Alguns detratores podem até discordar, mas o Death Metal originário do estado da Bahia é um dos mais prolíficos de todo o nosso Brasil. Nomes não faltam para exemplificar a minha afirmativa, desde os mais novos na cena, como God Funeral, Töhil e Devouring, até os veteranos, como o Headhunter D.C., Poisonous, Deformity BR e a saudosa Inoculation. De fato, o cenário é muito rico e, de tempos em tempos, novos grupos emergem da terra sem salvação para levar o caos sonoro para as demais localidades do país. E é dentro dessa realidade que a LEPROVORE está inserida, com o seu Death Metal calcado na antiga escola, com diversas referências ao mestre do horror George A. Romero. Fomos conversar com o baixista Zulbert Buery para entendermos melhor como a formação vem conseguindo cada vez mais espaço no underground, principalmente após o lançamento do seu álbum ao vivo, “Ritos Necrocannibalisticos” (2024).
The Ghost Writer Magazine: É com imensa satisfação que reencontro o amigo Zulbert Buery para um bate-papo, tendo como foco o seu mais novo projeto no underground, o LEPROVORE. Como vai, Zulbert? Como foi, para você, ver essa sua nova empreitada ganhar cada vez mais relevância na cena?
Zulbert Buery: Saudações para todos!!! Tudo seguindo na mesma brutalidade de sempre!!! Acredito que cada resultado seja o sinal de toda a nossa devoção aos nossos ritos necromânticos de canibalismo sonoro. Cada edição/versão lançada é muito gratificante para nós, que não desistimos nunca, a cada gota de suor e sangue. Não pretendemos dominar o mundo nem nada desse tipo, sem egos inflados, tampouco jogando sujo com outras pessoas de maneira covarde. Seguimos na nossa luta, satisfazendo as nossas vontades e compondo nossas músicas para nós mesmos, sem nos preocuparmos com nada, de maneira simples e sem frescuras. Então, continuamos elaborando as nossas faixas, que pouco a pouco vão tomando forma desesperadora, esmagando ouvidos sensíveis até sangrarem rios pelos campos afora… Death Metal baiano em seu estado mais bruto, mórbido, rápido e pesado!!!
The Ghost Writer Magazine: A LEPROVORE foi fundada em 2015 e demorou bastante tempo para soltar a sua demo de estreia, “Horrorreahction”, em 2021. Qual o motivo para esse hiato de 6 longos anos, para que os seus seguidores tivessem contato com o tão esperado material de áudio? Você acredita que o artefato supriu as expectativas da banda?
Zulbert Buery: A ideia do projeto e o nome foram criados em 2015, mas eu ainda não tinha colocado em prática, pois precisava de um planejamento sólido de como realizar toda essa manifestação terrível. A princípio, pensei em produzir tudo sozinho, tocando os instrumentos de corda, voz e acrescentando bateria eletrônica. Conversei com Michael sobre o assunto e ele me ajudou com a pré-produção dos riffs, encaixando as baterias em nosso primeiro tema, “Horrorreahction”, que, para mim, soava dentro do que eu havia imaginado para o projeto. Como eu ainda estava tocando com o Headhunter D.C., eu não tinha muito tempo disponível para selecionar músicos até que, em um show do Grave Miasma em Salvador, convidei o meu amigo Daniel Excruciator para assumir a bateria e o guitarrista Michael Hellriff para darmos um pontapé inicial nessa carnificina sonora. Algum tempo depois, veio a inclusão do nosso vocalista Demétrio Invocator (ex-Blackness), maníaco que aceitou o convite de imediato para assumir o posto. Não demorou muito para convocarmos Elder Lins, nosso atual guitarrista, que prontamente atendeu ao chamado e preencheu muito bem a vaga. Pondo tudo em prática a partir de 2020, a LEPROVORE hoje tem 5 anos de atividades ininterruptas. E, apenas para completar, o resultado da nossa demo de 2021, “Horrorreahction”, superou as nossas expectativas! Ela contou com uma excelente distribuição mundial, em diferentes formatos, incluindo países como Brasil, Bolívia, México, Japão, Itália, EUA, França e Malásia.
