THE HEATHEN SCYTHE: Levando ao mundo o seu Post-Apocalyptic Pagan Metal
Postado em 16/04/2025


A THE HEATHEN SCYTHE foi formada em 2022 com uma proposta musical moderna, pujante e que evidencia temas como o paganismo e o ocultismo para fundamentar, de uma maneira muito clara, o que se convencionou a chamar de “Post-Apocalyptic Pagan Metal”. Relativamente nova na cena, a banda lançou em 2024 o seu primeiro EP homônimo, muito bem recebido por fãs e mídia especializada, e agora foi confirmada como uma das atrações brasileiras do Bangers Open Air 2025. Fomos conversar com o vocalista Da’at, para conseguirmos entender quais os fundamentos para a criação deste projeto, que nasceu sobre as cinzas da promissora Aclla.

The Ghost Writer Magazine: Olá Da’at, obrigado pelo pronto atendimento à nossa solicitação para este bate-papo. Vamos começar do início. Por qual razão você finalizou a banda Aclla para reiniciar a sua carreira com a THE HEATHEN SCYTHE?

Tato Deluca (Da’at): No Aclla, eu havia trabalhado com duas formações completamente diferentes, que geraram dois álbuns com direcionamentos musicais muito distintos. Quando eu estava remontando a banda novamente e querendo levar o direcionamento musical, mais uma vez, para outro lugar, percebi que aquilo não fazia sentido. Preferi desmanchar o Aclla e começar uma banda nova, a qual eu poderia fixar uma mesma formação para todos os álbuns e, principalmente, criar uma identidade musical e visual próprias. Então, foi neste ímpeto de começar do zero que resolvi formar a THE HEATHEN SCYTHE.

The Ghost Writer Magazine: Escutei o EP homônimo e ele é bem difícil de ser classificado neste ou naquele segmento. Eu prefiro dizer que estamos diante de uma banda moderna, mas que nada mais é do que um grupo que tem o Metal como epicentro criativo. Como você definiria a sonoridade da THE HEATHEN SCYTHE?

Tato Deluca (Da’at): Quando me perguntam, eu prefiro chamar apenas de Metal, mas, quando lançamos o EP, sabendo que não era um estilo “definível”, optamos por nomear baseados no conceito e na temática das letras, chamando de Post-Apocalyptic Pagan Metal. Alguns veículos internacionais compraram o rótulo, mas, nas resenhas do EP, acabaram criando novos, como Dark Symphonic Industrial Metal etc. Na verdade, o som tem as afinações e a produção do Metal moderno, mas todos os músicos vêm do Metal clássico e do Power Metal (apesar de evitarmos deixar isso evidente). E, na hora de compor, realmente colocamos elementos tanto de sinfônico quanto de industrial, especialmente nos teclados. Na verdade, a gente está criando uma identidade nossa e passamos dois anos compondo dezoito músicas que faziam parte desta identidade. Este ano, voltamos a compor músicas novas, e elas continuam mantendo e expandindo a mesma identidade, então acho que cumprimos o objetivo.

The Ghost Writer Magazine: “The Heathen Scythen” é bem variada, moderna e repleta de momentos mais “operísticos”. Em algumas passagens, ela me remeteu ao Nevermore, principalmente pelo seu timbre ser parecido com o do saudoso Warrel Dane (ex-Nevermore, Sanctuary). Acredito que ela represente bem quem vocês são. Como você a avalia?

Tato Deluca (Da’at): Vejo a música-título como uma canção bem experimental. Ela foi uma das primeiras, se não a primeira, que compus para a nova banda, então eu estava testando muita coisa, tanto na parte instrumental quanto nos vocais. Eu busquei fazer vozes diferentes que eu não fazia antes no Aclla, usei muito megafone, vocais mais interpretados, com cara de musical, alguns agudos meio King Diamond, guturais, gritos do público e um refrão bem Pop, que lembra um pouco a forma antiga que eu cantava. No final, eu peguei um pouco da brasilidade que usei no “Pindorama” (segundo álbum do Aclla) e criei aquele final mais ritualístico. Então, a mistura de todos esses elementos acabou criando os pilares do caminho que poderíamos ir em termos de composição. Mas, claro que não nos restringimos apenas a isso. Ouvindo as outras músicas do próprio EP, já dá para perceber que as outras composições tentam expandir as diretrizes que criamos nessa primeira canção.

The Ghost Writer Magazine: O videoclipe de “The Heathen Scythen” é quase um curta-metragem, extremamente bem desenvolvido. Para os que não tiveram contato com o material da banda, qual a mensagem que vocês querem passar com o roteiro apresentado?

