Artista: Paradise Lost
País: Inglaterra
Álbum: Draconian Times
Gravadora: Music for Nations
Licenciamento: Indisponível
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 1995
É com enorme emoção que componho este texto, ao som daquele que é, provavelmente, o álbum da minha vida. Portanto, meu caro leitor, peço antecipadamente desculpas por eventuais resquícios de parcialidade — simplesmente não há como ser neutro quando o assunto é o quinto registro dos ingleses do PARADISE LOST, o magnífico “Draconian Times” de 1995.
Resultado de uma progressão natural em relação ao que fora apresentado em “Icon” (1993), “Draconian Times” revela um Gothic Metal requintado, minuciosamente lapidado, adornado por letras enigmáticas e por uma aura inigualável que permeia cada detalhe e textura da obra. Recordo-me de ter ficado absolutamente atônito ao ouvi-lo pela primeira vez, às vésperas do Philips Monsters of Rock (95), realizado em São Paulo — evento que reuniu, além do próprio PARADISE LOST, nomes de peso como Alice Cooper, Ozzy Osbourne, Faith No More e Megadeth.
A íntegra do conteúdo de “Draconian Times” parece atingir um grau de perfeição extremamente raro. A arte de capa, uma pintura belíssima, merecia figurar emoldurada na parede de qualquer banger que se preze. Já a gravação ocorreu nos estúdios Great Linford Manor e Ridge Farm, e a pós-produção foi conduzida no Townhouse, em Londres. Toda essa estrutura conferiu ao disco o tratamento ideal, cujo refinamento foi prontamente reconhecido por fãs e imprensa em junho de 1995.
Para promover o recém-lançado LP nas rádios, o grupo optou por dois singles que também ganharam versões audiovisuais. “The Last Time”, bastante acessível e detentor de um refrão com forte apelo radiofônico, tornou-se rapidamente uma das favoritas do público. Já “Forever Failure” é sombria e se apoia em um tema polêmico, trazendo até mesmo um trecho do documentário “The Man Who Killed the 60s”. Ou seja, trata-se de uma composição que utiliza a figura do criminoso Charles Manson como elemento crítico-poético para transmitir sua mensagem.
Apontar destaques em um full-length tão coeso quanto “Draconian Times” é tarefa ingrata — tudo aqui encontra o seu lugar e possui valor individual. Entretanto, algumas canções me marcaram de forma especial. Por ter presenciado a sua turnê de divulgação, jamais esqueci “Enchantment” abrindo o espetáculo; foi algo que me atingiu na alma. Somadas a ela e às já mencionadas “The Last Time” e “Forever Failure”, minha lista pessoal não dispensa “Once Solemn”, “Shadowkings” e “Yearn for Change”. Contudo, dentre todas, “Shadowkings” é a que apresenta os riffs e as linhas vocais que mais me arrebataram.
O vocalista Nick Holmes vivia aqui o auge da própria forma — ao lado do principal compositor da banda, o guitarrista Gregor Mackintosh. Nick brilha tanto como letrista quanto como cantor, abusando de seus drives com descomunal propriedade e conduzindo as doze faixas com impressionante carga interpretativa. Para compreender exatamente o que quero dizer, basta ouvir “Hallowed Land” com atenção: ao final, é impossível não aplaudir de pé. Pelo menos comigo foi assim.
Gregor, por sua vez, impõe como poucos as suas notas gélidas acima das bases que variam entre o acelerado, o cadenciado e o levemente groovado. Se ainda restar alguma dúvida sobre quem realmente desenvolveu a assinatura composicional única do PARADISE LOST, não tenha mais: o senhor Gregor Mackintosh encerra definitivamente a discussão nesse sentido.
“Draconian Times” é uma obra-prima e ajudou a moldar aquilo que hoje entendemos como Gothic Metal. Após o seu lançamento, inúmeros artistas tentaram trilhar o mesmo caminho desse quinteto — quase sempre sem o mesmo brilho, profundidade ou honestidade. O lugar mais alto do pódio, quando o assunto é fundir Gothic Rock ao Metal, já tem dono. E ninguém o tira!
Formação:
Nick Holmes (vocalista)
Gregor Mackintosh (guitarrista)
Aaron Aedy (guitarrista)
Steve Edmondson (contrabaixista)
Lee Morris (baterista)
Tracklist:
01. Enchantment
02. Hallowed Land
03. The Last Time
04. Forever Failure
05. Once Solemn
06. Shadowkings
07. Elusive Cure
08. Yearn for Change
09. Shades of God
10. Hands of Reason
11. I See Your Face
12. Jaded
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