MAYHEM: Atavistic Black Disorder/Kommando
Artista: Mayhem
País: Noruega
Álbum: Atavistic Black Disorder/Kommando
Gravadora: Century Media Records
Licenciamento: Rock Brigade Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2021
Quem me acompanha há algum tempo sabe que sou um admirador declarado do MAYHEM, sobretudo pelo papel absolutamente decisivo que a instituição norueguesa exerceu na consolidação do Black Metal em escala global. Evidentemente, para além dos fatos que marcaram a década de 1990 — como o assassinato de Euronymous, o suicídio de Dead e os incêndios em igrejas na Noruega —, o movimento artístico impulsionado por aquela geração foi determinante para moldar aquilo que, hoje, entendemos como uma cena consolidada e reconhecida em todo o mundo. Trata-se de um legado histórico que vai muito além de polêmicas e escândalos.
Mesmo reconhecendo que a encarnação atual do MAYHEM procura preservar a herança deixada por Euronymous e Dead, não consigo deixar de olhar este tipo de lançamento com certo distanciamento crítico. “Atavistic Black Disorder/Kommando” reúne características típicas de um produto pensado mais para capitalizar a marca do que para acrescentar algo realmente relevante ao seu catálogo, sobretudo por oferecer poucos atrativos ao longo de seus pouco mais de vinte e três minutos de duração. A sensação, infelizmente, é de algo protocolar.
“Voces Ab Alta” abre o EP e é a única canção realmente inédita do pacote. Quem aprovou os trabalhos mais recentes do MAYHEM provavelmente seguirá satisfeito, já que a estrutura mantém o roteiro habitual: riffs cortantes, andamento direto e aquela atmosfera gélida que se tornou marca registrada dos caras ao longo das últimas décadas. Além dela, o título inclui duas tracks remanescentes das sessões de “Daemon” (2019), “Black Glass Communion” e “Everlasting Dying Flame”. Ambas são ótimas, mas dificilmente representam surpresa para quem acompanha de perto a fase atual da discografia do grupo.
No lado B do vinil aparecem quatro releituras de nomes ligados ao Punk, inseridas, ao que tudo indica, com a intenção de resgatar influências ligadas aos primórdios da própria horda. Vale recordar que o baixista Necrobutcher nunca escondeu, em entrevistas ao longo da carreira, sua ligação com o Punk Rock, Hardcore e vertentes próximas. Dito isso, mesmo não sendo entusiasta desses gêneros, reconheço que as adaptações de “In Defense of Our Future” (Discharge), “Hellnation” (Dead Kennedys), “Only Death” (Rudimentary Peni) e “Commando” (Ramones) permanecem bastante fiéis às gravações originais. Por outro lado, ainda que preservem a essência das suas estruturas, faltou justamente o diferencial que costuma tornar o MAYHEM reconhecível em qualquer contexto. Para mim, o conjunto da obra soa burocrático, além de excessivamente previsível.
Em um período no qual o próprio produto musical já não movimenta o mercado como outrora, causa certa estranheza a escolha por um formato como o de “Atavistic Black Disorder/Kommando“. A impressão é de que apenas o núcleo mais fiel de seguidores — os conhecidos “die-hard maniacs”, que acompanham absolutamente tudo o que seus ídolos disponibilizam — demonstrará real interesse em adquirir este disco. Do meu ponto de vista, falta relevância artística mais concreta para que este lançamento se justifique além do apelo histórico que o nome MAYHEM inevitavelmente carrega.
Formação:
Necrobutcher (baixista)
Hellhammer (baterista)
Attila Csihar (vocalista)
Teloch (guitarrista)
Ghul (guitarrista)
Tracklist:
01. Voces ab Alta
02. Black Glass Communion
03. Everlasting Dying Flame
04. In Defense of Our Future (Discharge cover)
05. Hellnation (Dead Kennedys cover)
06. Only Death (Rudimentary Peni cover)
07. Commando (Ramones cover)