MEGADETH: Megadeth
Postado em 23/01/2026


Artista: Megadeth
País: Estados Unidos
Álbum: Megadeth
Gravadora: BLKIIBLK Records
Licenciamento: Shinigami Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2026

Os nossos heróis estão definitivamente se despedindo. Um a um, estão sendo vencidos pelo implacável peso da idade. Então, recomendo que, sempre que puder assistir ao vivo ícones como Metallica, Iron Maiden, Judas Priest e MEGADETH, não percam a oportunidade, até porque nunca saberemos quando será a última chance. E é inserido nesta realidade atual que está Dave Mustaine e o seu incansável projeto MEGADETH.

Com o anúncio de sua aposentadoria após o lançamento do seu décimo sétimo álbum, o homônimo de 2026, Mustaine deixou um gosto agridoce na boca dos seus fãs, ainda que todos poderão vê-lo por aí por pelo menos mais 4 ou 5 anos, na atual turnê de despedida. Uma pena, mas este é o caminho natural das coisas, e devemos todos nos conformar com isso.

“Megadeth”, diferentemente dos seus últimos registros, é um material poderosíssimo, diversificado e com uma fúria que parecia presa nas entranhas do seu criador por diversos anos a fio. Tal aspecto fica muito evidente em “Tipping Point”, com a sua veia Thrash veloz e agressiva. “I Don’t Care” segue com a mesma postura ríspida e provocativa, trazendo a linguagem punk que Dave sempre ostentou, ao lado da contida “Hey God?!”, que poderia facilmente figurar em títulos como “Countdown to Extinction” (1992) e “Youthanasia” (1994). Ótimo refrão e um dos pontos mais altos do disco.

“Let There Be Shred” ganhou um videoclipe bastante divertido, para contrastar com o visível apelo estético a “Peace Sells… but Who’s Buying?” (1986). Excelente escolha para ser um dos singles da obra, devido às características que todo o fã do MEGADETH espera encontrar em qualquer canção assinada pelo nosso querido ruivo egocêntrico. Já “Puppet Parade” tem o refrão mais contagiante e comercial da bolachinha, novamente trazendo à tona a abordagem que a banda usou nos anos 1990.

Outra faixa digna de menção é a visceral e pesada “Made to Kill”, que, em meio à violência, trouxe um solo inspirado do virtuoso guitarrista finlandês Teemu Mäntysaari (Wintersun). Completam o time a cozinha composta pelo baixista James LoMenzo, em seu primeiro trabalho com o grupo desde “Endgame” (2009), e por Dirk Verbeuren, assumindo a bateria em seu segundo disco com a trupe. Um verdadeiro timaço!

“Last Note” encerra o full-length como um adeus inspirado, porém carregado de sentimentos que são difíceis de descrever em um texto avaliativo como este. Em certo momento da sua letra, após um trecho classudo conduzido por um arranjo de violão, Dave Mustaine é enfático em dizer que “Todo acordo foi assinado com sangue e chamas. Então, aqui está minha última vontade. Meu testamento final, meu desprezo. Eu vim. Eu governei. Agora, eu desapareço”. Forte e sincero, como foi em boa parte de sua trajetória.

O material físico ainda traz uma releitura para “Ride the Lightning”, do álbum de 1984, também composta por Mustaine quando ele ainda fazia parte do Metallica. A versão ficou excelente, mas, quando lembramos da atuação de James Hetfield na original, fica meio difícil engolir o resultado obtido pelo MEGADETH. Vale apenas pelo caráter documental e, como se trata do encerramento de uma carreira discográfica, a sua presença acaba se tornando parte importante do pacote!

Formação:

Dave Mustaine (guitarrista, vocalista)
Teemu Mäntysaari (guitarrista)
James LoMenzo (baixista)
Dirk Verbeuren (baterista)

Tracklist:

01. Tipping Point
02. I Don’t Care
03. Hey, God?!
04. Let There Be Shred
05. Puppet Parade
06. Another Bad Day
07. Made to Kill
08. Obey the Call
09. I Am War
10. The Last Note
11. Ride the Lightning (Metallica cover)

 
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