Artista: Crypta & The Troops of Doom
Evento: Noites Ponto.CE
Cidade/Estado/País: Teresina – Piauí – Brasil
Local: Bueiro do Rock
Data: 13 de Setembro
Ano: 2024
Produtora: D Music Shows & M2F Produções
A D Music Shows em parceria com a M2F Produções, trouxeram o festival cearense Noites Ponto.CE para Teresina, no dia 13 de setembro, visando promover alguns nomes locais do Ceará, dois emergentes do Piauí, atrelados com o que hoje existe de melhor no Metal Extremo brasileiro: as bandas CRYPTA e THE TROOPS OF DOOM. Obviamente, não podíamos perder a chance de acompanhar de perto o time liderado pela carismática Fernanda Lira, tampouco o ícone e ex-guitarrista do Sepultura, Jairo “Tormentor” Guedz. E foi com aquele pensamento na cabeça que a nossa história tortuosa começou. Mas porque “tortuosa”?! Calma, que eu já explico tudinho!
A casa escolhida para abrigar o evento foi, como quase sempre, o Bueiro do Rock. Novamente atesto que, em se tratando de Rock/Heavy Metal, é o melhor local da capital piauiense para dar suporte adequado a esse tipo de festival. Então, voltando ao foco do texto, nos foi prometido dois palcos, com as bandas Visceral Suffering, Corja!, Sysyphus, Molested God (PI), Disformes (PI) e as headliners CRYPTA e THE TROOPS OF DOOM se intercalando. E foi daí que veio o primeiro susto, porque não haviam dois palcos preparados por lá.
Com a mudança no formato e os frequentes atrasos que, costumeiramente, acontecem em produções no Brasil, foi-se criado um problema que veio a estourar em três das atrações: a CRYPTA, a Sysyphus e a Molested God. Enquanto as duas primeiras tiveram os seus respectivos sets reduzidos, a terceira sequer pôde se apresentar, já que todo o cronograma ficou espremido pela utilização de apenas um palco. A informação que chegou até nós foi que, para que CRYPTA conseguisse estar no aeroporto a tempo do seu voo, para a próxima parada da turnê, precisaria encerrar sua participação no máximo às 22h. Uma luz vermelha incandescente se acendeu naquele momento, como sinal de alerta…
Acompanhamos superficialmente as ótimas Visceral Suffering, Disformes, Corja! e Sysyphus; já que fizemos o dever de casa priorizando a dupla que justificou a nossa ida até o Bueiro do Rock. A Disformes trouxe seu Brutal Death Metal embasado no seu excelente full-length de estreia, “Suprema Arte da Morte” (2023), conseguindo aquecer os motores do pequeno e tímido grupo de pessoas, que ainda estava adentrando as dependências do ambiente. Ao ceder espaço on stage, a Visceral Suffering veio em seguida e apresentou o seu novo Single “Hecatombe”, lançado em julho último, mantendo o seu Death Metal dentro de uma constante criativa, principalmente, levando-se em conta o que foi demonstrado no debut “Sons of Evil” (2023). Do quarteto open act, certamente esses caras foram os que mais me pegaram pelos ouvidos!
Já a Corja! escora o seu Modern Metal na competência da vocalista Haru Cage, que esbanja talento e uma garganta que muito marmanjo gostaria de possuir. Bastante groove, inserções de elementos do Hardcore e um peso absurdo foram a tônica, exemplificados em músicas como “Alter Ego” e “Do Lar ao Caos”. Vale a pena ficar mais atento na sua carreira, pois para quem ama o CrossOver, está aí uma belíssima opção gerada pelo nosso querido Ceará. A Sysyphus foi mais uma das que mais sofreu com a bagunça da produção. O grupo apresentou apenas três músicas, todas elas do seu único álbum “Absurd” (2023). Uma pena isso ter ocorrido, o que gerou um enorme desconforto em todos, principalmente no baixista e vocalista Felipe Ferreira.
E foi com um clima agridoce no ar que a THE TROOPS OF DOOM entrou em cena, com o seu Death/Thrash Metal inspirado na fase inicial do Sepultura, quando o guitarrista Jairo Guedz ainda fazia parte do colosso das Minas Gerais. Com toda certeza do mundo, os pontos mais altos da sua passagem por Teresina atenderam pelos nomes de “Bestial Devastation”, “Morbid Visions” e “Troops of Doom”. E dentro desta esfera é muito válido e justo mencionar o trabalho do baixista e vocalista Alex Kafer, que consegue emular com muita fidedignidade o timbre imposto por Max Cavalera, quando nos lembramos dos seus primórdios. Se a proposta é prestar tributo ao Sepultura dos primeiros discos, Jairo acertou em cheio ao escalar esse senhor para o posto!
