OMNIUM GATHERUM: May the Bridges We Burn Light the Way
Postado em 07/11/2025


Artista: Omnium Gatherum
País: Finlândia
Álbum: May the Bridges We Burn Light the Way
Gravadora: Century Media Records
Licenciamento: Shinigami Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2025

A Finlândia é um dos países que mais respeito quando o assunto é o Heavy Metal e as suas mais diversas ramificações. Não por acaso, uma das bandas que mais marcaram a minha vida veio de lá: Amorphis, quando apareceu na cena com a, até então, inusitada proposta de fundir melodia neoclássica e elementos étnicos ao Death Metal, na prolífica década de 1990. E o meu processo de descoberta não parou por aí. Ao me conectar rapidamente com nomes como Stratovarius, Nightwish, Children of Bodom, Sentenced, Swallow the Sun, Poisonblack e o protagonista e foco deste texto, o OMNIUM GATHERUM, com o seu mais recente álbum “May the Bridges We Burn Light the Way”, me vi completamente apaixonado pela sua cena musical.

Meu contato com o OMNIUM GATHERUM, confesso, foi bem superficial, tendo apenas uma atenção mínima voltada para o ótimo debut “Spirits and August Light” (2003), único lançado no Brasil, ainda em uma época em que a internet estava engatinhando por estas paragens. Entretanto, ao receber este novo capítulo da sua carreira, preciso admitir que eu mal me recordava da minha experiência anterior, então precisei dar uma pesquisada básica para embasar as minhas impressões sobre este título. E a conclusão que cheguei é muito clara: a abordagem artística finlandesa se impõe mais uma vez, entregando um material que não pode, sob nenhuma hipótese, passar despercebido pela comunidade.

A produção do full-length foi assinada por Markus Vanhala, Björn “Speed” Strid (Soilwork, The Night Flight Orchestra) e Jens Bogren, este último com a bagagem de já ter a sua assinatura em obras seminais de ícones como Opeth, Arch Enemy, Amon Amarth, Sepultura, Kreator e muitos outros. Partindo desta premissa, já dá para termos noção da qualidade sonora encontrada em “May the Bridges We Burn Light the Way”, não é verdade?! Sim, em absoluto! O produto é robusto, com todos os instrumentos bem timbrados e uma mixagem refinadíssima, que ressaltou os mais diversos detalhes inseridos nas mais variadas camadas.

Musicalmente, é notória a evolução criativa dos caras e, com a presença de Björn na condução dos trabalhos, algo do seu estilo de escrita ficou evidente em canções como a faixa-título, que serve como introdução e que possui arranjos bem inspirados do tecladista Aapo Koivisto. O clima proposto ficou entre o etéreo e o cyberpunk, algo comum em diversos momentos da trajetória do próprio Soilwork dos bons tempos de “Natural Born Chaos” (2002). Outro aspecto que merece destaque é o contraste apresentado pelos vocais guturais de Jukka Pelkonen com relação aos limpos de Markus Vanhala, já evidente na contagiante “My Pain”. Acredito que esta nova estratégia será ainda mais empregada em futuros lançamentos.

“The Last Hero” vem na sequência com a missão de acentuar o lado Death Metal do OMNIUM GATHERUM, com pouco espaço para as melodias frias já tão características. O mesmo já não posso afirmar com relação a “The Darkest City”, que se aproxima mais do caminho percorrido por “My Pain”, servindo até como uma espécie de “balada”. É nela, inclusive, que temos talvez o melhor refrão de todo o conteúdo, além do solo mais eficaz executado por Vanhala. Contudo, é em “Streets of Rage” que estava reservada uma bela surpresa aos fãs do Cemetery Skyline, com o evidente aceno a “The Coldest Heart”! Talvez por Vanhala também ser uma das mentes por trás do supergrupo, tal similaridade tenha ocorrido. Não vi como demérito e, para ser bem sincero, eu adorei!

“Barricades” foi a que mais me pegou pelos ouvidos e não largou. Certamente, ela é a mais comercial do CD e tem nas suas frases e riffs total influência da NWOBHM. Em alguns trechos, achei que estava ouvindo algo do Iron Maiden na rotação 75. Tenha em mente que os gêneros são bem diferentes, mas o cuidado com a transposição da linguagem foi milimétrico, a ponto de não causar qualquer tipo de estranheza ou sensação de enxertos forçados e desconexos. Não por acaso, estamos falando de músicos veteranos e que já estão bem familiarizados quanto a firmar conexões delicadas entre segmentos tão díspares.

Ao mesmo tempo em que “May the Bridges We Burn Light the Way” exibe uma produção refinada, ele preserva certa aspereza, mantendo intacta a essência do Melodic Death Metal do OMNIUM GATHERUM. Com tracks marcantes e de extremo bom gosto, eu sinceramente torço para que o quinteto saia da posição de coadjuvante que ocupa no underground europeu, para galgar patamares mais expressivos. Eu não sou profundo conhecedor da sua discografia, como mencionado anteriormente, mas posso me arriscar a dizer que estamos diante de um compilado que se impõe como forte candidato a figurar entre os melhores deste ano de 2025.

Formação:

Jukka Pelkonen (vocalista)
Markus Vanhala (guitarrista)
Mikko Kivistö (baixista)
Atte Pesonen (baterista)
Aapo Koivisto (tecladista)

Tracklist:

01. May the Bridges We Burn Light the Way
02. My Pain
03. The Last Hero
04. Walking Ghost Phase
05. The Bottom
06. Apparition
07. The Darkest City
08. Rest in Your Heart
09. The Lantern

 
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