Artista: God Dethroned
País: Holanda
Álbum: The Judas Paradox
Gravadora: Reigning Phoenix Music
Licenciamento: Valhall Music
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2024
Já conheço a holandesa GOD DETHRONED há muitos anos, mas nunca me senti realmente motivado a acompanhá-la de forma mais próxima. Evidentemente, sempre soube da importância e da respeitabilidade conquistadas desde a década de 1990, sustentadas por registros consistentes e temáticas recorrentes ligadas a conflitos históricos que marcaram a humanidade, além de abordagens de cunho antirreligioso. Nada exatamente surpreendente quando falamos de Blackened Death Metal, convenhamos.
“The Judas Paradox” marca o décimo segundo registro da trajetória do quarteto e, como o próprio nome indica, a investida contra o cristianismo volta ao centro da narrativa, agora munida de um arsenal sonoro e conceitual bem definido. Ainda assim, não se trata de uma repetição automática de fórmulas antigas. Os anos de estrada claramente contribuíram para o amadurecimento criativo dos compositores, especialmente do líder Henri Sattler, que aqui assina uma condução mais sóbria e estratégica. Dito isso, considerei brilhante a escolha de adotar como eixo narrativo o ponto de vista do próprio Judas Iscariotes acerca de sua traição a Jesus de Nazaré. Intrigante.
Ao clicar no play, imaginei que “The Judas Paradox” me entregaria uma pancadaria ininterrupta, acentuada por gritos de blasfêmia por todos os lados. Felizmente, estava enganado. A faixa que dá nome ao trabalho soa como um encontro bastante inspirado entre o Samael da fase “Ceremony of Opposites” (1994) e as melodias características de Sakis Tolis, referência incontornável do Rotting Christ. A surpresa foi tão positiva que baixei completamente a guarda para o que viria em seguida, sem qualquer receio. Uma decisão mais do que acertada.
“Rat Kingdom” surge logo depois e não à toa foi escolhida como o primeiro single enviado à imprensa especializada. As marcações iniciais do baterista Frank Schilperoort abrem caminho para um riff envolvente, que se desenvolve antes da aceleração do andamento assumir o controle. Vale destacar a inteligência com que Schilperoort intercala blast beats e variações rítmicas, alternando caixa e chimbal com precisão cirúrgica. Esse cuidado impede que as tracks soem lineares, previsíveis ou excessivamente semelhantes entre si, enriquecendo a experiência do ouvinte.
Entre os momentos que mais me agradaram está “Kashmir Princess”, que resgata novamente a cadência fúnebre típica dos suíços do Samael, em uma referência estética clara e bem assimilada. Aqui, riffs frios e camadas carregadas de densidade conseguem transmitir sentimento de forma quase palpável, contrastando diretamente com a agressividade veloz de “Hubris Anorexia”. Esta última começa com uma carga extrema de violência sonora antes de desacelerar para uma passagem mais intimista, onde surgem alguns dos melhores solos do registro. Sattler e Meester demonstram domínio absoluto tanto na técnica quanto na escolha de timbres, entregando uma aula de bom gosto e controle. Dá gosto de ouvir!
Também é impossível ignorar a conexão com os primeiros anos do Septicflesh em diversas passagens de “Hailing Death”. A melodia melancólica presente no riff principal, repetida de maneira consciente, transporta o fã diretamente da Holanda para a Grécia em questão de segundos. As semelhanças com as texturas de clássicos como “Mystic Places of Dawn” (1994) e “Έσοπτρον” (1995) são evidentes. Fica o desafio para quem quiser discordar.
No fim das contas, “The Judas Paradox” me forçou a fazer uma verdadeira reparação histórica em relação ao meu antigo distanciamento da GOD DETHRONED. E, sendo justo, essa falta de atenção não foi um equívoco exclusivamente meu. O quarteto merece, há tempos, uma posição de maior relevância dentro da cena extrema como um todo. Resta torcer para que este disco seja o ponto de virada definitivo e os coloque, finalmente, no primeiro escalão do Metal Extremo mundial.
Formação:
Henri Sattler (vocalista, guitarrista)
Dave Meester (guitarrista)
Jeroen Pomper (baixista)
Frank Schilperoort (baterista)
Tracklist:
01. The Judas Paradox
02. Rat Kingdom
03. The Hanged Man
04. Black Heart
05. Asmodeus
06. Kashmir Princess
07. Hubris Anorexia
08. The Eye of Providence
09. Hailing Death
10. Broken Bloodlines
11. War Machine
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