ORBIT CULTURE: Death Above Life
Postado em 03/10/2025


Artista: Orbit Culture
País: Suécia
Álbum: Death Above Life
Gravadora: Century Media Records
Licenciamento: Shinigami Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2025

E foi através da brasileira Shinigami Records que soubemos deste novo capítulo na carreira do ORBIT CULTURE, que chega com “Death Above Life” em uma fase de clara expansão de sua identidade. Lançado em 3 de outubro de 2025 pela Century Media Records no exterior, o quinto álbum de estúdio do quarteto sueco compila dez composições em pouco mais de 53 minutos e representa um passo importantíssimo na sua trajetória. A formação responsável pelo full-length reúne o líder Niklas Karlsson (vocalista e guitarrista), Richard Hansson (guitarrista), Fredrik Lennartsson (baixista) e Christopher Wallerstedt (baterista); todos incumbidos por entregar um pacote repleto de influências extraídas do Djent e Metalcore, além de elementos de Melodic Death Metal, Thrash Metal e Groove Metal. Sendo assim, já deu para notar, caro leitor, que o amálgama aqui não privilegia os mais tradicionalistas, muito pelo contrário, eu diria!

“Death Above Life” tem seu início com “Inferna”, que se mostra um excelente start para que tenhamos ideia do que encontraríamos pela frente. Se valendo de uma estrutura baseada no mid tempo, a track dá a tônica das demais com a conjunção de vocais rasgados com outros limpos carregados de efeitos, inserções de teclado e um ótimo refrão, além do uso de breakdowns no seu terceiro ato. Tais aspectos se repetiram ao longo da audição, como comprovado logo na segunda, “Bloodhound”. Ao apresentar uma bateria avassaladora, conduzida por Wallerstedt, com bumbos fritando como uma britadeira desgovernada, a banda finca a sua bandeira no Modern Metal sem nenhum tipo de constrangimento, privilegiando, inclusive, o groove no processo. A sonoridade mantém essas características bastante evidentes, fazendo com que a música se sustente tanto pela força rítmica quanto pela intensidade de sua interpretação.

Talvez a melhor dentre todas seja “Inside the Waves”. Ela me conquistou pelos riffs mais melodiosos e pelos andamentos variados, agora com o gutural de Niklas Karlsson se sobressaindo antes da chegada de mais um refrão digno de nota, que me remeteu aos atuais momentos vividos pelo In Flames, Soilwork e Bleed from Within. As suas partes pescadas do Thrash Metal, que aparecem integradas à linguagem de vanguarda, se revelaram uma combinação acertada no final das contas.

Mais uma digna do meu destaque atende pelo nome de “The Tales of War”. Com um excepcional solo de guitarra de Niklas Karlsson em meio à camada de teclados que contém uma atmosfera industrial e angustiante, flerta com a inovação no universo de tantos artistas que se propõem à ingrata tarefa de alcançá-la. Novamente, o refrão é muito bem construído e funciona como um dos trechos de maior apelo melódico do material.

O modelo interpretativo empregado por Karlsson pode parecer, de certa forma, previsível, mas, de tão bem aplicado, acabou por tornar “Hydra” uma das mais legais do disco. Com estrofes que remetem diretamente aos melhores desempenhos de Matt Heafy (Trivium) e James Hetfield (Metallica), o intérprete esbanja talento e eleva o padrão de qualidade da sua performance, quando comparamos às suas obras anteriores. E é neste mesmo caminho que demos de cara com “Nerve”, que nos oferece ótimos solos e riffs que reforçam a habilidade do time de equilibrar agressividade e melodia. A faixa-título, “Death Above Life”, flerta com o Nu Metal e foi justamente ela que me causou certo incômodo por contar com tal proximidade, confesso. Quem me conhece sabe que não sou afeito ao gênero, mas preciso admitir que ela não soa deslocada e preserva a personalidade do ORBIT CULTURE, além de contribuir para a variedade proposta pelo produto. Essa vasta gama de referências impede que os músicos fiquem restritos a uma única fórmula, permitindo que fragmentos do Djent, Metalcore, Thrash Metal e Modern Metal apareçam em diferentes proporções ao longo do repertório de maneira harmoniosa. E isso é muito bom, diga-se!

Uma das mais fortes do conteúdo chama-se “Neural Collapse”. E foi nela que este velho banger se sentiu mais abraçado, por perceber a presença de bases e riffs vindos da antiga escola do Thrash Metal, aliados de maneira natural e orgânica ao Modern Metal. É bom que se diga que não encontrei qualquer tipo de enxerto ou necessidade de encaixar este ou aquele artifício estético, para soar diversificado. Repito, a naturalidade aqui impera! E é justamente partindo desta observação que temos outro exemplo da tal premissa: “The Path I Walk”. Este foi o ponto que mais me impressionou em “Death Above Life” , já que temos aqui uma composição com alto grau de introspecção e que é totalmente conduzida por vozes limpas, enquanto sua construção busca predominância no violão e no violino, precedendo o seu encerramento. Essa escolha cria um contraste interessante com o restante da tracklist e demonstra que o ORBIT CULTURE também consegue trabalhar com dinâmica e delicadeza sem abandonar completamente a tensão que segue ditando regra. A canção funciona, portanto, como um momento de respiro antes do desfecho da bolachinha.

Para concluir, é importante salientar o trabalho do produtor Buster Odeholm (Humanity’s Last Breath), à frente da mixagem e da masterização, além de também estar creditado na produção do CD. Sua atuação ajudou a organizar a quantidade de informações presentes nas músicas, valorizando os riffs truncados, marcados por interrupções e retomadas, além dos breakdowns climáticos. A participação de Odeholm é particularmente adequada ao direcionamento adotado pela abordagem artística, já que sua experiência com sonoridades modernas e extremamente pesadas contribui para uma visão ampla, densa e contemporânea. O resultado é robusto e explicita as diferentes camadas do ORBIT CULTURE, sem retirar o impacto das guitarras, da cozinha e das vocalizações.

Em suma, “Death Above Life” apresenta um ORBIT CULTURE disposto a ampliar seus horizontes sem abandonar os fundamentos que consolidaram sua caminhada na cena. Niklas Karlsson continua como o epicentro criativo do grupo, alternando guturais violentos e interpretações limpas que ganham cada vez mais protagonismo, além de imprimir temas que transitam entre melodias, grooves em profusão, passagens de Thrash Metal e construções influenciadas pelo Djent e pelo Metalcore. Uma salada e tanto, não é verdade?! Todavia, nem todas as escolhas funcionam com a mesma eficiência, sobretudo quando determinados recursos aparecem excessivamente destacados, mas a diversidade impede que o registro se torne previsível. “Death Above Life” é um projeto ambicioso, pesado e pomposo, que reafirma a capacidade do ORBIT CULTURE de transformar linguagens distintas do Metal em uma assinatura própria.

Formação:

Niklas Karlsson (vocalista, guitarrista)
Richard Hansson (guitarrista)
Fredrik Lennartsson (baixista)
Christopher Wallerstedt (baterista)

Tracklist:

01. Inferna
02. Bloodhound
03. Inside the Waves
04. The Tales of War
05. Hydra
06. Nerve
07. Death Above Life
08. The Storm
09. Neural Collapse
10. The Path I Walk

 
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