The Ghost Writer Magazine: Logo de cara, a faixa-título traz uma referência do clássico “The Return of the Living Dead” (1985), de George A. Romero. Todos na banda são fãs dos antigos filmes trash de horror, dos anos 1980 e 1990? George A. Romero exerce muita influência na sonoridade da LEPROVORE? Eu, sinceramente, acredito que sim…
Zulbert Buery: Na verdade, “The Return of the Living Dead” foi uma das maiores e principais inspirações do projeto. Não só esse filme, então inclua na lista longas-metragens de giallo, slasher, splatter e gore, além de muitas obras cinematográficas de autores como Dario Argento, Lucio Fulci, Mario Bava, Ruggero Deodato, George A. Romero, Robert Rodriguez etc. Então, não posso deixar de mencionar algumas das principais: “Nekromantik”, “The Wizard of Gore”, “Burial Ground”, “Meltman”, “Toxic Avenger”, “Street Trash”, “Zombi”, “Cannibal Holocaust”, “Cannibal Ferox”, “Ilsa: She Wolf of the SS”, “Tenebre”, “Suspiria”, “O Estranho Vício da Sra. Wardh”, “Seis Mulheres para o Assassino”, “Aftermath”, “Hellraiser”, “The Exorcist”, “Fright Night”, “Evil Dead”, “Rosemary’s Baby”, “Nosferatu”, “Friday the 13th”, “A Nightmare on Elm Street”, “Texas Chainsaw Massacre”, “Jaws” e “The Warriors”. Pós-apocalipse, explosões químicas, radioatividade, tragédias, eletroexecução, catástrofes!!!! Todas as letras são de autoria do nosso vocalista, Demétrio Invocator. Deixamos essa função para ele, pois percebemos que a sua mente doentia é capaz de criar essas anormalidades sobrenaturais, em estrofes fantásticas e aterrorizantes, dentro de um processo criativo que prima pela brutalidade. Aguardem o nosso full-length e confiram toda a nossa arte sangrenta e profana.
The Ghost Writer Magazine: “Epidemic Damnation” traz ótimas intervenções de teclado, concedendo o clima tétrico perfeito que a composição exige. O que achei bacana é que vocês utilizaram esse instrumento de uma maneira bem inteligente, sem que descaracterizasse o sentido podre e primitivo da música. Você acredita que “Epidemic Damnation” possa vir a se tornar obrigatória nos shows da banda?
Zulbert Buery: Em primeiro lugar, muito obrigado pela interpretação e por ter apreciado essa obra. Sim, todos nós gostamos muito de “Epidemic Damnation” e ela está inclusa no nosso setlist atual, que ainda não é tão longo assim. Além dela, a nossa emblemática “Horrorreahction”, a origem, também é obrigatória em nossas aparições ao vivo!!! Ambas são faixas permanentes.
The Ghost Writer Magazine: Em 2023 foi lançado um split no formato die hard 7” vinil, ao lado da banda Incessant Damnation. Por qual razão optaram por esse tipo de lançamento? Qual a relação de vocês com a Incessant Damnation? Particularmente, eu conheci os caras através desse “Leprodamnation”.
Zulbert Buery: A ideia surgiu a partir da nossa boa relação com esses nossos amigos de Manaus e, de forma natural, tudo foi sendo planejado por ambas as partes. Fomos amadurecendo as ideias e unindo forças para que o projeto se tornasse real, já que todos nós apreciamos o formato 7” EP e vinil em geral. Vimos a possibilidade nesse formato, visando proporcionar para ambas as bandas uma boa divulgação e apresentação do trabalho. O objetivo é que ele fosse distribuído por diferentes contatos, de forma segmentada ao nosso público, obviamente. A produção, em parceria com os selos Symposium of Sickness Productions e My Dark Desires Records, nos deixou muito satisfeitos, sendo aprovada por ambas as bandas.
The Ghost Writer Magazine: “Pallor Mortis”, música de “Leprodamnation”, é uma evolução natural do que foi apresentado na demo de 2021. Como se deu o processo de composição dessa faixa em específico?
Zulbert Buery: Essa faixa foi a nossa aula de química e, diferente das músicas anteriores, nas quais tínhamos realizado uma pré-produção adequada, dessa vez esse processo de “decomposição” nos custou um exercício mais prolongado. Durante a elaboração de “Pallor Mortis”, a banda foi adquirindo entrosamento e mais confiança, ensaiando pedaço por pedaço dela até encontrar a fórmula exata para a sua estruturação. Acredito que foi a partir dela que a banda adquiriu mais personalidade.
The Ghost Writer Magazine: A arte da capa de “Leprodamnation” remete ao Death Metal old school, sem espaços para experimentações descabidas. Quem assinou a arte? O que vocês, exatamente, quiseram passar com aquela ilustração?
Zulbert Buery: É uma arte adequada para o título e o estilo de ambas as bandas presentes no split. Cada banda com a sua identidade, então pensamos em elaborar uma arte de capa que representasse as duas de uma forma digna! Ela foi elaborada pelo artista e mestre Mark Riddick (Riddick Art), que acabou por nos deixar gratos e satisfeitos com o resultado final.
The Ghost Writer Magazine: A banda, até aqui, realizou shows pontuais e todos eles no estado da Bahia. Existem planos para uma amplificação dessas aparições ao vivo e, principalmente, englobando outros estados do Brasil?
Zulbert Buery: Bem, como todos nós temos família e nossos empregos, tudo precisa ser acertado antecipadamente para que cada show possa transcorrer da melhor maneira possível (pelo menos, por enquanto). Mas estamos dispostos a analisar as propostas para algumas apresentações ao vivo, lembrando que temos um compromisso com a gravação do nosso debut ainda em 2025.
The Ghost Writer Magazine: Ao contrário do que muitos imaginavam, a LEPROVORE optou por lançar um álbum ao vivo antes do seu primeiro full-length. E foi assim que nasceu “Ritos Necrocannibalisticos”, em 2024, através da gravadora mexicana Dark Recollections Productions. Por qual razão a banda preferiu seguir por esse caminho?
