Artista: Judas Priest (Inglaterra) & Queensrÿche (Estados Unidos)
Evento: Invincible Shield World Tour
Cidade/Estado/País: São Paulo – São Paulo – Brasil
Local: Vibra São Paulo
Data: 20 de Abril
Ano: 2025
Produtora: Mercury Concerts
Eu gostaria de começar este texto de uma forma bem diferente da que estou habituado. Quero iniciar com uma pergunta para você, caro leitor. Caso você tivesse a oportunidade de assistir Queensrÿche e JUDAS PRIEST duas vezes em um intervalo de poucos dias, decidiria ir ou passaria a bola?! Pois é, não creio que tal questão cairá em alguma prova do ENEM, até porque até a minha querida mãe saberia responder! E foi dentro deste contexto maravilhoso que a equipe do portal decidiu confirmar a cobertura da dupla, que foi realizada em 20 de abril na belíssima Vibra São Paulo.
Foi há quase exatamente um ano que visitamos a Vibra São Paulo, para acompanharmos in loco a passagem de Bruce Dickinson (Iron Maiden) pelo país, em suporte ao excelente e recém-lançado “The Mandrake Project”. E tenho que enaltecer novamente as dependências de lá, pois é uma estrutura digna das melhores do mundo. Ambiente climatizado, logística de serviços de bar de primeiro mundo, banheiros sempre higienizados e um salão extra que, na ocasião, estava tendo uma exposição de motocicletas de todos os tipos que você possa imaginar. Quem tiver a chance, não deixe de conhecer.
Nós enfrentamos um engarrafamento terrível até nos aproximarmos do local, mas tivemos a sorte de conseguir chegar faltando poucos minutos para a entrada do Queensrÿche, que havia nos deixado de queixo caído dias antes no Monsters of Rock, principalmente pela atuação matadora do seu vocalista Todd La Torre (Bad Penny, ex-Crimson Glory). Desta feita, com novas e melhores condições de trabalho, os norte-americanos voltaram a esbanjar técnica, virtuosismo e extremo bom gosto na escolha do setlist.
Poucas diferenças foram percebidas com relação ao que foi apresentado pelo quinteto no Monsters of Rock. Enquanto na outra ocasião tivemos as presenças de “The Mission” e “Nightrider”, aqui contamos com a inserção de “Breaking the Silence”, mais uma do mega clássico “Operation: Mindcrime” (1988). As trocas foram bem sutis e, no geral, não causaram quase nenhum impacto adicional nos presentes que também estavam no estádio do Palmeiras.
E, como não poderia ser diferente, a espinha dorsal da apresentação do Queensrÿche foi “Operation: Mindcrime”. Todos ali já aguardavam por isso e não vi ninguém se queixando, muito pelo contrário. Também bastante enaltecido foi o seu EP de estreia, com as aparições das ótimas “Queen of the Reich” e “The Lady Wore Black”, além de “Walk in the Shadows” e “Screaming in Digital”, ambas de “Rage for Order” (1986). Compilação muito celebrada entre os seus fãs mais antigos.
“Warning” (1984) foi destacado com a faixa-título e com a sempre presente “Take Hold of the Flame”. E, mais uma vez, La Torre rouba a cena, sempre com tons agudos e poucos deslizes; o cara é um substituto à altura de Geoff Tate e, atualmente, me arrisco a dizer que ele supera o coroa com sobras. Além dele, o líder e guitarrista Michael Wilton continua conduzindo o seu instrumento como poucos, esbanjando vitalidade após ter completado 64 anos de idade.
A participação do baterista Casey Grillo (ex-Kamelot) trouxe muita consistência para a cozinha da banda, completada pelo baixista Eddie Jackson (ex-Rising West). A dupla ganhou protagonismo em “Empire”, que foi popularmente difundida quando os caras participaram do Rock in Rio II, em 1991. Foi nesse momento que mais me empolguei com o que eu estava vendo acontecer no palco, pois o referido álbum marcou uma fase importante de descobertas na minha vida.
O Queensrÿche finalizou com “Screaming in Digital” e “Eyes of a Stranger”, talvez duas das que mais esperávamos serem mais uma vez apresentadas para a audiência. E, para não perder a fama de ser chato, a teimosia de não incluir “Silent Lucidity” e “Jet City Woman” nos chateou, mas não ofuscou a sua atuação que, inclusive, me fez sair de lá e correr para comprar a sua discografia em CD.
O intervalo entre as bandas foi mínimo e, quando menos esperávamos, o JUDAS PRIEST já estava entre nós com o seu Heavy Metal Tradicional cheio de luzes, spykes, couro e a (quase) mascote Harley-Davidson. O repertório aqui foi ainda menos imprevisível do que o que demonstrou o Queensrÿche, já que apenas “Saints in Hell”, de “Stained Class” (1978), foi acrescida. Uma pena, pois a expectativa era de uma maior variedade de canções entre um espetáculo e outro.
