Artista: Paradise Lost
País: Inglaterra
Álbum: Ascension
Gravadora: Nuclear Blast Records
Licenciamento: Shinigami Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2025
Não é segredo para ninguém que os ingleses do PARADISE LOST sempre fizeram parte da minha formação musical. Foi nos idos dos anos 1990, quando conheci o seu quarto álbum de estúdio, “Icon”, que essa relação se consolidou. A partir dali, minha percepção sobre o Metal mudou de maneira profunda, impulsionada pela trinca formada por “Shades of God” (1992), pelo já citado “Icon” (1993) e por “Draconian Times” (1995), sequência que ajudou a remodelar e a desenvolver uma linguagem própria, culminando na criação do que hoje conhecemos como Gothic Metal.
Posso afirmar que acompanhei de perto toda a trajetória da banda ao longo das décadas. Mesmo sem repetir o impacto dos trabalhos citados acima, o quinteto manteve uma postura ousada ao explorar caminhos distintos dentro do espectro gótico. O grande segredo, ao meu ver, está em jamais abandonar sua essência, diretamente ligada ao modo particular de compor do guitarrista Greg Mackintosh. “Ascension”, lançado em 2025, surge como mais um capítulo dessa história, agora com a clara intenção de unir elementos dos discos clássicos a abordagens mais recentes, perceptíveis em obras como “Obsidian” (2020) e “Medusa” (2017).
“Ascension” funciona quase como uma revisão de toda a discografia do grupo, trazendo referências diretas a diferentes fases da sua carreira. Não por acaso, Nick Holmes passeia por três linhas de canto distintas, que se complementam ao longo das faixas. Basta ouvir “Salvation” para perceber a alternância entre guturais, tons limpos, graves característicos do gótico tradicional e os conhecidos drives que ganharam projeção em 1995, com “Draconian Times”. Trata-se de uma demonstração clara de versatilidade e controle vocal.
A abertura fica por conta da música de trabalho “Serpent on the Cross”, que combina o peso encontrado em “Obsidian” com riffs imediatamente reconhecíveis de Mackintosh. Prepare-se para assimilá-los rapidamente, já que eles grudam na cabeça com facilidade. Em “Tyrants Serenade”, a textura empregada remete diretamente a “Shades of God”, com o gótico caminhando lado a lado com o Death Metal, novamente sustentado por uma performance segura e variada de Holmes. O público mais antigo certamente encontrará aqui motivos de sobra para comemorar.
A produção, assinada pelo próprio Mackintosh, entrega uma sonoridade encorpada e clara. A carga pesada se mantém pulsante ao longo da tracklist, mas há espaço para trechos de respiro, como na introspectiva “Lay a Wreath Upon the World”, em que a leveza surge de forma elegante. Basta prestar atenção na captação precisa dos violões que abrem a faixa, para entender o cuidado envolvido. Essa mesma atenção aparece em “Savage Days”, que carrega fortes ecos de “Symbol of Life” (2002). Conduzida pelo Gothic Metal, a canção insurge com um teor dramático que transmite um senso de urgência incômodo e envolvente, figurando facilmente entre os meus momentos favoritos do material.
Para quem aprecia a fase de “Tragic Idol”, “Sirens” surge como um prato cheio, soando como se pudesse integrar naturalmente aquela bolachinha de 2012. A interpretação de Holmes remete às suas melhores atuações dos anos 1990, tamanha a intensidade emocional. “Sirens”, ao lado da derradeira “The Precipice”, deixa claro que o cantor ignora críticas recorrentes sobre seu desempenho. Em especial, “The Precipice” apresenta uma das interpretações mais dramáticas de sua carreira recente, dentro de uma estrutura fúnebre que culmina em um solo inspirado de Greg Mackintosh.
A versão analisada chegou até nós em um digipack luxuoso e envernizado, incluindo as bonus tracks “This Stark Town” e “A Life Unknown”, que agregam valor significativo ao produto. Pela qualidade apresentada, fica difícil entender por que ficaram de fora da lista principal do full-length. Ainda assim, é positivo que tenham sido incorporadas de alguma forma, mesmo que nem todos tenham acesso a elas. No fim das contas, “Ascension” revisita a história do PARADISE LOST com respeito e consciência, homenageando sua trajetória sem soar pretensioso ou cansativo.
Formação:
Nick Holmes (vocalista)
Greg Mackintosh (guitarrista)
Aaron Aedy (guitarrista)
Steve Edmondson (baixista)
Guido Montanarini (baterista)
Tracklist:
01. Serpent on the Cross
02. Tyrants Serenade
03. Salvation
04. Silence Like the Grave
05. Lay a Wreath Upon the World
06. Diluvium
07. Savage Days
08. Sirens
09. Deceivers
10. The Precipice
Notícia mais antiga: VICTIMARUM: confira agora o Single “Ilmestysten Kuningas” »






