ENSIFERUM: Winter Storm
Postado em 18/10/2024


Artista: Ensiferum
País: Finlândia
Álbum: Winter Storm
Gravadora: Metal Blade Records
Licenciamento: Heavy Metal Rock
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2024

Vindo da gélida Finlândia, o ENSIFERUM se consolidou, desde o lançamento de seu debut homônimo, em 2001, como um dos principais representantes do Folk Metal em escala global. Ano após ano, turnê após turnê, o grupo manteve uma discografia sólida e coerente, que atingiu um ponto alto com “Thalassic” (2020). Contudo, a chegada da pandemia de COVID-19 afetou diretamente todo o cronograma de ações, interrompendo uma sequência que parecia inabalável.

Somente em 2024, quatro anos depois do antecessor, “Winter Storm” veio a público cercado das melhores expectativas, tanto por parte da Metal Blade Records quanto dos fãs, que aguardavam ansiosamente por um novo capítulo na trajetória do ENSIFERUM. Confesso que me incluo nesse grupo: sempre acompanhei a carreira da banda e senti, sim, um certo vazio provocado por essa quebra forçada na regularidade dos lançamentos.

Markus Toivonen segue como o principal compositor, responsável por praticamente todo o repertório de “Winter Storm”. Desta vez, ele contou com um intervalo maior para estruturar as canções, consequência direta do período de confinamento imposto pela pandemia. A única exceção atende pelo nome de “Fatherland”, assinada pelo baixista Sami Hinkka e que, por gosto pessoal, acabou sendo a que mais me conquistou em todo o material.

As letras de “Winter Storm” são baseadas em um livro de fantasia atualmente em desenvolvimento por Toivonen. Embora essa obra literária ainda não tenha sido publicada, o conteúdo apresentado aqui já é suficiente para criar um real sentimento de ansiedade. Torço para que o livro seja distribuído e traduzido para outros idiomas, pois encarar o texto em suomi deve ser quase tão desafiador quanto tentar compreender élfico apenas assistindo aos filmes de “O Senhor dos Anéis”. Brincadeiras à parte, a narrativa me envolveu e despertou curiosidade genuína.

O álbum foi produzido por Janne Joutsenniemi, com mixagem e masterização assinadas por Jens Bogren. Admito que Janne não era um nome familiar para mim, mas Bogren dispensa apresentações: ele já trabalhou com Opeth, Dimmu Borgir, Sepultura, Arch Enemy, At the Gates, Katatonia, entre tantos outros. Só essa lista já antecipa o cuidado técnico aplicado aqui. “Winter Storm” soa pesado, cristalino e encorpado, pedindo que a experiência aconteça em equipamentos de boa qualidade para que todo o refinamento seja plenamente percebido.

Uma grata surpresa é a participação especial da cantora Madeleine Liljestam, da Eleine, na belíssima “Scars in My Heart”. Sua presença adiciona uma conotação medieval marcante, impossível de ignorar. Ao ouvi-la, é difícil não pensar na série de jogos “The Witcher” ou mesmo em algo que poderia ter surgido após uma imersão na discografia do projeto Blackmore’s Night, de Ritchie Blackmore (ex-Rainbow). Sem exageros, trata-se de um dos grandes destaques do disco.

Outras colaborações também merecem menção, como Lassi Logrén, responsável pelo nyckelharpa — instrumento tradicional sueco — e pelo violino, além de Mikko Mustonen, encarregado das orquestrações. Em especial, Mustonen contribuiu decisivamente para conferir ao título uma atmosfera grandiosa, quase operística. Em determinados momentos, o que se ouve remete a trilhas sonoras de longas-metragens de fantasia, tamanho o impacto e a força sonora alcançados.

Ao comparar “Winter Storm” com álbuns mais antigos, percebe-se uma inclinação maior ao Power Metal, deixando o Folk em segundo plano. Isso pode causar estranhamento em parte do público, mas não representa uma ruptura brusca em relação a “Thalassic”. Quem aprovou o trabalho anterior dificilmente deixará de apreciar este novo capítulo. A linguagem permanece bastante próxima, com diferenças sutis, perceptíveis apenas a ouvidos mais atentos.

Esse viés mais Power fica evidente em faixas como “Winter Storm Vigilantes” e “Fatherland”, enquanto a face mais folclórica se destaca em “Scars in My Heart” e “The Howl”. Todas exploram alternâncias entre vozes limpas e guturais, enriquecendo as composições. Esse equilíbrio talvez seja o maior trunfo do álbum, capaz de agradar até quem normalmente não se identifica com sonoridades mais pesadas. A carga pesada está presente, mas envolta em camadas melódicas que tornam a audição acessível e fluida.

“From Order to Chaos” fecha meus destaques pessoais. Com mais de oito minutos, é a canção mais épica e diversificada do repertório. Nela, o ENSIFERUM arrisca um pouco mais, alternando andamentos e arranjos, criando uma verdadeira viagem sonora que merece atenção redobrada. Aqui, Markus Toivonen parece reunir os principais elementos que tornam o time tão relevante dentro desse nicho do Metal.

No fim das contas, “Winter Storm” é um full-length rico, diverso e perfeitamente alinhado às expectativas do fã do quinteto, que aguardava há tempos por esse retorno. Sem mudanças radicais ou apostas imprevisíveis, Markus e sua equipe entregaram um trabalho seguro, consistente e fiel ao alto padrão estabelecido anteriormente. Jogando em terreno conhecido, arriscaram pouco — e, desta vez, acertaram em cheio.

Formação:

Markus Toivonen (vocalista, guitarrista, tecladista)
Sami Hinkka (vocalista, baixista, violonista)
Petri Lindroos (vocalista, guitarrista)
Janne Parviainen (baterista)
Pekka Montin (tecladista)

Tracklist:

01. Aurora
02. Winter Storm Vigilantes
03. Long Cold Winter of Sorrow and Strife
04. Fatherland
05. Scars in My Heart
06. Resistentia
07. The Howl
08. From Order to Chaos
09. Leniret Coram Tempestate
10. Victorious

 
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