Absolutamente tudo no show do PRIEST é ensaiado, e isso demonstra um nível de profissionalismo absurdo. Desde a entrada, com todos à frente sendo revelados ao cair de uma enorme cortina, até o final do set, quando em “Hell Bent for Leather” Halford retorna montado na sua Harley-Davidson, confrontando o guitarrista Andy Sneap, simulando uma briga. Todos os detalhes são minimamente ensaiados; até as falas e anúncios das músicas estão inclusos. Impossível esquecer da revelação de “Painkiller”, com Scott Travis assumindo o microfone e agradecendo a todos que ali estavam e enfatizando que eles só tinham tempo para mais uma música. A deixa perfeita, não é mesmo?!
Rob Halford (voz), Richie Faulkner (guitarra), Andy Sneap (guitarra), Ian Hill (baixo) e Scott Travis (bateria) são, de fato, um time que tem dado certo, tanto nas reproduções de grandes clássicos como “You’ve Got Another Thing Comin’”, “Breaking the Law” e “Living After Midnight”, quanto nas mais recentes de “Invincible Shield” (2024), como “Panic Attack” e a bela balada “Crown of Horns”. Desta maneira, todas se entrelaçam, tornando cada ato parte de um todo, como em uma peça teatral bem montada.
“Victim of Changes”, abertura de “Sad Wings of Destiny” (1976), foi novamente o ponto alto, segundo a nossa equipe. É nela que Halford consegue imprimir todo o seu tino para dramaticidade, o que acaba por levar muitos dos mais entusiasmados às lágrimas. Outra que exerce este mesmo fascínio é a cover do Fleetwood Mac, “The Green Manalishi (With the Two Prong Crown)”, com o seu acentuado lado roqueiro que leva os fãs a participarem em diversos momentos, acompanhando os riffs com coros pra lá de empolgantes.
As festivas “Breaking the Law” (imprescindível) e “Riding on the Wind” são extremamente convidativas para o consumo de cerveja. São nessas passagens que mais vemos as pessoas se abraçando, se confraternizando, por fazerem parte de uma mesma tribo, uma mesma comunidade. É de emocionar o quanto o JUDAS PRIEST consegue promover este tipo de interação entre as pessoas através da sua música, ainda mais nos tempos atuais, em que os seres humanos estão cada vez mais individualistas e fechados nos seus respectivos mundos.
Não preciso dizer que “Painkiller” quase levou a casa abaixo, não é mesmo?! Com Travis introduzindo-a com o arranjo de bateria mais popular do mundo, os bangers formaram um único bloco, o qual era impossível ficar parado. Para você ter uma ideia, eu me posicionei bem atrás no salão principal, e até lá a gigantesca roda acabou chegando. O frenesi foi geral e só foi parcialmente comparado quando chegou a vez de “Electric Eye” e “Hell Bent for Leather” roubarem as atenções. Naquela altura, eu já estava completamente esgotado, mas ainda assim consegui berrar as letras das duas por completo.
“Living After Midnight” foi o encerramento, com o corriqueiro alto astral que ela entrega. Este desfecho é algo similar ao que os seus conterrâneos da Donzela de Ferro promovem desde que o mundo é mundo ao executarem “Iron Maiden” toda noite, onde quer que estejam. Tradicionalismo é a máxima aqui, até porque tem tudo a ver com a sonoridade clássica que denota a carreira destes dois ícones da música pesada mundial. Um enorme hail ao JUDAS PRIEST e, espero imensamente, que um dia possamos nos reencontrar.
Judas Priest Setlist:
01. Clarionissa (Intro)
02. Panic Attack
03. You’ve Got Another Thing Comin’
04. Rapid Fire
05. Breaking the Law
06. Riding on the Wind
07. Love Bites
08. Devil’s Child
09. Saints in Hell
10. Crown of Horns
11. Sinner
12. Turbo Lover
13. Invincible Shield
14. Victim of Changes
15. The Green Manalishi (With the Two Prong Crown)
16. Painkiller
17. The Hellion (Intro)
18. Electric Eye
19. Hell Bent for Leather
20. Living After Midnight
Queensrÿche Setlist:
01. Queen of the Reich
02. Operation: Mindcrime
03. Walk in the Shadows
04. Breaking the Silence
05. I Don’t Believe in Love
06. Warning
07. The Lady Wore Black
08. The Needle Lies
09. Take Hold of the Flame
10. Empire
11. Screaming in Digital
12. Eyes of a Stranger
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