Por Matheus Alba Constantin
Nota: 09.0/10.0
O guitarrista paulista RICKY DE CAMARGO apresenta em “Beast Mode” um trabalho que reafirma sua posição entre os instrumentistas mais técnicos da atualidade no Brasil. O disco evidencia uma abordagem fortemente ancorada no Fusion, mas sem abrir mão de inserir elementos consistentes do Metal, criando uma ponte direta com públicos distintos. Nesse sentido, admiradores de Kiko Loureiro (ex-Angra, Megadeth) encontrarão pontos de identificação imediata, sobretudo pela combinação entre virtuosismo, senso melódico e agressividade controlada.
Entre os destaques do álbum, as faixas “An Endless Journey” e “There You Have It” se sobressaem como os momentos mais técnicos e diversificados da obra. Ambas exploram mudanças rítmicas, variações harmônicas e dinâmicas complexas, funcionando como vitrines da capacidade composicional de Camargo. São composições que exigem atenção do ouvinte e recompensam com riqueza de detalhes a cada nova audição.
Embora “Supernova” venha sendo amplamente destacada pela imprensa especializada no Brasil, é em “Tales from Oblivion” que o álbum encontra sua síntese mais representativa. A faixa concentra os principais elementos que definem o disco, equilibrando técnica, atmosfera e construção estrutural, tornando-se um ponto de convergência da proposta instrumental apresentada ao longo do trabalho.
A arte de capa cumpre seu papel estético com eficiência, apresentando um resultado visualmente interessante e bem executado. No entanto, poderia ter sido enriquecida com a inserção de informações adicionais por parte de um designer, sobretudo considerando a crescente saturação da linguagem visual baseada em inteligência artificial no mercado atual, o que acaba reduzindo o impacto diferencial do material.
A produção, assinada pelo próprio RICKY DE CAMARGO, é um dos pontos mais sólidos do álbum. O músico demonstra domínio não apenas como instrumentista, mas também como produtor, entregando um resultado coeso, limpo e tecnicamente refinado. Trata-se de um indicativo claro de que o cara possui potencial para expandir sua atuação, podendo assumir trabalhos semelhantes com outras bandas e artistas solo. Destaca-se ainda a participação da baterista Giovana Teixeira, cuja performance agrega precisão e energia às composições, principalmente na faixa-título.
Não por acaso, RICKY DE CAMARGO figura entre os principais nomes de uma das mais relevantes gravadoras do Brasil na atualidade. “Beast Mode” é um trabalho que demonstra fôlego, consistência e potencial de longevidade, reunindo atributos suficientes para ultrapassar fronteiras. Diante desse conjunto, a expectativa é de que o guitarrista alcance com urgência o mercado internacional, ampliando o alcance de uma obra que ainda tem muito a oferecer. Vamos torcer…
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