Sentimos bastante falta do guitarrista e, mundialmente conhecido designer, Marcelo Vasco. Todavia, para cumprir as datas agendadas, Fabio Caputo foi o substituto da vez e soube segurar muito bem a bronca. Aliás, todo o time estava bem entrosado, coeso, o que ficou evidente nas autorais “Chapels of the Unholy”, “The Rise of Heresy” e “Dawn of Mephisto”; esta última um dos destaques e que foi extraída do recente álbum “A Mass To the Grotesque” (2024). Contudo, foi justamente nela que um fato lamentável acabou acontecendo, e que vou descrever mais abaixo.
Durante a execução de “Dawn of Mephisto” os roadies da CRYPTA invadiram o palco, para iniciarem os seus trabalhos de montagem dos cabeamentos. A irritação com aquilo foi geral, público e banda ficaram indignados, resultando em um baita esporro de Kafer aos gritos. Ainda assim a “The Troops of Doom” encerrou o seu set normalmente, sem que nada fosse cortado. Após o seu show, fomos informados que os caras não puderam entrar no camarim, que estava com a porta trancada, com a justificativa que o equipamento da CRYPTA precisava ser preservado. De onde eu estava, consegui vê-los bem na frente da porta, chateados e esperando quando poderiam descansar depois de terem se apresentado.
Tudo aquilo foi muito feio, execrável e foi mais um dos sintomas causados pela desorganização do evento como um todo. Como já foi mencionado, a Molested God não se apresentou, a Sysyphus executou apenas três músicas e a CRYPTA precisou reduzir o seu repertório pela metade, para que não corresse qualquer risco de perder o seu horário no aeroporto. Ou seja, o desrespeito foi geral, com todos que pagaram o ingresso e com um dos principais artistas do Metal Extremo brasileiro! Péssimo!
A frustração era uma constante quando a introdução “The Aftermath” invadiu os PAs, anunciando a chegada das quatro moças da CRYPTA. E aqui temos que ser honestos, porque de fato o show delas é excelente. Apresentando o seu novo álbum “Shades of Sorrow” (2023), não sobrou pedra sobre pedra no mosh pit. Fernanda Lira interage muito com o público, tem carisma evidente e, sabe como ninguém, entreter uma audiência ávida por Death Metal. E foi assim que executaram “The Other Side of Anger”, “Poisonous Apathy” e “Lift the Blindfold”, para alegria dos seus inúmeros fãs que lá estavam.
De “Echoes of the Soul” (2021) mandaram a clássica “From the Ashes”, resultando em uma enorme euforia nos bangers, mas não durou muito, pois na sequência a cantora anunciou que estavam encerrando mais cedo, por conta do atraso da produção para o início dos trabalhos. Com a promessa de retorno, para compensar a situação, elas deixam o palco ao som de “The Closure”, jogando um balde de água fria na cabeça de todos.
Foi uma noite estranha, para dizer o mínimo. Se ao mesmo tempo que a THE TROOPS OF DOOM valeu o nosso comparecimento, as saídas precoces de Sysyphus e CRYPTA, além do cancelamento absurdo da Molested God, gerou um enorme sentimento de mal estar. Então o saldo foi muito claro na minha ótica, ao atestarmos que houve muita qualidade musical no palco mas, fora dele, a bagunça gerencial foi generalizada. Uma pena!
Crypta:
01. The Aftermath (intro)
02. The Other Side of Anger
03. Poisonous Apathy
04. Lift the Blindfold
05. The Outsider
06. Lullaby for the Forsaken
07. Stronghold
08. From the Ashes
09. The Closure (outro)
The Troops of Doom:
01. Act I – The Devil’s Tail
02. Chapels of the Unholy
03. Far from Your God
04. Bestial Devastation (Sepultura cover)
05. Act I – The Devil’s Tail (Outro)
06. Act II – The Monarch
07. The Rise of Heresy
08. Morbid Visions (Sepultura cover)
09. Dawn of Mephisto
10. Troops of Doom (Sepultura cover)
11. Mr. Sandman (The Chordettes song)
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