Estar presente de maneira ativa no underground por muitos anos não é tarefa nada fácil! E o que você me diz quando um músico completa vinte e cinco longos ciclos de estrada, inserido em um terreno tortuoso, algumas vezes violento e muitas outras vezes injusto? Pois é, apenas os fortes sobrevivem aos dissabores, para que a glória venha com a respeitabilidade dos seus iguais. Foi nesta mesma caminhada que eu conheci o talentoso Sado Baron Zsandor Kastiphas, que já integrou a linha de frente do Mystifier, além de fazer atualmente parte de outros projetos como Eternal Sacrifice, Beelzeebubth, In Infernal War e Nigrae Lunam. Por ostentar um currículo tão vasto e rico, a equipe da The Ghost Writer Magazine se sentiu na obrigação de conversar com o cara, tendo como foco a sua carreira solo, que nos apresentou em 2022 o excelente debut “Intense Bewitched Instinct”, através da gravadora Brazilian Ritual Records.
The Ghost Writer Magazine: É com imensa honra que entrevistamos um dos principais personagens do cenário da música extrema do Nordeste. Muito obrigado pelo seu tempo, Kastiphas. Como estão as coisas em Salvador? O que tem acontecido de mais importante com relação ao seu projeto solo em 2025?
Kastiphas: Minhas atormentadas considerações pelo convite e a cada um que estiver abrindo os “portais desta dimensão” na leitura. Salvador tem tido bastante atividades nos eventos underground semanalmente ou a cada quinze dias. Muita banda antiga relançando demo tapes em formatos de CD e LPs, além de outras novas surgindo com uma boa responsabilidade musical. Este ano não fizemos a 3ª edição do festival “Blasphemy the Holy Trinity” (como de costume anual), pois estamos reformulando o line-up da banda, com o objetivo de dar andamento nas gravações e composições para mais lançamentos depois do split tape “Serpentis Chaos”, com a nossa aliada Profano Domínio, de Santa Cruz, Bolívia.
The Ghost Writer Magazine: Eu já havia gostado bastante do EP “Negative Current of Nature” (2021), que já demonstrava uma evolução absurda em comparação com a demo “Apenas os Sábios Possuem as Sombras” (2005). Voltando um pouco ao passado, como você avalia os resultados obtidos com o mencionado EP?
Kastiphas: O EP foi um lançamento encabeçado por Andrey, do selo Nascemos Mortos, um dos grandes incentivadores da banda. Ele visualizou um storie postado por mim no Instagram, no qual eu tocava algumas das minhas composições na guitarra e, na sequência, sugeriu que, se eu tivesse algo completo já escrito, ele lançaria. Naquela mesma época, o Antimo Buonamo (ex-Disgorge, do México), da Vomit Records, também nos fez uma proposta interessante. Após o fechamento dos tais acordos, o EP “Negative Current of Nature” foi lançado em 2021 e se saiu muito bem. Sobre a demo “Apenas os Sábios Possuem as Sombras”, na verdade, muitas informações sobre ela estão erradas, diante do que foi realizado por mim e do que eu, na verdade, queria. Algumas pessoas a soltaram na internet sem a veracidade nos detalhes, créditos e, ainda por cima, um indivíduo fez cópias em CD e as espalhou sem o meu consentimento. Os sons não eram vocalizados em sua maioria (não tinham letras em sua totalidade). Eram instrumentais, criações usadas, em sua maior parte, em introduções de demos ou álbuns das bandas das quais eu fazia parte, como a Forsaken, In Infernal War e Eternal Sacrifice. O que ficou sem ser usado, por ser de minha autoria, coloquei o título de KASTIPHAS como um arquivo pessoal. Os primeiros sons foram criações independentes, sem pretensão de distribuição, pois eram registros pessoais que passei em mãos para alguns aliados mais próximos. Esse formato que elaborei atualmente, com o meu projeto solo propriamente dito, chamo de Tormentor Black/Death Metal e foi intencionado para apresentações ao vivo e gravações em estúdio com temáticas explícitas, voltadas para assuntos que os dois membros têm afinidade em comum. Ainda falando sobre “Negative Current of Nature”, esse EP tem bastante importância, pois abriu caminho de existência para a iniciação da canalização das egrégoras.
The Ghost Writer Magazine: “Intense Bewitched Instinct” contou com a produção de Grim Abramelin (Arkhôn Tôn Daimoniôn, Blessed in Fire) no SD Studio. Como foi trabalhar ao lado do profissional e o resultado obtido por vocês foi o almejado desde a concepção da obra?
Kastiphas: Sim, o Grim Abramelin é o nosso aliado de longas datas e é planejado que todas as nossas gravações sejam no SD Studio, usando pré-amplificadores analógicos. Eu estou sempre visando preservar a fidelidade e o timbre orgânico do sinal original, especialmente em contraste com a modelagem digital. O resultado ficou satisfatório e como esperávamos! Médios e graves entoados com uma rispidez nítida nos timbres, além de volumes dentro de uma equalização que destacasse todos os instrumentos, sem desfavorecer a evidência de cada um deles.