Zulbert Buery: Esse álbum ao vivo é muito importante para nós, por ser a nossa primeira apresentação. Eu me recordo de alguns lançamentos do passado, de outras bandas, que também optaram por live sessions antes de soltarem os seus respectivos álbuns de estreia. Esse tipo de conduta era muito comum nos anos 1980, então está tudo bem para mim! Sob influência dessa atitude que mencionei, foi emblemático eternizarmos aquela noite em Salvador, no fatídico 16 de setembro de 2023. Aquela ocasião foi memorável para todos nós e para todos os presentes! Não importa se a casa é grande ou não, todos os ingressos foram vendidos antecipadamente, evidenciando a força da LEPROVORE e da Rottenbroth. Muito fudido, cara!!!! O público foi animal, agitando violentamente. Aquilo foi uma grande recepção para a banda e só temos a agradecer aos irmãos e irmãs que compareceram! Tenham certeza de que aquele show acabou ficando na lembrança de todos!
The Ghost Writer Magazine: “Ritos Necrocannibalisticos” não é um trabalho polido e traz, sem maquiagens, o que é um show da LEPROVORE. Foi intencional deixar a sonoridade com aquela aura de bootleg? Eu, particularmente, adorei o resultado, por ter sido o mais fiel possível ao que foi mostrado por vocês no palco…
Zulbert Buery: Você sacou!! Eu acredito que essa prévia do que está por vir, além dos motivos citados na resposta anterior, mostra a banda como ela realmente é! Eu acredito que, tanto para os amantes de materiais desse tipo quanto para os não tão familiarizados, o CD não deixa de ser especial. Esse registro foi completamente produzido de deathbangers para deathbangers, em sua mais pura essência e estado bruto de decomposição!
The Ghost Writer Magazine: Existe a possibilidade de o público brasileiro ter “Ritos Necrocannibalisticos” disponibilizado no nosso mercado? Já existe algum tipo de negociação em andamento nesse sentido?
Zulbert Buery: Sim, já está tudo praticamente pronto e estamos no aguardo desse lançamento até o Setembro Negro Festival, para podermos espalhar a nossa doença. Será a compilação contendo a nossa demo “Horrorreahction”, o 7” EP “Pallor Mortis” e o nosso live CD “Ritos Necrocannibalisticos”, via Symposium of Sickness Productions e Black Hearts Records.
The Ghost Writer Magazine: A LEPROVORE é uma das atrações brasileiras confirmadas no cast da edição 2025 do Setembro Negro Festival, que acontecerá na cidade de São Paulo. Quais as expectativas de vocês por estarem prestes a dividir o palco com nomes como Incantation, Overkill, Triptykon, Varathron e Candlemass?
Zulbert Buery: Sempre tive uma boa relação com a Tumba Produções/Records. Já tive o prazer de trabalhar com a produtora, tocando em alguns shows no passado. O Edu Lane é um exemplo de profissional, diga-se de passagem. Nós nos sentimos muito honrados por fazer parte desse cast do Setembro Negro, caminhando com nossas próprias pernas e trabalhando com a seriedade que o verdadeiro underground exige! A LEPROVORE é uma banda de personalidade! Fazemos um som honesto, sincero, sem seguir modas ou novas tendências, e isso é motivo de muito orgulho para nós, recompensando todo o nosso esforço até agora!!! Que venham mais festivais como esse!!!
The Ghost Writer Magazine: Eu posso imaginar que o debut álbum da LEPROVORE não irá demorar para ver a luz do dia. Como está atualmente o processo de composição de vocês, visando um disco completo?
Zulbert Buery: Utilizando o antídoto no laboratório dos doutores doentes, a fórmula do Metal da Morte matura a sua essência, sem muita pressa e nem compromisso. Estamos animados com os resultados obtidos até aqui. O nosso debut estará se erguendo de uma cova bem profunda, com os nossos novos 9 escarros na face da terra.
The Ghost Writer Magazine: Todos aqui na redação esperam ouvir falar mais da LEPROVORE nos próximos anos. Parabéns pelo trabalho sério e, principalmente, pelo comprometimento ideológico que vocês sempre ostentaram. O espaço agora é seu para as suas considerações finais…
Zulbert Buery: Eu fico muito grato, em nome do LEPROVORE, por suas palavras e pelo convite oferecido para participar das suas páginas!!! Sim, temos planos além dos planos e vamos traçando a nossa trilha de sangue. Gostaríamos de agradecer aos que nos apreciam, nos dão suporte e apoiam o nosso trabalho em qualquer parte do mundo! Muito obrigado!!! Hail Dark Recollection Prods., Unholy Domain Records, Symposium of Sickness Prods., My Dark Desire Records, Black Heart Records e Satan’s Grind. Queria também agradecer aos zines que nos deram espaço para divulgar nosso trabalho e ideias. Fica aqui o nosso muito obrigado!!! Total respect! Cheers!!!!!!! Lepro Death Metal!!!!!!
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