MOONSPELL: Opus Diabolicum – The Orchestral Live Show
Postado em 31/10/2025


Artista: Moonspell
País: Portugal
Álbum: Opus Diabolicum – The Orchestral Live Show
Gravadora: Napalm Records
Licenciamento: Shinigami Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2025

Portugal tem uma dívida de gratidão eterna com o MOONSPELL! O grupo, capitaneado pelo vocalista e compositor Fernando Ribeiro desde os anos 1990, foi responsável por colocar o povo lusitano no mapa, algo semelhante ao que o Sepultura fez com os brasileiros. É impossível falar dos irmãos portugueses sem lembrar deste verdadeiro colosso do Gothic Metal mundial, tamanha a relevância para a consolidação da cultura underground daquele país.

Esse reconhecimento é tão evidente que, em 2025, o conjunto preparou um lançamento especial voltado aos seus seguidores mais fervorosos. “Opus Diabolicum – The Orchestral Live Show” surge como um projeto ambicioso, possivelmente o mais audacioso de sua longeva trajetória, unindo a música gótica do quinteto à participação especial da Orquestra Sifonietta de Lisboa.

Ao todo, são quinze faixas extraídas de uma mega produção ao vivo realizada em 26 de outubro de 2024, na MEO Arena, em Lisboa, Portugal. Talvez, em um primeiro contato, o impacto desse título não seja imediatamente perceptível, já que o Metallica foi pioneiro nesse formato com o controverso “S&M” (1999). A ideia, portanto, não é inédita; entretanto, ao comparar as proporções entre os artistas citados, torna-se claro o quão expressiva foi essa conquista.

A orquestra contou com nada menos que quarenta e cinco músicos, sob a regência do experiente maestro Vasco Pearce de Azevedo. O resultado reflete um nível de organização impressionante, que valorizou a grandiosidade da fusão entre dois universos sonoros distintos. Como era esperado, as composições do MOONSPELL ganharam nova dimensão com os arranjos neoclássicos, revelando um cuidado quase cirúrgico para que tudo soasse integrado, sem a sensação de enxertos artificiais.

O desfecho entrega uma sonoridade encorpada, clara e com mixagem e masterização à altura dos maiores nomes do gênero. Aqui, vale citar novamente o Metallica, pois, desta vez, Davi e Golias podem dividir a mesma prateleira, mérito também do produtor Jaime Gomez Arellano (Paradise Lost, Insomnium), cujo toque foi decisivo para o refinamento final.

Talvez pelo espetáculo ter ocorrido em Lisboa, cidade natal da banda, o foco inicial do repertório concentrou-se no décimo segundo álbum de estúdio, “1755” (2017). Para quem não tem conhecimento, esse registro aborda o Sismo de Lisboa, ocorrido em 1755, que devastou grande parte da capital portuguesa. Outro detalhe marcante é o fato de o repertório ser inteiramente cantado em português, incluindo ainda um curioso cover de “Lanterna dos Afogados”, da Paralamas do Sucesso.

Dessa maneira, a sequência inicial trouxe “Em Nome do Medo”, “1755”, “In Tremor Dei”, “Desastre” e “Ruínas”, todas apresentadas com novos arranjos que criaram um clima épico sob medida. Antes de “Everything Invaded”, de “The Antidote” (2003), Fernando Ribeiro aproveitou para agradecer, no seu idioma natal, inglês e espanhol, aos seguidores espalhados pelo mundo, ciente de que aquela apresentação ficaria registrada para a posteridade.

O momento foi emocionante, assim como tantos outros em que o quinteto revisitou seus clássicos mais celebrados, como “Extinct”, “Finisterra” e “Vampiria”, além do ápice no encerramento com a dobradinha “Alma Mater” e “Fullmoon Madness”. Histórico é pouco para definir esse desfecho. Ainda assim, diante de uma discografia tão extensa, é natural sentir falta de uma ou outra canção.

Essa percepção é quase óbvia, mas confesso que não compreendi a ausência de “Opium”, que poderia, sem dificuldades, ocupar o espaço de “Scorpion Flower”. Pessoalmente, lamentei a decisão. No entanto, não vale alongar o debate, já que, ao entrar no terreno do gosto pessoal, qualquer argumento corre o risco de se perder em conversas de mesas de bar.

Sendo assim, faça você também parte deste capítulo da trajetória do MOONSPELL e adquira o produto físico. Estamos diante de um full-length que merece ser reverenciado por todos os amantes da boa música, sem rótulos ou nichos específicos.

Formação:

Fernando Ribeiro (vocalista)
Ricardo Amorim (guitarrista)
Aires Pereira (baixista)
Pedro Paixão (tecladista)
Hugo Ribeiro (baterista)

Tracklist:

01. Tungstennio
02. Em Nome do Medo
03. 1755
04. In Tremor Dei
05. Desastre
06. Ruínas
07. Breathe (Until We Are No More)
08. Extinct
09. Proliferation
10. Finisterra
11. Everything Invaded
12. Scorpion Flower
13. Vampiria
14. Alma Mater
15. Fullmoon Madness

 
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