The Ghost Writer Magazine: Tatiana Bellini foi a responsável pela ilustração de capa que temos em “Intense Bewitched Instinct”. Como você conheceu o trabalho da artista e o que levou a banda a fechar com ela para assinar a referida obra?
Kastiphas: Fiz um rascunho dessa imagem para a concepção do álbum, que englobasse todas as letras. Mostrei a ideia para o selo e foi proposto que o pessoal da Brazilian Ritual Records contratasse uma ilustração manual (tinta, pincel, nanquim, lápis, papel Canson…), que expressasse com fidelidade todos os detalhes que queríamos, e então indicaram a Tatiana T. Bellini. Ela foi bastante atenciosa e com observações minuciosas para cada intenção específica, nos diversos pontos a partir da ideia do rascunho. Em um mês, foram agendadas algumas reuniões para a análise de cada parte da ilustração, em um processo gradativo até chegarmos à sua conclusão.
The Ghost Writer Magazine: Eu particularmente acho que “Babalon, Mother of Abominations (The Woman with Scarlet Soul)”, com os seus mais de doze minutos de duração, é a principal música encontrada no CD. Complexa e repleta de elementos e camadas, acredito que tenha sido a que mais deu trabalho para ser finalizada. Como se deu o seu processo de composição e do que se trata a sua letra?
Kastiphas: Todas as letras são elaboradas em estados alterados da mente, a partir de uma inspiração criada em um estágio emocional relacionado ao que foi escrito. De forma metafórica ou de uma experiência pessoal, eu criei todos os riffs e esquematizei as estruturas do álbum e da tape há um bom tempo antes da gravação. Porém, fiquei bloqueado para escrever durante um período, até que o Paulo Brasil (meu grande amigo e parceiro no Nigrae Lunam, Misantrophic Evil Doom Metal), em uma das suas introspecções enfeitiçadas com fumaça e encantamentos alcoólicos, me presenteou com essa letra. Daí, então, consegui produzir todas as lacunas que faltavam de uma vez. Ensaiei com Ocvltvs Saathanalivs, na bateria, a dinâmica da música de forma espontânea, para que pudéssemos desenvolvê-la da maneira mais adequada quanto fosse possível. As dicas dele nas marcações do baixo também foram imprescindíveis, e assim foi criado um esqueleto raiz. No estúdio, com a música já estruturada, gravamos o primeiro ato e marcamos a gravação da voz, com a participação de Paulo Brasil recitando as leis de Thelema.
The Ghost Writer Magazine: A letra de “Menstrual Blood Chalice (That Gushes to the Earth)” foi a que mais me chamou a atenção, pelo seu viés sexual, dentro da esfera ritualística que temos no disco. De maneira direta, qual a mensagem que você quis transmitir com ela?
Kastiphas: O ritual de menstruação em noite de luar irrigando a terra é conhecido popularmente como “Plantar a Lua”. É uma prática ancestral e espiritual que envolve a devolução do sangue menstrual à Terra como um ato de reconexão com a natureza e a Lua. A prática baseia-se na antiga crença de que os ciclos femininos e os ciclos lunares e da natureza estão interligados (ambos têm cerca de vinte e oito a vinte e nove dias). “Plantar a Lua” busca restaurar essa conexão perdida na sociedade moderna, como um fluido vital, rico em nutrientes, que possui o poder de gerar vida (sendo um excelente fertilizante natural para plantas). Devolvê-lo à terra simboliza a veneração da fertilidade e da força vital. O ritual é um momento de introspecção, limpeza física e energética, permitindo a renovação e a purificação das memórias celulares uterinas. A “Noite de Luar” potencializa a energia do ritual, alinhando a prática com as fases lunares, sendo a lua nova um período propício para introspecção e a lua cheia para potencializar a fertilidade e a energia criativa. Ressaltando a libido aflorada pelo aumento do fluxo sanguíneo pélvico, que eleva a sensibilidade da região genital; elevação de hormônios como o estrogênio, que se inicia alguns dias após o começo da menstruação; e a liberação de endorfinas, que gera bem-estar e intensifica as sensações prazerosas.
The Ghost Writer Magazine: “Intense Bewitched Instinct”, além do satanismo, possui temas com forte embasamento no Thelema. Qual a importância que a obra filosófica-religiosa criada por Aleister Crowley exerce dentro do seu processo de composição?