Tato Deluca (Da’at): Nesse clipe, quisemos trazer o conceito por trás do EP, na verdade, uma segunda camada do conceito. Vamos sempre dividir a mensagem em camadas. Na primeira camada, você tem as letras das músicas, que individualmente são feitiços e evocações, mas, quando são colocadas em ordem, formando um álbum, trazem um conceito mais amplo, que é o do ritual. Todas as músicas do EP formam um ritual. Mas, em termos da história da seita, o conceito de que viemos do futuro pós-apocalíptico, era fundamental que precisássemos começar a contar essa história logo de cara. Usamos o clipe dessa música para mostrar a fundação de uma sociedade secreta em 1887, ao mesmo tempo em que, no passado, eles estão em um casarão, prontos para fazer o primeiro registro fotográfico da ordem. Enquanto isso, no nosso futuro, estamos tentando tomar o corpo daquelas nossas encarnações passadas, por meio da viagem no tempo. Durante o clipe, várias coisas que fazemos no futuro refletem no passado, fazendo com que fenômenos paranormais ocorram. Por fim, conseguimos transferir as consciências e deixamos uma prova no passado de que somos viajantes do tempo, aquela foto antiga em que aparecemos com nossas roupas do futuro. É difícil de entender apenas vendo, mas teve uma pessoa, não me lembro de qual país, que resenhou o clipe e conseguiu entender tudo. Fiquei completamente impressionado com o poder de interpretação dos fãs (risos).

The Ghost Writer Magazine: Já “Welcome (To the Dead)” nos mostra outra faceta da banda, ao inserir elementos de música eletrônica. O que mais me chamou a atenção é que a sonoridade é muito complexa, mas está tudo muito bem conectado. Você concorda com minha afirmativa? Como se dá o trabalho de composição de vocês?

Tato Deluca (Da’at): Acho que faz parte dessa viagem no tempo do passado para o futuro. Originalmente, a ideia da “Welcome (To the Dead)” era ser uma música bem Black Sabbath, um Doom/Stoner bem clássico. Quando vimos para onde a coisa estava indo, incumbi nosso tecladista, o Flávio, de trazer o elemento industrial para esse som. Então, isso acabou tomando o protagonismo no começo da música, daí aproveitei para trazer de volta o megafone também. Quando chegamos no segundo verso, aquela ideia de manter a brasilidade veio à tona, e colocamos o baixo e a bateria em ritmo de baião. Após o segundo refrão, a intenção inicial da música, de ser uma coisa bem Black Sabbath, volta com aquele riff que antecede o solo. Escolhemos fazer o primeiro solo ser um tema de teclado, que funcionou muito bem, e depois de uma parte C bem Iron Maiden, saímos com solos de guitarra em dueto, entregando tudo que queríamos em uma música de Metal tradicional, retornando para o tema inicial no final. Acho que deu para entender como nossa cabeça funciona para compor, né? A música vai se transformando e, de repente, virou aquilo (risos).

The Ghost Writer Magazine: A que mais gostei na obra foi “Into the Fire”, principalmente porque ela possui grooves muito bem construídos. Outro ponto alto é o seu refrão, que já cai mais para o lado comercial! Você acredita que essa variação de referências estéticas é o segredo para a funcionalidade de faixas como essa?

Tato Deluca (Da’at): Eu gosto muito de músicas que surpreendam. Estamos em 2025 e o Metal existe há quase sessenta anos, então praticamente tudo já foi feito. Por esse motivo, acho muito difícil me ver compondo algo que tenha pouca variação ou nenhum elemento surpresa. O momento “pop”, que por vezes acaba sendo o refrão das músicas, é um ingrediente muito importante nas nossas composições, pois queremos tocar nas rádios. Só que a gente contrabalanceia isso com riffs bem “maldosos” e um clima bem pesado. A “Into the Fire” foi a que mais deu trabalho para juntar as partes, e ela não estava fazendo sentido até compormos a “The Offering”, que é sua introdução natural. Depois que definimos as três notas de “The Offering” como o tema principal e o seu riff pesado, a ideia foi executar as duas coisas ao mesmo tempo, formando o verso da “Into the Fire”. O baixo faz o riff, enquanto as guitarras fazem o tema, e eu fiz uma linha de canto completamente diferente. Isso resolveu o verso, que, de longe, estava sendo a parte mais difícil de criar dessa música, já que todo o resto estava pronto. Aí deu certo, e ficamos com duas músicas superamarradas.

The Ghost Writer Magazine: “Into the Fire” também recebeu um videoclipe com um altíssimo nível de produção. O que você pode nos contar sobre os bastidores deste trabalho, em específico?

