PERSEVERA: confira entrevista exclusiva com a banda paulista
Postado em 21/11/2025


– Atualmente a PERSEVERA faz parte do cast da MS Metal Agency Brasil. Como tem sido essa parceria até aqui?

R: A parceria com a MS Metal Agency tem sido excelente e fundamental para nós. Entramos em contato com eles quando estávamos com duas faixas faltando para fechar o “Genesis” e procurávamos alguém para cuidar do lançamento físico no Brasil. Eles apresentaram uma proposta justa, transparente e alinhada com nossos objetivos de longo prazo. Desde então, o CD físico ganhou uma distribuição muito boa no underground brasileiro, estamos aparecendo em lojas especializadas, e eles têm nos ajudado bastante na divulgação e no contato com a imprensa. É uma relação de respeito mútuo e que tem dado frutos – inclusive já estamos conversando sobre o lançamento físico do segundo álbum.

– O álbum “Genesis” foi lançado e confesso que já esperava por algo assim vindo de vocês. Qual a razão para terem gravado esse material nesta fase da carreira?

R: Na verdade, o “Genesis” não foi algo que decidimos gravar “agora”. Ele é o resultado de um processo que começou muito antes da banda existir como tal. Entre 2015 e 2020 eu acumulei 25 músicas completas só de guitarra usando loop station em casa. Quando terminei a 25ª, senti que não podia mais deixar aquilo só no quarto: precisava gravar de forma profissional. Aí chamei o Paulo (meu primo), ele trouxe o Thadeu, o Thadeu trouxe o Claudio… e o que era pra ser “só gravação” virou banda de verdade. Ou seja, o “Genesis” tinha que sair primeiro porque era o material que já estava pronto há anos – era o nosso DNA desde o primeiro riff.

– Eu particularmente acho o som da banda incrível, mas gostaria de saber como vocês se enxergam, como se rotulam. Onde vocês acham que a banda se encaixa no mercado atual?

R: Nós nos vemos basicamente como uma banda de Heavy Metal – ponto. Tem NWOBHM forte (Maiden, cedo Helloween), tem peso dos anos 90 (Iced Earth, Metallica, Slayer), tem pitadas de Power e Thrash, e em alguns momentos até uns elementos mais modernos ou progressivos que vão aparecendo naturalmente. Não gostamos de ficar presos num subgênero só, porque isso limitaria a criação. No mercado atual achamos que ocupamos aquele espaço do heavy metal honesto, riff-based, feito por quem realmente ama o estilo – nem retrô puro, nem moderno demais. É o tipo de som que quem curte as clássicas dos anos 80/90 entende na hora, e quem está chegando agora também consegue conectar.

– Como tem sido a recepção dos fãs com relação ao álbum “Genesis”?

R: Tem sido acima de qualquer expectativa que a gente tinha. Recebemos mensagens do Brasil todo e de vários países (Argentina, Alemanha, EUA, Indonésia…) elogiando os riffs, a produção, as letras. Muita gente dizendo que sentiu verdade no som, que parece uma banda que já tem estrada. Para um debut de banda totalmente independente isso é surreal e nos dá ainda mais gás para o segundo álbum.

– Os planos da banda envolvem apenas o lançamento de Singles e EPs ou um novo álbum está previsto no planejamento de vocês?

R: Já estamos com o segundo álbum full-length em fase avançada de gravação (8 das 12 faixas já estão prontas). Seguimos a mesma estratégia que deu certo no primeiro: vamos lançando single por single (já saíram “Broken World” e “To the Unknown”, com clipes) até fechar o disco completo, que deve sair em 2026. Álbum completo é o nosso formato preferido – single é só a forma de manter a banda ativa o tempo todo.

– “A Waste of Time” é outra música de peso da PERSEVERA. Vocês já apresentaram essa música nos shows? Como o público tem reagido e como se deu seu processo de composição?

R: Ainda não tocamos ao vivo oficialmente (o foco total até agora foi estúdio), mas “A Waste of Time” já está 100% ensaiada e vai entrar com certeza no setlist dos primeiros shows. Ela nasceu de um riff bem thrash/pesado que eu tinha guardado há anos no loop station. A letra veio como um desabafo sobre ciclos repetitivos, coisas que a gente sabe que não levam a lugar nenhum mas insiste. O contraste entre a letra reflexiva e a agressividade musical foi intencional – acho que é uma das que mais empolga a galera quando ouvem.

– Imagino que vocês continuam compondo em estúdio. No geral, como funciona internamente este trabalho com vocês?

R: No primeiro álbum tudo começava comigo mandando as bases de guitarra já prontas. No segundo álbum o processo ficou bem mais colaborativo com a entrada dos guitarristas Leandro e Luiz: eles trazem solos, harmonias, sugestões de arranjo que mudam bastante a cara das músicas. O fluxo costuma ser: eu trago o riff/estrutura básica → Claudio cria e grava a bateria → eu gravo guitarras base → Thadeu improvisa o baixo (ele é mestre nisso) → Leandro e Luiz entram com leads e harmonias → Paulo grava os vocais por último. É um processo orgânico, mas com todo mundo contribuindo de verdade.

– Como vocês enxergam o mercado fonográfico em 2025? Ainda existem espaços para bandas como a PERSEVERA?

R: O maior desafio hoje é manter a atenção do público, pois há uma oferta imensa de conteúdo, e tudo parece muito descartável. No entanto, acreditamos que nunca foi tão acessível lançar música e alcançar pessoas do outro lado do mundo, e a cena underground de Metal no Brasil é muito forte e fiel. Sim, há espaço para bandas novas, mas é preciso perseverança, consistência e entregar um trabalho de qualidade e com identidade própria.

– Geralmente, a banda trabalha com algum produtor externo? Pergunto isso, porque a maioria dos artistas que entram em contato conosco, preferem concentrar a produção neles próprios…

R: Nós optamos por nos auto produzir. Todo o processo, desde a gravação até a mixagem e masterização, foi realizado no estúdio do nosso baterista, o Claudio Lima. Seguir por este caminho nos deu total liberdade criativa e flexibilidade para explorar cada detalhe da nossa sonoridade, o que foi fundamental para chegarmos ao resultado final que queríamos para o álbum.

– Muito obrigado pelo tempo cedido para a equipe da The Ghost Writer Magazine. Agora pode ficar à vontade para as suas considerações finais…

R: Eu que agradeço imensamente o convite e o interesse da The Ghost Writer Magazine em nosso trabalho! Para a Persevera, que é uma banda independente, entrevistas como esta são essenciais. A nossa mensagem é sobre acreditar, resistir e seguir em frente com paixão pelo Metal. Nosso foco agora é finalizar o segundo álbum e, em breve, levar essa energia para os palcos do Brasil e, quem sabe, do mundo. Fiquem ligados, pois tem muita novidade e shows a caminho! Um abraço pesado a todos os leitores.

 
Categoria/Category: Assessoria

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