SETEMBRO NEGRO FESTIVAL: O Coração Negro do Underground volta a Bater em 2025
Postado em 31/08/2025


Essa história começa lá em 2002, quando o empresário Eduardo Lane, à frente da Tumba Produções, decidiu arregaçar as mangas e dar vida ao que viria a se tornar o principal e mais longevo festival dedicado ao Metal Extremo já realizado neste país. De lá para cá, muitos capítulos foram escritos e, em 2025, um novo momento dessa trajetória se apresenta. Para nossa satisfação, será a primeira vez que a The Ghost Writer Magazine marcará presença, realizando uma cobertura exclusiva dessa empreitada que ajudou a moldar parte significativa da cena pesada nacional.

Quando a grade desta edição foi divulgada, reunindo nomes como Watain, Incantation, Primordial, Power Trip, Triptykon e Candlemass na programação, ficou evidente que era o instante ideal para também fazermos parte dessa história. A decisão vai além da cobertura jornalística: trata-se de fortalecer o ideal do evento e, sobretudo, contribuir para a valorização do underground brasileiro como um todo. Sim, estaremos presentes e acompanhando de perto os três dias de celebração.

Ao todo, serão trinta atrações representando o que há de mais relevante na música pesada atualmente, com vinte e uma estrangeiras e nove nacionais, distribuídas entre os dias 5, 6 e 7 de setembro, conforme lista completa e horários ao final da matéria. As apresentações acontecerão em dois palcos distintos, Maioral e Infernal, funcionando de forma alternada, o que permitirá conferir praticamente todos os artistas sem conflitos de agenda.

A Vip Station será a casa do SETEMBRO NEGRO FESTIVAL nesta edição, contrariando as previsões que indicavam a continuidade da parceria com o Carioca Club. Localizada em Santo Amaro, São Paulo, a nova sede conta com cerca de 2.000 m² e capacidade para até 3.500 pessoas. Informações indicam estrutura de som e iluminação de alto nível, além do uso de painéis de LED modernos em ambientes independentes. O cenário, portanto, parece ideal para garantir uma experiência intensa e confortável aos headbangers presentes.

A sexta-feira terá início um pouco mais tarde, por se tratar de um dia útil, e concentrará o menor número de apresentações. Poderia ser encarada como um “esquenta”, nos moldes de outros festivais, mas a produção descarta essa definição. No Infernal, a brasileira Necrofilosophy divide espaço com Vermin Womb, dos Estados Unidos, e The Crown, da Suécia, formando um bloco focado na predominância do Death Metal. Já no Maioral, a expectativa recai sobre Thulcandra, Primordial e Agalloch, três nomes que despertam enorme interesse e prometem performances intensas.

A The Crown, com seu Death Metal típico de Estocolmo, tem tudo para deixar o recinto em ruínas. Sou fã declarado há muitos anos e a chance de ouvir ao vivo as composições do recente “Crown of Thorns” aumenta ainda mais a ansiedade. Primordial e Thulcandra também não ficam atrás, especialmente esta última, frequentemente vista como uma resposta alemã ao legado do Dissection, de Jon Nödtveidt. Já a Agalloch surge como possível surpresa da noite, com uma sonoridade experimental que transita entre Atmospheric Folk, Doom, Black Metal e Post-Rock, despertando curiosidade imediata.

O sábado promete ser um verdadeiro impacto sonoro, mesmo para os mais experientes. Parte da redação acompanha de perto a trajetória dos baianos da Leprovore, o que garante presença maciça em frente ao palco para conferir seu Death Metal old school, com letras inspiradas em filmes de horror gore. No encerramento do Infernal, os norte-americanos do Incantation assumem a posição de protagonista com autoridade. Referência absoluta do Death Metal raiz, o quinteto mantém viva a essência sulfúrica do estilo. O recente “Unholy Deification” (2023) foi rapidamente alçado ao status de clássico pela mídia especializada e deve ocupar lugar de destaque na execução ao vivo.

No Maioral, a Imprecation trará ao público brasileiro suas novas criações, extraídas do EP “Vomitum Tempestas”, distribuído mundialmente em fita cassete, reforçando o caráter tradicional da proposta. A expectativa coletiva também envolve Macabre e Overkill, este último substituindo o Watain, impossibilitado de comparecer por motivos de força maior. A troca manteve o nível elevado, embora, pessoalmente, eu tenha sentido a ausência dos suecos, já que o Overkill tive a oportunidade de assistir anteriormente.

O Macabre não apresenta novidades desde “Carnival of Killers” (2020), mas sua mescla peculiar de Thrash, Death Metal e Grindcore segue cativando admiradores desde 1985. Já a 1349 chega embalada por “The Wolf & the King” (2024), um registro que evidencia maturidade e evolução perceptíveis em cada riff e base. Trata-se, sem dúvida, de uma das representantes do Black Metal que mais evoluíram nos últimos tempos, o que eleva ainda mais a ansiedade para vê-los de perto, especialmente o vocalista e guitarrista Archaon.

