Os selos Eternal Hatred Records e Black Order Productions uniram forças em 2021 para reparar uma lacuna importante na trajetória do MALEFACTOR. Após longos vinte e nove anos desde a chegada da demo “Sickness” (1993), o registro finalmente ganhou uma versão em CD, algo até então inexistente. Além dela, a coletânea “Old Demons” também incorpora “Into the Black Order” (1995) e acrescenta algumas surpresas na forma de conteúdos adicionais, ampliando o valor histórico do pacote para quem segue de perto as atividades do (agora) quarteto.
Eu observo a caminhada do MALEFACTOR desde os seus primeiros passos e, confesso, poder ter em mãos um material que ajudou a balizar o underground no país é motivo de orgulho pessoal. “Old Demons” chega em um caprichado digipack em formato A5, acompanhado de encarte que se transforma em pôster, reunindo letras, fotos raras, informações complementares e as capas originais das fitas K7, agora organizadas em uma única coletânea física.
Juntando-se a “Sickness” e “Into the Black Order”, na íntegra, o disco inclui regravações das clássicas “Sickness” e “Misery Portrait”, além de tracks ao vivo de “Sacramental Embrace”, “Under the Law of the Sword” e “Lucifer Rising”, extraídas de um show realizado na cidade de Itabuna (BA), em 1995, durante a turnê de promoção da demo “Into the Black Order”.
Nesse recorte da carreira, o MALEFACTOR ainda não havia definido por completo a sonoridade que se tornaria mais clara nos lançamentos seguintes. No início, o direcionamento apontava para um Death Metal mais primitivo, que mais tarde evoluiu para uma abordagem Death/Black Metal consideravelmente mais elaborada em “Into the Black Order”. Por isso, quem conhece apenas a fase posterior a 1999 precisa ajustar as expectativas ao se deparar com este artefato mais cru e direto.
Não espere acabamento técnico impecável ou qualquer tipo de refinamento em “Old Demons”. Trata-se, afinal, de uma reunião de gravações raras disponibilizadas originalmente há quase 3 décadas. Encaro este lançamento, acima de tudo, como uma justa celebração à contribuição do MALEFACTOR para o Metal feito no país, funcionando como uma peça historiográfica fundamental, mais do que como um produto voltado à alta qualidade de produção sonora.
Por ser uma edição comemorativa, com tiragem limitada e numerada manualmente em apenas quinhentas cópias, não existe previsão de disponibilização em plataformas digitais, preservando seu caráter cult. Isso certamente pode frustrar parte do público habituado ao streaming, mas, ao mesmo tempo, reforça o seu valor documental. Se você acompanha a horda de perto, minha recomendação é clara: vale garantir o seu exemplar enquanto ainda é possível.