Kastiphas: Prezamos bastante as entidades femininas, portanto a criação de “Babalon” é significativa para nossas representações de ideais. Ela é frequentemente associada ao sistema de crenças da Thelema, a qual representa a força feminina da criação, a transmutação do impuro em sagrado e o estado de consciência que abraça totalmente a experiência. Em contraste com figuras passivas, ela é ativa, autônoma e o símbolo do cálice sagrado. Ela é a “Mulher Escarlate do Apocalipse”, explicitada no ocultismo. Podemos ressaltar a 4ª faixa do álbum, “The Nervous Dust That Invokes the Exalted Dimension (Satanic Drugs in Insane Rites With Alcohol)”, que foi criada com base em relatos metafóricos de experiências de um estado aflorado e sensível de encantamento espiritual. E este é um dos estudos de Crowley, quando atentamos para a questão da busca de sabedoria por estados elevados da mente, substanciados por entorpecentes.
The Ghost Writer Magazine: O KASTIPHAS tem realizado diversos shows pelo país em suporte ao debut “Intense Bewitched Instinct”. Como têm sido tais apresentações e como os bangers têm respondido aos hinos contidos no álbum?
Kastiphas: Nas nossas apresentações, temos o intuito de projetar o que as letras expressam. Brindando com cálices para ressaltar o sangue, que seja do tormento, da menstruação ou em seus vários outros pontos de vista do sangrar. Exaltamos o fogo com tochas, cuspindo chamas de fogo nos espaços que são convenientes de executar. Temos aliados de longas datas que nos acompanham e sempre estão presentes nas celebrações de nossa cidade. No nosso público com menos idade, sinto uma vibração e curiosidade bastante exaltadas para absorver a nossa atmosfera. Quando estamos no desenrolar de cada apresentação, conseguimos observar as expressões, berros e palavras intensas a cada momento em partes específicas. Nosso show tem uma dinâmica mais carregada, seja nas reverberações de tormentos arrastados ou na agressividade explosiva em seus auges de pico.
The Ghost Writer Magazine: Um show em especial marcou a carreira do KASTIPHAS, quando o projeto se apresentou em São Paulo, no dia 25 de março de 2023. Na ocasião, você dividiu o palco com nomes como Blasphemy, Morbosidad, Witchcraft e Mystifier, quando ocorreu a última edição do Brazilian Ritual Festival. O que você pode nos relatar sobre essa noite em específico?
Kastiphas: Um ano antes do evento, recebi uma ligação do nosso nobre irmão e aliado das trevas, o Eduardo Beherit, para participar da celebração. O Eduardo Beherit é meu amigo há muitos anos e temos vínculos desde a minha participação com o Mystifier no 1º Brazilian Ritual, no interior de São Paulo, e na Alemanha (Berlim), em pleno evento Nuclear War Now, no retorno das atividades do Blasphemy, em 2010. Satisfação total celebrar a nossa primeira apresentação através do selo que lançou o “Intense Bewitched Instinct”, juntamente com o seu braço direito, Marcelo Fidelis, nosso grande irmão também. O Brazilian Ritual é um dos estandartes mais valiosos de suporte ao Metal Extremo Underground dessa dimensão bestial que nos rodeia. Com certeza foi uma oportunidade ímpar nos dias 25 e 26 de março de 2023, no Hangar 110, de São Paulo. Rever grandes amigos que conheci nas turnês do exterior e amigos mais próximos de toda a parte do Brasil, em dois dias de pura devoção ao Metal Negro, não tem preço. E aqui segue o nosso hail para o Blasphemy, Death Worship, Mausoleum, Bode Preto, Morbosidad, Mystifier, Witchcraft (que contou com a participação especial de Sodomatic Slaughter executando clássicos do Beherit), Goat Semen e Tormentador.
The Ghost Writer Magazine: A cena de Salvador não é conhecida apenas pela qualidade das suas bandas, mas por ter passado por diversas fases complicadas. Muitos dos casos de violência eram atribuídos a uma parcela do público e membros de bandas mais extremistas, o que acabou por manchar o coletivo como um todo. Como está o cenário atualmente na capital baiana e como você se posicionava diante dos episódios mais viscerais do passado?
Kastiphas: Realmente, existem muitas histórias e acontecimentos presenciados e retransmitidos no decorrer do tempo, com amigos em comum e por experiência própria. Eu, particularmente, já defendi pessoas mais velhas tomarem camisetas dos novatos que iam aparecendo. Analiso que, se a pessoa é nova, está no momento de aprendizado e modelagem da personalidade, sendo responsável pelos seus ideais e sobre o que veste ou escuta. Atitudes truculentas, a depender da pessoa e do que foi repreendido, são justificadas em determinadas circunstâncias. Em Salvador, a “roda de fogo” sempre foi altamente agressiva, como na entrada dos eventos, nas portas de estúdios e em lojas especializadas. Não era raro, inclusive, ocorrerem brigas generalizadas em certos momentos. Os adolescentes e os jovens de anos atrás hoje são adultos e senhores, então já estão com outra visão de mundo e maturidade. As rodas continuam explosivas, porém não tão drásticas e extremistas como antes. E os conflitos pessoais estão sendo travados com o auxílio das ferramentas digitais, muito mais do que presencialmente, em 2025.
