TÖHIL: House of Ordeals
Postado em 24/04/2026


Artista: Töhil
País: Brasil
Single: House of Ordeals
Gravadora: Independente
Licenciamento: Indisponível
Versão: Digital
Ano de Lançamento: 2026

Eu me considero um pesquisador nato quando o tema central é a cena extrema do meu amado Brasil. Vez ou outra, acontece de encontrar algo que comumente não apareceria no meu radar, o que demonstra quão rica é a nossa realidade no país. E é dentro desta premissa que o interior da Bahia, mais precisamente a cidade esquecida de Euclides da Cunha, nos revelou o seu filho mais bastardo e que atende pelo nome de TÖHIL. Após o achado, obviamente, fui pesquisar a fundo sobre os caras e descobri que eles estão prestes a lançar o seu primeiro full-length.

Praticante de um Death Metal sombrio, mórbido e fortemente embasado na cultura mitológica maia e no universo de Xibalba, descrito com maior profundidade no livro sagrado “Popol Vuh”, o quarteto nos entregou a faixa-título do seu vindouro álbum de estreia, “House of Ordeals”, que demonstra a força e a personalidade de músicos que querem conquistar o seu espaço entre os maiores do Metal Extremo brazuca. E não é exagero afirmar que o grupo conseguiu chamar a minha concorrida atenção, já que a maturidade da composição, aliada a uma estética bem próxima à dos norte-americanos do Nile, são ingredientes que não podem ser negligenciados.

A produção soa orgânica e passa longe de ser o principal aspecto positivo da track, infelizmente. Na realidade, o que mais se sobressai é a preocupação do guitarrista e compositor Marcos Augusto em entregar riffs que se conectassem com todo o conteúdo proposto na letra, que tem como epicentro as casas de tortura criadas pelos Senhores da Morte. E é justamente aí que podemos afirmar que a TÖHIL está para os maias, assim como o Nile está para os egípcios. Quando existe esse esmero para que as estruturas estejam bem fechadas, com todos os detalhes interligados, a coisa toda vai para outro patamar. Animador!

“House of Ordeals” propõe variações rítmicas interessantes para que não haja qualquer linearidade incômoda. Desta forma, temos aqui passagens mais lentas e intimistas intercaladas com outras rápidas, escoradas nos bate-estacas do baterista Athayde Neto, que também participou da elaboração dos arranjos das seis cordas. Um verdadeiro elenco jogando a favor da própria música, e isso fica extremamente evidente, resultando em um prognóstico positivo que apenas incentiva a continuidade dos meus trabalhos arqueológicos no submundo.

Formação:

Humberto Amorim (vocalista)
Marcos Augusto (guitarrista)
Júnior Moreira (baixista)
Athayde Neto (baterista)

Tracklist:

01. House of Ordeals

 
Categoria/Category: Short Reviews

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