Artista: Necrolust
País: Brasil
Álbum: Christ’s Excommunication
Gravadora: Brazilian Ritual Records
Licenciamento: Brazilian Ritual Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 1991
Ter a missão de revisitar um dos títulos basilares do underground brasileiro não é tarefa simples — ainda mais tratando-se de uma demo tape registrada no longínquo ano de 1991, com orçamento mínimo e todo tipo de limitações que se possa imaginar. Faltava equipe especializada em estúdio, os equipamentos eram precários e os próprios músicos ainda estavam no processo de se formar como tais. Realmente, um cenário árduo.
Foi nessa realidade assustadoramente desfavorável que surgiu “Christ’s Excommunication” (1991), da baiana NECROLUST. Quem viveu a década de 1990 sabe bem que tudo era feito literalmente na raça, com muito suor e sangue derramados. Naquele mesmo recorte temporal, vale lembrar, o Brasil via o nascimento de obras como “Aleister Crowley”, do Mystifier; “The Laws of Scourge”, do Sarcófago; “Arise”, do Sepultura; entre tantas outras. Assim sendo, conquistar espaço dentro dessa conjuntura repleta de lançamentos relevantes era um desafio gigantesco.
“Christ’s Excommunication” teve distribuição extremamente limitada por dois motivos básicos. O primeiro, financeiro: a NECROLUST era uma banda independente, zelosa em seguir seu próprio caminho. O segundo dizia respeito à esfera ideológica — o time escolhia a dedo quem poderia adquirir o artefato oficial, para que ele não fosse parar nas mãos de posers ou zines que não compactuassem com seus valores. Esse era o chamado “radicalismo consciente”, que nem sempre era aplicado da maneira correta.
No campo musical, acredito que as principais influências da NECROLUST tenham vindo dos conterrâneos do Mystifier e dos canadenses do Blasphemy. O Death/Black Metal presente em “Christ’s Excommunication” mantém-se fiel a essa linha, sem propensões para desvios de rota ou suavizações. Trata-se de um material profundamente nichado, indicado especialmente aos apreciadores do gênero, sobretudo àqueles que viveram aquele período e compreendem como tudo funcionava.
Além da intro “The Rite of Infernal Symphony” e de uma releitura da clássica “Enter the Eternal Fire”, do álbum “Under the Sign of the Black Mark” (1987), do Bathory, a versão original em tape trazia ainda nove tracks autorais. Entre os destaques — além da excelente “Necrolust”, que representava com precisão sua alcunha — “Satanic Return” e “Blasphemy” figuravam como presenças obrigatórias nos shows.
Em 2017, a Brazilian Ritual Records lançou uma edição especial e numerada à mão em CD no país. O relançamento trouxe nova arte gráfica, pit notes e cinco faixas ao vivo extraídas de uma apresentação em Feira de Santana, em 1991. Inclusive, o produto que recebi para esta análise é justamente esse, até porque jamais poderia utilizar minha velha K7 da época — hoje bastante deteriorada pelo tempo e uso.
“Christ’s Excommunication” é um trabalho cru, ríspido e intensamente ofensivo. A qualidade de gravação segue os padrões dos anos 1990, o que pode afastar novos ouvintes de conhecer o legado deixado pela NECROLUST. Contudo, se você é um pesquisador ávido como eu, certamente encontrará bons momentos saudosistas ao se reinserir no contexto primitivo proposto pelo grupo. Vale como registro histórico — e como tal, permanece indispensável.
Formação:
Merifild (baixista)
Pentagony (baterista)
Alastor (guitarrista)
Khil (guitarrista)
Leviathan (vocalista)
Tracklist:
01. The Rite of Infernal Symphony
02. Satanic Return
03. Blasphemy
04. The Apocalypse
05. Necrolust
06. Eternal Darkness
07. Bestial Birth
08. The Son of God Never Was Born
09. False Pastor
10. Enter the Eternal Fire (Bathory cover)
11. The Rite Continued…
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