Artista: Hellway Train
País: Brasil
Álbum: Lockdown Reborn
Gravadora: iHells Productions
Licenciamento: Rocketz Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2021
Me venderam o grupo mineiro HELLWAY TRAIN como a versão brazuka do Judas Priest. Mas como já vi esse tipo de promessa antes, preferi manter certa desconfiança até escutar, de fato, o curtíssimo “Lockdown Reborn”. A curiosidade falou mais alto quando recebi uma cópia em K7, formato que reforça a proposta nostálgica e amplia a sensação de imersão, sobretudo por se tratar de um projeto claramente inspirado no Heavy Metal Tradicional moldado nos anos 1980. A própria escolha da mídia física reforça a intenção de dialogar diretamente com ouvintes que valorizam esse período histórico.
Logo nos instantes iniciais de “Bomberman”, após a breve introdução “Off the Rails”, ficou evidente que a comparação entre o HELLWAY TRAIN e o Judas Priest não soa forçada. A semelhança é tão clara que não seria exagero afirmar que os caras poderiam lançar também um tributo dedicado aos ingleses sem qualquer constrangimento. Em vários momentos, a sensação é de estar diante de uma homenagem direta, feita com total consciência estética.
Marc Hellway é peça central nessa associação. Sua interpretação remete de forma impressionante a Rob Halford, chegando a soar mais próxima do vocal clássico do Judas Priest do que a de Tim “Ripper” Owens, que assumiu o microfone nos álbuns “Jugulator” (1997) e “Demolition” (2001). Isso pode levantar dúvidas sobre personalidade própria, porém é impossível ignorar a competência técnica e o timbre agradável, que se encaixa perfeitamente no universo da NWOBHM e tende a agradar seguidores desse nicho específico do Metal britânico.
O EP “Lockdown Reborn” se conecta diretamente com a fase mais metalizada do Judas Priest, especialmente a de “Painkiller” (1990). Dentro desse contexto, “Bomberman” e “Metal Widow” funcionam como pontos de maior impacto. “Metal Widow”, em especial, se aproxima de “Between the Hammer & the Anvil” tanto na estrutura quanto na condução melódica de Marc, algo que pode causar incômodo entre ouvintes mais rigorosos, mas que, na minha avaliação, entrega um efeito convincente e bem executado.
“Pride is a Riot” poderia figurar sem dificuldade no repertório de “Screaming for Vengeance” (1982) e acabou sendo o tema que mais despertou minha atenção. O refrão gruda facilmente na memória e tem tudo para cair nas graças de quem acompanha esse tipo de sonoridade. O encerramento vem com “Claustrophobiac”, uma track mais cadenciada, densa e introspectiva. Alguns riffs remetem ao Iron Maiden do começo de carreira, criando uma combinação interessante com a influência dominante do Judas Priest e ampliando levemente o leque de referências.
O pacote inclui o bônus “Desordem/Regresso”, que deixa explícita a posição política da formação contra o governo atual por aqui. Com letra direta e forte em português, o tema merecia integrar a tracklist principal do material. Caso a exclusão tenha ocorrido por decisão da gravadora, considero um erro absurdo, já que o conteúdo acrescenta contexto, discurso e personalidade ao produto apresentado.
No fim das contas, o HELLWAY TRAIN aposta em um Heavy Metal de orientação tradicionalista, sustentado por inspirações claras do Judas Priest, Iron Maiden e congêneres desse mesmo universo. A banda é bem-sucedida nessa missão? Sim! Porém, para um disco completo, seria interessante que os músicos buscassem uma assinatura própria — algo mais autoral e menos centrado em seus ídolos.
Formação:
Marc Hellway (vocalista)
Vinícius Thram (guitarrista)
João Brumano (guitarrista)
Chris Maia (baixista)
Jon Albert (baterista)
Tracklist:
01. Off the Rails
02. Bomberman
03. Metal Widow
04. Pride Is a Riot
05. Claustrophobiac
06. Desordem/Regresso






