SIMONE SIMONS: Vermillion
Postado em 23/08/2024


Artista: Simone Simons
País: Holanda
Álbum: Vermillion
Gravadora: Nuclear Blast Records
Licenciamento: Shinigami Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2024

Vinte e um longos anos após o lançamento do debut da Epica, “The Phantom Agony”, a belíssima cantora lírica SIMONE SIMONS resolveu dar um passo importante ao investir em uma recente carreira solo, tendo no álbum “Vermillion” o seu capítulo inicial. Para concretizar essa empreitada, a artista se uniu ao experiente multi-instrumentista Arjen Anthony Lucassen (Ayreon), promovendo uma junção muito coesa entre dois universos distintos, mas claramente conectados às trajetórias de ambos.

Em um primeiro momento, confesso que foi difícil me desvincular da Epica, até porque a voz de Simone naturalmente pede um direcionamento mais clássico e melodioso. Por pouco não considerei a obra desnecessária, já que não tolero quando artistas partem para uma iniciativa solo apenas para reproduzir aquilo que já executam em seus projetos principais. Felizmente, quem acaba “salvando” o conteúdo é justamente Lucassen, ao incorporar em “Vermillion” diversos recursos da música eletrônica, além de doses bem calibradas de peso e versatilidade, perceptíveis em faixas como “In Love We Rust” e, sobretudo, “Weight of My World”.

O viés Progressivo se mostra cada vez mais evidente conforme as canções avançam. Uma a uma, torna-se fácil identificar o estilo peculiar de composição de Lucassen se sobrepondo, ainda que as interpretações da ruiva não se distanciem em nada do que ela já apresentou ao longo de sua carreira na Epica. Se esse aspecto previsível pode vir a incomodar ouvintes menos entusiastas, certamente levará os fãs da cantora ao êxtase; afinal, o alto padrão de qualidade é algo inegável.

O que mais me chamou a atenção em “Vermillion” foi aquele já conhecido clima sci-fi que Lucassen aprecia e que marca presença constante em seus registros com o Ayreon. Nesse sentido, vale destacar a excelente “The Core”, que apresenta frases vocais bastante inusitadas, combinadas ao uso de guturais masculinos, criando um contraponto recorrente e eficaz com a suavidade do timbre de Simone. Já “Dystopia” segue por um caminho mais cadenciado, trazendo doses generosas de peso e dos já mencionados elementos eletrônicos, resultando em algo realmente interessante.

“R.E.D.” desponta como outro ponto alto, sendo a mais experimental do repertório — talvez por isso tenha sido a que mais me prendeu neste primeiro contato com o disco. Lucassen ousa ao inserir passagens de Stoner, mescladas ao Progressivo e a momentos de vanguarda proporcionados por camadas sintéticas. Um verdadeiro primor de composição. Por sua vez, “Dark Night of the Soul” encerra o CD com uma atmosfera neoclássica conduzida ao piano, evidenciando mais uma grande interpretação de Simons. Ainda que seja a track que mais se aproxime do universo da Epica, isso em nenhum momento soou frustrante ou desconfortável.

Fica claro que Simone encontrou em Lucassen o parceiro ideal para tentar se distanciar, ao menos parcialmente, do que vem desenvolvendo ao lado do colosso holandês há mais de duas décadas. E, dentro do possível, o objetivo foi alcançado, mesmo sendo improvável ignorar que ali estão o rosto e a voz de uma das principais referências do Symphonic Metal mundial. Não acredito que seus seguidores torçam o nariz ou estranhem o conteúdo de “Vermillion”, até porque tudo foi cuidadosamente dosado para dialogar com seu público fiel e, ao mesmo tempo, atrair novos ouvintes curiosos por meio das experimentações propostas.

Formação:

Simone Simons (vocalista)
Arjen Anthony Lucassen (tecladista, guitarrista, vocalista)

Tracklist:

01. Aeterna
02. In Love We Rust
03. Cradle to the Grave
04. Fight or Flight
05. Weight of My World
06. Vermillion Dreams
07. The Core
08. Dystopia
09. R.E.D.
10. Dark Night of the Soul

 
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