PRIMAL FEAR: Domination
Postado em 05/09/2025


Artista: Primal Fear
País: Alemanha
Álbum: Domination
Gravadora: Reigning Phoenix Music
Licenciamento: Valhall Music
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2025

O Heavy Metal alemão sempre exerceu influência clara sobre outros mercados da música pesada ao redor do mundo. Iron Angel, Rage, Warlock e, sobretudo, o Accept mantiveram a face mais tradicional do gênero em evidência ao longo das décadas, desde os anos 1980. Foi nesse amplo caminho aberto por seus predecessores que o PRIMAL FEAR surgiu em 1997, promovendo o encontro entre o excelente vocalista Ralf Scheepers (ex-Gamma Ray) e o experiente Mat Sinner (Sinner), figura já consolidada no baixo.

Com o passar do tempo, a trajetória foi sendo construída com fonogramas consistentes, permitindo um diálogo direto entre a escola germânica e influências vindas do Reino Unido, especialmente o jeitão ortodoxo do Judas Priest. No início, as comparações com o Priest eram bem mais evidentes, mas esse fator perdeu intensidade com a chegada de “Domination” (2025). A maturidade adquirida ao longo da carreira pesa bastante nesse distanciamento, assim como a inclusão de traços do Power Metal e discretos acenos ao Hard Rock de apelo mais comercial.

O último disco do PRIMAL FEAR que acompanhei com real entusiasmo foi “New Religion” (2007), o que torna este reencontro ainda mais curioso. Desde então, confesso que não havia mergulhado em um novo capítulo do quinteto, hoje composto pelos guitarristas Magnus Karlsson e Thalìa Bellazecca, pelo baterista André Hilgers e pelos já citados Scheepers e Sinner. Esse time mostra, na prática, estar vivendo um ápice criativo raro, já que “Domination” desponta como um dos produtos mais sólidos do estilo dentro de um recorte temporal considerável.

A produção ficou a cargo de Jacob Hansen, em seu estúdio na Dinamarca, com envolvimento direto de Scheepers e Karlsson em todas as etapas. Isso ajuda a explicar por que o resultado soa tão satisfatório. A sonoridade preenche o ouvido, e se destaca em meio a tantos títulos genéricos despejados nesse microcosmo específico. Admito que adquiri a versão nacional do CD, licenciada pela Valhall Music, sem qualquer tipo de expectativa. E a surpresa foi grande, daquelas boas mesmo.

A primeira metade do full-length começa com impacto e empolgação em “The Hunter” e “Destroyer”, sustentadas por aquela pegada germânica que o grupo domina com segurança. Ambas cumprem bem o papel de introduzir o ouvinte a este novo compilado, preparando o terreno para os dois pontos mais altos do repertório: “Far Away” e “I Am the Primal Fear”. A primeira entrega o melhor refrão do trabalho, com traços claros do Power Metal associado a nomes como Gamma Ray e Helloween. Já a segunda soa mais encorpada e usa o próprio nome da banda em uma construção altamente cativante. Para quem costuma ser impaciente, vale até começar por essas duas.

A suíça Melissa Bonny, conhecida por liderar o Ad Infinitum, participa da balada “Eden”. Sua presença foi pensada para dialogar com o timbre poderoso de Scheepers, formando uma combinação que remete aos grandes duetos do segmento. Trata-se de uma canção inspirada, bem distante da instrumental “Hallucinations”, que a antecede e pouco acrescenta ao material. Outros momentos de destaque incluem “Crossfire”, com refrão fácil de memorizar, a pesada “March Boy March” e o fechamento inesperado com “A Tune I Won’t Forget”. Esta última foge completamente do que se espera do PRIMAL FEAR, ao trilhar um direcionamento neoclássico sustentado pelo violoncelo, sobre o qual Ralf explora tons mais graves com elegância.

Eu realmente não esperava nada de “Domination” e acabei recebendo um dos álbuns de Heavy Metal mais prazerosos que ouvi ao longo da minha caminhada como banger. Pode parecer exagero? Talvez. Ainda assim, passei a audição inteira com um sorriso estampado no rosto, principalmente durante “Far Away” e “I Am the Primal Fear”. Em 2025, o PRIMAL FEAR revela-se mais sóbrio do que nunca e demonstra ter fôlego para seguir entregando registros que não apenas evitam a saturação do cenário, como também agregam valor real a ele.

Formação:

Ralf Scheepers (vocalista)
Magnus Karlsson (guitarrista)
Thalìa Bellazecca (guitarrista)
Mat Sinner (baixista)
André Hilgers (baterista)

Tracklist:

01. The Hunter
02. Destroyer
03. Far Away
04. I Am the Primal Fear
05. Tears of Fire
06. Heroes and Gods
07. Hallucinations
08. Eden
09. Scream
10. The Dead Don’t Die
11. Crossfire
12. March Boy March
13. A Tune I Won’t Forget

 
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