O domingo começará mais cedo, pensando em quem precisa trabalhar no dia seguinte. Às 13h30, no Infernal, a Morkalv, ligada à MS Metal Agency Brasil, levará seu Black Metal caótico ao público. Fica a dica: cheguem cedo, pois “An Ancient Cult to the Aesir” figura entre os lançamentos mais relevantes do Metal negro e pagão nacional de 2023. Na sequência, a Orthostat promete elevar o nível técnico com “The Heat Death” (2023), explorando temas ligados ao cosmos e civilizações antigas. Duas apresentações nacionais de peso.

Ainda no Infernal, a Nervochaos, liderada pelo baterista e produtor Edu Lane, e os gregos do Varathron encerram as atividades no referido palco em 2025. Enquanto a primeira segue promovendo “Transmogrified Epiphany” (2024) em turnês praticamente ininterruptas, o Black Metal helênico dominará o ambiente com faixas de “The Crimson Temple” (2023). Como admirador confesso da escola grega, não escondo que essa é uma das participações que mais despertam minha expectativa.

No Maioral, o veterano The Mist, comandado pelo carismático Vladimir Korg, promete revisitar sua trajetória com um repertório focado nos clássicos de “The Hangman Tree” (1991). A alemã Darkened Nocturn Slaughtercult também chama atenção, mesmo sem novidades desde 2019. As performances intensas de Onielar, ex-Bethlehem, costumam ser visualmente impactantes, com forte carga cenográfica, garantindo uma representação à altura do Black Metal nesta edição.

O Power Trip, eternizado na figura do saudoso Riley Gale, finalmente fará sua estreia em território nacional após um período de incertezas sobre sua continuidade. Para os apreciadores do Thrash Metal, é um momento aguardado há anos. Já os amantes do Doom terão motivos de sobra para comemorar com a presença dos próprios pais do Epic Doom Metal, Candlemass, dividindo o posto de co-headliner com Tom Warrior e seu Triptykon. Além dos clássicos de “Nightfall” (1987), fica a expectativa por uma homenagem a Ozzy Osbourne com “Sabbath Bloody Sabbath”, presente no EP “Black Star” (2025).

O Triptykon, aliás, merece atenção especial. Sob o comando de Thomas Gabriel Fischer, o retorno ao país virá acompanhado de um repertório dedicado exclusivamente ao Celtic Frost. Traduzir em palavras a emoção desse momento será um desafio quando publicarmos nossa análise final. Canções como “Circle of the Tyrants”, “Morbid Tales”, “Dethroned Emperor” e “Suicidal Winds” falam por si. A promessa é de algo verdadeiramente memorável.

Com o histórico consistente da Tumba Produções ao longo de tantos anos, acredito que a principal preocupação do público será apenas uma: aproveitar intensamente cada apresentação e celebrar algumas das mais representativas expressões do Metal Extremo mundial.

Para adquirir seu ingresso, basta clicar aqui.

5 de setembro

Palco Infernal:
18:30 – 19:00 – Necrofilosophy (Brasil)
20:10 – 20:50 – Vermin Womb (EUA)
22:10 – 22:00 – The Crown (Suécia)

Palco Maioral:
19:10 – 20:00 – Thulcandra (Alemanha)
21:00 – 22:00 – Primordial (Irlanda)
23:10 – 00:30 – Agalloch (EUA)

6 de setembro

Palco Infernal:
14:30 – 15:00 – Necromantticu (Brasil)
15:50 – 16:20 – Leprovore (Brasil)
17:20 – 17:50 – Féretro (Brasil)
18:50 – 19:30 – Bütcher (Bélgica)
20:35 – 21:15 – Primitive Man (EUA)
22:25 – 23:15 – Incantation (EUA)

Palco Maioral:
15:10 – 15:40 – Wisdom (Paraguai)
16:30 – 17:10 – Imprecation (EUA)
18:00 – 18:40 – 1349 (Noruega)
19:40 – 20:25 – Coven (EUA)
21:25 – 22:15 – Macabre (EUA)
23:25 – 00:35 – Overkill (EUA)

7 de setembro

Palco Infernal:
13:30 – 14:00 – Morkalv (Brasil)
14:50 – 15:20 – Escafism (Brasil)
16:10 – 16:40 – Orthostat (Brasil)
17:40 – 18:15 – Tyranex (Suécia)
19:20 – 20:00 – Nervochaos (Brasil)
21:10 – 22:00 – Varathron (Grécia)

Palco Maioral:
14:10 – 14:40 – The Mist (Brasil)
15:30 – 16:00 – Ash Nazg Búrz (México)
16:50 – 17:30 – Darkened Nocturn Slaughtercult (Alemanha)
18:25 – 19:10 – Power Trip (EUA)
20:10 – 21:00 – Candlemass (Suécia)
22:10 – 23:20 – Triptykon toca Celtic Frost (Suíça)

 
Categoria/Category: Matérias

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