento da marca TROVÃO?
Gustavo Trovão: Na minha visão, o visual da banda é tão importante quanto o som, pois tudo anda junto. Quando eu pego algum material de banda que eu não conheço e vejo que ela não se preocupa com visual, confesso que nem dá vontade de conhecer. Meu primeiro contato com o Heavy Metal, quando eu era criança, foi pelo visual, antes de escutar o som.
The Ghost Writer Magazine: “Preso ao Passado” é uma música muito forte e, não por acaso, ela abre “Diamante” de maneira bem pujante. Acredito que tenha sido fácil escolhê-la para introduzir o ouvinte ao disco, estou certo? Qual a crítica que está incutida em sua letra?
Gustavo Trovão: Para a abertura do disco, eu queria uma faixa com uma introdução memorável, com riffs marcantes e que soasse de forma explosiva! A letra fala de uma pessoa que está presa nas correntes do passado e que não consegue olhar para frente, não enxerga novas possibilidades, novos caminhos. Está totalmente ligada nas lembranças de algo que passou e não vai mais voltar. Quem nunca passou por isso? Desde o primeiro momento em que fiz a composição, eu sabia que “Preso ao Passado” seria a faixa de abertura.
The Ghost Writer Magazine: A faixa “Seres da Noite” é outro ponto alto e foi até lançada como single no formato de compacto em vinil. Por qual razão escolheram-na para apresentar essa nova fase da TROVÃO para os fãs?
Gustavo Trovão: Na verdade, “Seres da Noite” é uma faixa que eu fiz no final de 2018. Ela quase entrou no primeiro disco, e eu estava ansioso para lançá-la de alguma forma, tendo em vista que ia demorar para lançar o disco “Diamante”. Ela é a faixa mais AOR da TROVÃO e, nessa versão do compacto, é retirada de uma pré-produção, além de ter sido inserida uma introdução de teclado que deu um destaque a mais.
The Ghost Writer Magazine: Eu me identifiquei bastante com “Até o Fim”, já que ela tem o transtorno de ansiedade como tema central. Sofro desse mal há muitos anos, e ver a forma positiva com a qual vocês lidaram com o assunto soou revigorante para mim. A sua letra partiu da necessidade que o seu compositor teve de externar alguma experiência pessoal com o problema?
Gustavo Trovão: De uns tempos para cá, eu tenho buscado trazer temas reais e cotidianos para as letras. Eu cheguei a conviver de perto com pessoas que passavam por crises de ansiedade e, por sinal, muita gente se identificou com essa letra! De todas as músicas da TROVÃO, essa é a mais ouvida, e acredito que seja pela mensagem que passa.
The Ghost Writer Magazine: O melhor refrão do disco é, sem sombra de dúvidas, da música “Trovão”. Como ela vem sendo recebida nos shows da banda? Quais outras canções vocês têm sentido que serão obrigatórias daqui por diante, nas suas aparições ao vivo?
Gustavo Trovão: A faixa “Trovão” tem bastante influência da escola do Heavy Metal da Alemanha com AOR. Ela veio de sobras de uma banda anterior que eu tive antes de montar a TROVÃO, e posso afirmar que gosto muito dessa música também! É uma faixa obrigatória nos shows, e o pessoal curtiu demais na nossa última apresentação. A nossa ideia é tocar o disco todo nos próximos shows.
The Ghost Writer Magazine: A arte da capa, composta por Alexandre Gatti, segue a estética retrô que é característica de tudo que cerca a banda. Como vocês avaliam o resultado obtido pelo profissional?
Gustavo Trovão: O resultado ficou exatamente como imaginamos! O Alexandre Gatti conseguiu transmitir todo o sentimento da época através da sua arte em aerografia. Ele trouxe de volta a nostalgia de capas como a da coletânea “SP Metal” e de bandas como Patrulha do Espaço e Alta Tensão. A arte da capa se alinha ao som e ao nosso visual, porque tudo deve andar junto.
The Ghost Writer Magazine: Voltando ao disco, “Olhos da Cidade” me passou a sensação de ser uma das mais comerciais dentre todas. Quais as chances de ela ou de outras canções ganharem versões audiovisuais?
Gustavo Trovão: Sim, é a “power ballad” do disco, uma das faixas de que eu mais gosto. Fala de um homem que perdeu tudo, não confia em ninguém e não fala com ninguém. Ele se mantém andando pela cidade e pensando que está sozinho, porém nós nunca estamos mais sozinhos. Estamos sendo vigiados vinte e quatro horas por dia através das câmeras da cidade, smartphones etc. Estamos estudando a possibilidade de fazer um videoclipe no ano que vem, mas ainda não decidimos qual será a faixa.
The Ghost Writer Magazine: No último mês de setembro, a banda lotou as dependências da Burning House, localizada na capital paulista. Quais as lembranças daquela noite e como foi retornar aos palcos com casa cheia?
Gustavo Trovão: Com certeza, uma noite inesquecível! Recorde de público na casa, muita gente que veio de todos os lugares de São Paulo e de outros estados para prestigiar nosso trabalho, e só tenho a agradecer! Foi realmente emocionante ver tanta gente agitando e cantando! Isso não vai sair da nossa memória.
The Ghost Writer Magazine: Gustavo, mais uma vez agradecemos o seu tempo e simpatia em nos atender. Nestas considerações finais, gostaríamos que você também nos descrevesse quais são os planos futuros da TROVÃO, ok?
Gustavo Trovão: Eu que agradeço a oportunidade! São veículos como a The Ghost Writer Magazine que ajudam a espalhar e fortalecer a arte do Heavy Metal! A TROVÃO vai fazer mais um show neste ano e, em 2026, teremos outras apresentações. Em seguida, vou começar o processo de composição para o próximo material, então continuem acompanhando as novidades nas nossas redes sociais.
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