Será que eu estaria denunciando a minha idade ao afirmar que conheci os suecos do KATATONIA por meio do seu primeiro álbum, “Dance of December Souls” (1993)? Pois é, cheguei a essa conclusão, até porque já se passaram trinta e dois longos anos desde aquele lançamento até este “Nightmares as Extensions of the Waking State”, de 2025. Uma caminhada extensa, que levou a banda de um direcionamento alicerçado no Death/Doom Metal para uma abordagem mais progressiva, atmosférica e carregada de experimentalismo.
“Nightmares as Extensions of the Waking State” marca o primeiro título do KATATONIA sem a presença do guitarrista e cofundador Anders Nyström. A ausência levantou muitos pontos de interrogação entre fãs e observadores mais atentos. É inevitável lamentar essa saída, já que Jonas Renkse passa a atuar sozinho na função de compositor, sem uma peça-chave que historicamente acrescentava riqueza e complexidade à sonoridade do grupo. Esse fator se mostrou perceptível ao longo da audição, gerando a sensação incômoda de que algo realmente fez falta.
Não é difícil prever que os admiradores da primeira fase do quinteto seguirão pouco entusiasmados com o que é apresentado aqui. O que se ouve é uma visão bastante particular de Renkse, que acaba conferindo ao registro uma aura próxima à de um projeto solo, ainda que sob a marca que o projetou internacionalmente. Não chega a ser um problema em si — o músico escreve muito bem —, mas os seguidores mais exigentes podem enxergar este novo full-length como uma repetição de fórmulas já exploradas. No meu caso, talvez por estar há algum tempo distante da discografia mais recente, a experiência foi positiva e bastante agradável.
São 10 faixas distribuídas ao longo de pouco mais de quarenta e seis minutos. A audição flui de maneira tranquila e envolvente, sustentada por um conteúdo introspectivo, com forte inclinação para o progressivo e o ambiental. São poucos os momentos em que a guitarra assume maior protagonismo, como em breves passagens da abertura “Thrice”, em “Wind of No Change”, com seu refrão hipnotizante, e na derradeira “In the Event Of”. É pouco, sem dúvida, mas, considerando que a proposta segue um direcionamento voltado a climas densos e sombrios, a ausência das seis cordas conduzindo o jogo não chega a incomodar.
Jonas Renkse continua desempenhando muito bem o seu papel, embora algumas semelhanças com Tobias Forge (Ghost) possam ser percebidas por ouvidos mais atentos. Essa proximidade fica especialmente evidente em “Efter Solen”, que incorpora elementos eletrônicos e trechos cantados em sueco. Não por acaso, trata-se da faixa mais “fora da curva” do repertório e também a que mais prendeu minha atenção. Vale mencionar ainda “Lilac”, que ganhou um videoclipe de extremo bom gosto, agradando em cheio aos membros da veterana Napalm Records.
No fim das contas, “Nightmares as Extensions of the Waking State” é uma obra serena, suave e com flertes pontuais com o peso do Metal. Pode não ocupar posição de grande destaque dentro da rica discografia do KATATONIA — e essa leitura é válida —, mas dificilmente comprometerá o atual momento de transição e mudança vivido pelo conjunto. Trata-se de um registro coerente com a fase atual, que dialoga mais com sensações e atmosferas do que com impactos imediatos.