Tato Deluca (Da’at): “Into the Fire” foi nosso primeiro clipe. Isso colocou um peso muito grande em cima do que iríamos entregar! Era a apresentação da banda para o mundo, então não podíamos chegar mostrando algo ruim, mas, ao mesmo tempo, tínhamos um conceito tão complexo e tanta coisa para falar sobre a banda, que decidimos começar aos poucos. Primeiro, a ideia era mostrar a cara da banda, os figurinos, uma música bem direta e acessível, por isso optamos por essa, inclusive. Colocamos altares, alguns elementos que resgatamos nos clipes futuros, como o Cubo de Metatron, a foto antiga da banda, mas não fizemos questão de explicar nada nesse clipe. Era aquilo lá, uma banda diferente, teatral, com um monte de fogo explodindo, tocando uma música bem direta e dizendo: “chegamos”.

The Ghost Writer Magazine: Outro aspecto que precisa ser mencionado é a preocupação que vocês demonstram com o lado visual da banda. De onde veio a inspiração para o figurino?

Tato Deluca (Da’at): Quando comecei a montar a banda do zero, a primeira coisa que fiz foi pesquisar o que estava dando certo no mundo, quais eram as bandas que estavam estourando no Metal. Afinal de contas, para o Aclla, eu tinha uma cabeça de quem parou de ouvir qualquer coisa nova no começo dos anos 2.000. Tive que me atualizar 15 anos em tudo que aconteceu na música pesada no mundo e foi aí que percebi um movimento muito forte, principalmente na Europa, de bandas com figurino. A coisa estava indo para um lado mais teatral, e a banda nova que estava estourando muito no momento era a Ghost. Aí foi fácil olhar para o Brasil e ver que ninguém estava preocupado com isso, ficando evidente o buraco no mercado que tínhamos por aqui. Essa percepção aconteceu na mesma época em que eu estava buscando, sem rodeios, uma forma de poder cantar sobre religiões pagãs e ocultismo do mundo todo, sem ser julgado pelos povos que seguiam essas práticas originalmente.

The Ghost Writer Magazine: Qual o objetivo de vocês por seguir este caminho, que é tão inusitado em termos de Brasil?

Tato Deluca (Da’at): Como vou cantar sobre Odin para um norueguês? Sobre Endovelicus para um português? Sobre Zalmoxis para um romeno? Minha preocupação em ter “autoridade” para falar sobre reconexão, justamente com o paganismo das suas terras para os povos de diversos países, foi criando o conceito de que viemos de um futuro pós-apocalíptico, em que a humanidade destruiu a Terra e podemos, com nossa experiência, trazer essa mensagem de maneira global. Nossa referência de pós-apocalíptico era “Mad Max”, então fui atrás das empresas que produziram figurino para o “Mad Max: Estrada da Fúria” e fechei com uma delas para produzir as roupas para a banda. O objetivo com isso é que quem assista ao nosso show não esqueça nunca, tire fotos, coloque nas redes, se impressione, e, por enquanto, estamos conseguindo. Queremos incrementar isso muito mais.

The Ghost Writer Magazine: A THE HEATHEN SCYTHE é uma das atrações confirmadas na edição 2025 do Bangers Open Air. Qual a sua expectativa para este show em específico? O que vocês prepararam para os fãs para esta apresentação?

Tato Deluca (Da’at): Esse show vai ser importante! Vamos filmar coisas que com certeza serão usadas para clipes ao vivo no futuro. Vamos interagir com as bandas de que somos fãs há anos, preparar o melhor show dentro do que estiver ao nosso alcance e explorar todas as portas que se abrem ao tocar em um evento desse porte. O show já está ensaiado e pronto, então vamos ver o que conseguimos incrementar até lá.

The Ghost Writer Magazine: Ainda estamos no primeiro semestre de 2025, mas acredito que, após o Bangers Open Air, a banda deverá cair na estrada de forma mais contundente. Quais os planos da THE HEATHEN SCYTHE para este ano?

Tato Deluca (Da’at): Estamos buscando agendar turnês tanto no Brasil quanto fora ainda este ano. Esse é um passo importante. Em São Paulo, continuaremos tocando em festivais e, eventualmente, em alguma abertura de banda que tenha sinergia de público com a gente.

The Ghost Writer Magazine: Novamente venho agradecer a você, Da’at, pela simpatia com a qual conduziu este bate-papo. Este momento agora é seu para as suas considerações finais…

Tato Deluca (Da’at): Eu que agradeço a oportunidade e pelas excelentes perguntas. Gostaria de convidar todos que estão lendo a seguir a banda em suas redes sociais, no nosso canal do YouTube, que em breve terá novidades, e a ouvir nossas músicas no Spotify. Muita coisa vai acontecer nos próximos meses, estamos com um disco pronto para lançar e muitos singles e clipes estão por vir, fiquem ligados!

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Categoria/Category: Entrevistas

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