Quando Abbath anunciou sua saída do line-up do IMMORTAL, em meados de 2009, para seguir uma carreira solo que se mostrou bem-sucedida, confesso que acreditei estar diante do fim definitivo da banda. Ledo engano. O letrista e mentor do projeto, Demonaz, ao lado do baterista Horgh, não apenas manteve a chama acesa como confirmou, em 2018, a chegada de “Northern Chaos Gods”. Naquele momento, ficou clara a decisão — e que decisão acertada — de retomar o direcionamento estético dos velhos clássicos, escolha imediatamente celebrada pelos fãs.
“War Against All” (2023), capítulo mais recente dessa trajetória, funciona como uma continuação natural de “Northern Chaos Gods”. Entretanto, apresenta um repertório mais variado em termos rítmicos, tornando a sonoridade do IMMORTAL menos previsível. Não há mal-entendido aqui: a agressividade característica do seu Black Metal permanece intacta, como evidenciam a faixa-título e “Thunders of Darkness”. Ainda assim, a cadência ganha um protagonismo bem-vindo, perceptível em “Return to Cold”, que adiciona dinamismo ao conjunto da obra.
Demonaz segue se afirmando como um compositor de alto nível. Mesmo sem dividir o palco com seus antigos companheiros, manteve-se ativo na criação de riffs e bases, além de jamais abrir mão de assinar letras que carregam a grandeza conceitual do IMMORTAL. Esse músico, sem margem para contestações, foi peça-chave na construção do cenário da música extrema em Bergen, posteriormente reconhecido em âmbito mundial como um movimento cultural sólido e influente.
O grande mérito de “War Against All”, na minha percepção, está na habilidade de unir elementos das duas fases do IMMORTAL sem soar artificial. É nítida a presença das bases gélidas que marcaram “Battles in the North” (1995), agora combinadas a uma abordagem mais pesada e atual, próxima do que se ouviu em “Damned in Black” (2000). Exemplos claros disso aparecem em “Wargod”, cuja espinha dorsal é sustentada por arranjos de bateria pulsantes, entregando um dos momentos mais fortes do disco.
“No Sun” surge como outro ponto alto, evocando a mesma aura sombria de “Pure Holocaust” (1993). A track se inicia com blast beats intensos e, aos poucos, desemboca em um mid-tempo capaz de arrancar headbangings até dos fãs mais contidos. Já “Nordlandihr” adiciona uma camada de imprevisibilidade ao LP: trata-se de um épico com quase 8 minutos, totalmente instrumental. A ausência de vocais não compromete o seu impacto; pelo contrário, a estrutura extensa se justifica plenamente e jamais soa gratuita ou inflada.
Gravado em Bergen, na Noruega, nos estúdios Earshot & Conclave, “War Against All” surge como a resposta mais convincente para quem, assim como eu, acreditava que o IMMORTAL havia perdido relevância. Arrisco dizer que a fase pós-Abbath soa mais coesa e revigorada. Com pouco menos de 40 minutos, o material entrega sua mensagem de forma direta e incontestável. Vida longa a Demonaz e respeito máximo por sua atuação contínua dentro do underground.