HEADHUNTER D.C.: Rise of the Damned
Postado em 06/06/2026


Artista: Headhunter D.C.
País: Brasil
Álbum: Rise of the Damned
Gravadora: Mutilation Records
Licenciamento: Mutilation Records
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2026

Eu preciso tomar muito cuidado quando começar a escrever sobre os baianos do HEADHUNTER D.C., para não incorrer na repetida crítica que faço quanto à falta de periodicidade adequada dos seus lançamentos inéditos. Mas se isso também vez ou outra ocorre, é porque estamos falando de um grupo que, quando volta o seu foco para a criação de novos álbuns, acaba roubando todas as atenções da mídia especializada e dos fãs de Death Metal ao redor do mundo.

Pois bem, finalmente, depois de mais de 14 anos de espera, temos em mãos “Rise of the Damned”, sexto e mais recente ataque sonoro do (agora) trio. E como o disco está soando? Se você espera o bom e velho HEADHUNTER D.C. de sempre, acertou em cheio! O que temos aqui é o Death Metal balizado na antiga escola do gênero e que em nada foge da premissa de servir como um símbolo de resistência na mais abrangente concepção da palavra. A máxima, como ocorreu em todos os seus antecessores, é manter inalterada a estética crua e visceral do Metal da Morte, bebendo principalmente da fonte do que existiu de melhor nos anos 1980 e 1990.

“Rise of the Damned” foi gravado, mixado e masterizado no Estúdio do Beco, em Salvador, Bahia, sob a condução do engenheiro de som Vicente Fonseca e com produção do vocalista Sérgio “Nekrobaloff666” Borges, que também assinou a autoria de todas as faixas, exceto “In Death Metal We Trust”, que contou com a parceria do ex-guitarrista George Lessa (God Funeral). Ou seja, novamente, assim como ocorreu em “…in Unholy Mourning…” (2012), Sérgio assumiu o compromisso de ser o epicentro criativo do grupo e tem se saído muito bem na função, diga-se.

O trabalho também reservou algumas surpresas que são dignas de nota. As participações especiais dos ex-guitarristas Paulo Lisboa (Headkrüsher, Steel Fist) e Fábio Nosferatus (Bastard, Dead Orbs), além do também veterano Jafet Amoêdo (Malefactor), trouxeram maior diversidade sonora ao caos proposto, elevando bastante a qualidade do full-length. Enquanto Paulo emprestou sua vasta experiência com um solo matador em “Burn the Book of Lies”, arriscando-se também ao violão em “Praeludium ad Ascensionem Haereticorum (Instrumental)”, Nosferatus entregou versatilidade em “No Salvation from Above”, enquanto Amoêdo imprimiu mais melodia e técnica na faixa-título, que já é forte candidata a clássica.

A arte da capa é uma verdadeira homenagem ao que existe de mais fundamental no Death Metal, que é o seu direcionamento orgânico, geralmente com ilustrações realizadas à mão. Neste aspecto, impossível não enaltecer o artista Marcus Miller, que acertou em cheio ao retratar o que a verdadeira ascensão dos amaldiçoados deve representar. E quem for um pouco mais atento perceberá alguns easter eggs interessantes, como a referência sucinta ao Possessed. Mal vejo a hora de pegar a minha versão em LP, tendo em vista que novos detalhes deverão ficar ainda mais nítidos do que no CD físico ou no arquivo digital.

“One Thousand Apocalypses” e “In Death Metal We Trust” foram os primeiros singles extraídos de “Rise of the Damned”, mas arrisco-me a dizer que “Possessed, Obsessed” talvez merecesse maior destaque. Novamente, e não por acaso, o indicativo de que Sérgio resolveu abrir maior espaço para enaltecer a vida e a obra de Jeff Becerra (Possessed) veio bem a calhar e deverá cair no gosto popular com maior facilidade. Afinal de contas, quem é capaz de idolatrar o Death Metal e não reconhecer a importância de Jeff dentro deste movimento cultural? De fato, seria contraditório, para dizer o mínimo.

Eu gostei bastante de “Rise of the Damned”, até porque ele não foge do que o HEADHUNTER D.C. vem disseminando desde “God’s Spreading Cancer” (2007). E o que, para alguns, pode soar mais do mesmo, para os reais seguidores do estilo, é apenas a continuação de uma trajetória honrosa e ilibada dentro do underground. E aqui preciso fazer um último registro: “Rise of the Damned” é integralmente dedicado à memória da irmã do vocalista Sérgio “Nekrobaloff666” Borges, que deixou saudades para a sua família em 2016. Lindo gesto, que coroa a atual fase de reestruturação que a banda vem atravessando em 2026.

Formação:

Sérgio “Nekrobaloff666” Borges (vocalista)
Danilo “D. Morbidus” Coimbra (guitarrista, baixista)
Daniel Brandão (baterista)

Tracklist:

01. …40 Years ‘ Deathmarch (intro)
02. Unblessed by the Unsacred
03. No Salvation from Above
04. Burn the Book of Lies
05. Gospel of Doom
06. The Dysangelist
07. One Thousand Apocalypses
08. Praeludium ad Ascensionem Haereticorum (instrumental)
09. Rise of the Damned
10. Possessed, Obsessed
11. In Death Metal We Trust

 
Categoria/Category: Reviews

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