Artista: Putrid Impetus
País: Brasil
Álbum: Fatal Necrotic Ecstasy
Gravadora: Rotten Foetus Productions
Licenciamento: Rotten Foetus Productions
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2025
A arqueologia nunca foi o meu forte, nem na época em que eu era um jovem universitário. Contudo, hoje a proposta aqui é escavarmos juntos até encontrarmos as entranhas do nosso underground. E qual seria a outra maneira de conhecermos algo tão obsceno quanto a PUTRID IMPETUS, se não fosse com um trabalho de submersão absoluta? Pois então, dito tudo isso, eis que vos apresento o seu álbum de estreia, o curtíssimo “Fatal Necrotic Ecstasy” (2025), lançado no país pela Rotten Foetus Productions.
A proposta vai direto ao ponto e, com pouco mais de vinte minutos, “Fatal Necrotic Ecstasy” nos revela ser um título que se encaixa perfeitamente no gênero do Brutal Death Metal. Logo de cara, o demérito da bolachinha fica ligado à sua curta duração! Quando você menos espera, o disco já acabou e temos que retornar à primeira faixa, a introdução “Enter the Gory Morgue”. Ou seja, temos um ponto que me incomodou bastante, apesar de eu ter gostado muito das outras sete músicas propriamente ditas.
Se, por um lado, a duração acendeu uma baita luz vermelha, por outro ela permitiu que a minha audição não fosse cansativa. Tal aspecto acabou colaborando para a fácil assimilação das estruturas musicais apresentadas, que são bem variadas, diversificadas mesmo. Mas que fique claro: a pancadaria é o mote de toda a concepção da obra, contudo, não para por aí! Desta forma, podemos atestar um híbrido de andamentos que conta com passagens rápidas, outras lentas e até certos momentos de groove, como encontrados em “Inebriating Degradation of the Flesh”.
O visual dos caras segue o que já foi feito por nomes como Autopsy no “Severed Survival” (1989) e, principalmente, pela espanhola Haemorrhage. Se você ainda não entendeu, basta imaginar os atores da série “Plantão Médico” (1994), só que em uma versão gore, doentia e com sangue por todo o lado. Tudo a ver com o som, que exige algo bem próximo dos filmes thrash de terror dos anos 1980. E, por falar neles, o quarteto utiliza o velho clichê de se apropriar de trechos dessas películas para ajudar na construção de toda a climática. Previsível, porém sempre bem-vindo quando bem utilizado.
Não tenho como deixar passar incólume a atuação do vocalista Alba, que se mostra bem versátil, destacando-se ao mesclar e flertar com grunhidos de porcos sendo estuprados aos já tradicionais guturais. O músico sabe distribuir bem tais estilos de canto, de uma forma que não sature o ouvinte, respeitando sempre o que as composições pedem. Tenho plena consciência de que, sem o bom senso e percepção desse indivíduo, tracks como “Chronic Obstructive Pulmonary Disease” e “Fatal Necrotic Ecstasy” não ostentariam o impacto que possuem. E o mesmo pode ser dito da derradeira “Dreadful Palate”, que é detentora de riffs dissonantes e denota uma certa tonalidade experimental.
A PUTRID IMPETUS começou sua jornada em 2023, na capital paulista, e já partiu direto para o full-length sem lançamentos prévios. Um passo arriscado, mas que revela a segurança desses quatro senhores, que têm plena consciência de seus respectivos potenciais quando a conversa cai no âmbito da música extrema. Não à toa, temos aqui dois membros da veterana Pile of Corpses: o baterista Pinguim e o já mencionado Alba. Taí a explicação do porquê a PUTRID IMPETUS soa tão maturada desde seus primórdios.
Formação:
Alba (vocalista)
Marcelo (guitarrista)
Jabu (guitarrista)
Raphomet (baixista)
Pinguim (baterista)
Tracklist:
01. Enter the Gory Morgue (Intro)
02. Chronic Obstructive Pulmonary Disease
03. Fatal Necrotic Ecstasy
04. Fetor Hepaticus
05. Inebriating Degradation of the Flesh
06. Visceral Soliloquy
07. Demented Obscure Desires
08. Dreadful Palate
Notícia mais antiga: ROTTING CHRIST: Reencontro Vital com o Black Metal Helênico »