The Ghost Writer Magazine: Recentemente fomos informados que o KASTIPHAS fará parte de um lançamento no formato de split, encabeçado por um selo boliviano. Você poderia nos dar mais detalhes acerca deste lançamento?
Kastiphas: O lançamento será pelo Vocíferos Malditos Prods., em formato pro tape, limitada em cinquenta cópias, juntamente com o Profano Domínio, de Santa Cruz, Bolívia. O split, intitulado “Serpentis Chaos”, contará com 4 faixas de cada banda, além de uma “intro” e uma “outro”. A capa foi composta por Emerson Maia, de Salvador (BA), o qual tem grande atividade nas criações de artes e logos em nossa cidade. É um selo sul-americano (com lançamentos no Brasil e Bolívia, entre outros países), focado em bandas de Black Metal, Death Metal e gêneros underground similares. Posteriormente, sairá em formato de CD também. Vamos aguardar…
The Ghost Writer Magazine: Entre os anos de 2000 e 2013 você fez parte de uma das melhores formações do Mystifier. Quais as principais recordações que você carrega dessa fase da sua carreira?
Kastiphas: Um evento marcante foi a viagem para Berlim, em 2010, para uma apresentação no Nuclear War Now, em dois dias insanos de bestialidade sonora. Foi neste evento que se marcou o retorno aos palcos dos nossos grandes aliados e amigos do Blasphemy, inclusive. Uma grandiosa celebração, com quantidade bastante considerável de público sedento pelo underground. Todas as experiências trazidas pelas turnês que fizemos pelo Brasil me fizeram conhecer grandes amigos que fazem parte desse ciclo de interação durante todos esses anos, dividindo os palcos e nos encontrando pelos caminhos em comum. Uma das mais importantes recordações, por também ter sido um enorme desafio, foi quando eu precisei assumir o posto de vocalista, mas também mantendo as minhas funções de baixista e tecladista. Me recordo das ininterruptas frequências de treinos nas letras, focado em desenvolver a dicção correta nas pronúncias. Foi bem difícil, mas isso me trouxe muita experiência.
The Ghost Writer Magazine: Além do Mystifier, você esteve envolvido em diversos outros projetos no decorrer dos últimos anos. Quais bandas podemos apontar como as suas prioridades neste 2025, excetuando-se aí a sua carreira solo?
Kastiphas: Estamos em processo de gravação com o Nigrae Lunam para um split com o Ancestral Cântico. Esse material antecederá a produção do nosso full-length, que já foi composto há um bom tempo. O Necromante, no qual gravo sempre os teclados e vozes nas “intros”, lançou recentemente um split em LP, “Malokarpatan/Necromante – 7” Split”, limitado em duzentas e cinquenta cópias. Outro lançamento do Necromante será o split tape “Necromante/Decayed”, que logo receberá também uma versão em CD. Atualmente, estou atuando como vocalista, baixista e tecladista do Necromante, agora focado no andamento das composições visando às gravações de dois singles, um show com a formação atual no Brasil e alguns no exterior. Sou também baixista e tecladista da maranhense Namroth Blackthorn. Recentemente, confirmamos a nossa presença no evento “Culto às Artes Negras Ato IV” (Manaus), em 2026, e estaremos relançando a demo “Escuridão Suprema” o quanto antes. Acredito que, por ora, seja isso!
The Ghost Writer Magazine: Kastiphas, novamente obrigado pela sua disponibilidade. Caso algum assunto não tenha sido abordado nesta pauta, gostaríamos imensamente que seja sugerido por você nas considerações finais…
Kastiphas: Atualmente, o grupo passou por uma mudança na formação e estamos com um novo baixista, o Gerson “Odium”, aliado e amigo de muitos anos, e que tem a atmosfera propícia para se integrar a este tormento em conjunto. O Elder Sextrash teve uma passagem como integrante anteriormente, desde a nossa primeira apresentação, e foi de bastante importância a sua permanência como amigo e integrante na banda. Agradeço ao time da The Ghost Writer Magazine pela interação, resenha e perguntas bem elaboradas. Agradeço também ao Eduardo Macedo, amigo que conheço da Bahia há muitos anos. Meus cumprimentos aos que se conectam intrinsecamente e absorvem as manifestações das minhas composições e ideais em comum, dando força a essa atmosfera que ecoa pelo universo. O que a voz não fala, a alma exala!! Atormentemos os importunos desprazeres da alma e regurgitemos a trindade sagrada, anulando com blasfêmia a inconveniência petulante dos que nos afrontam. Meus atormentados cumprimentos!!!
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