Artista: Bruce Dickinson
Evento: The Mandrake Project World Tour
Cidade/Estado/País: São Paulo – São Paulo – Brasil
Local: Vibra São Paulo
Data: 04 de Maio
Ano: 2024
Produtora: MCA Produtora
Depois de liderar um exaustivo trabalho de campo na segunda edição do Summer Breeze Brasil, ocorrida no último mês de abril, resolvi permanecer na capital paulista por mais uma semana, visando cobrir para este portal a nova passagem de BRUCE DICKINSON pelo país. O artista trouxe a sua “The Mandrake Project World Tour”, que prometia contar com um apanhado vasto da sua discografia em carreira solo.
Com capacidade de abrigar cerca de sete mil fãs, o Vibra São Paulo (antigo Credicard Hall) se mostrou uma opção acertadíssima para sediar o evento. Além do setor enorme da pista, o local possui dois arcos que compõem os seus camarotes, banheiros acessíveis e uma antessala com bar, lanchonete e os tais preços inflacionados. E foi naquele local que BRUCE DICKINSON e a banda de abertura, Noturnall, montaram as suas respectivas mesas de merchandising. Eu visitei ambas, mas acabei não adquirindo nada na ocasião.
Quando adentrei a área do show, a paulista Noturnall já estava no palco destilando o seu Heavy Metal Moderno, melodioso e com várias referências extraídas do Power Metal. Liderado pelo experiente vocalista Thiago Bianchi (ex-Shaman, Karma), o grupo estava promovendo “Cosmic Redemption” (2023), e dele fomos presenteados com a trinca formada por “Try Harder”, “Cosmic Redemption” e “Reset the Game”. O direcionamento é o mesmo de outrora, ou seja, temos aqui muitos elementos modernos atrelados ao Power Metal que, o próprio Bianchi, ajudou a desenvolver e moldar nos seus tempos de Shaman.
O groove de “Wake Up”, do seu terceiro título “9” (2017), foi outro destaque na participação dos brasileiros. Acredito que ela tenha obtido, juntamente com “Nocturnal Human Side” do debut de 2014, as melhores respostas da plateia, que ainda estava chegando nas dependências do Vibra São Paulo. Vale ressaltar que fiquei muito satisfeito, ao ver os fãs chegarem mais cedo para conferir a Noturnall, demonstrando que o quarteto já está garantindo um alto grau de respeitabilidade, junto ao banger brazuka. Animador!
Eu já tive a oportunidade de assistir ao Iron Maiden em duas oportunidades, mas jamais imaginei um dia poder conferir BRUCE DICKINSON, excursionando por um disco inteiramente seu. “The Mandrake Project”, o mais recente, foi lançado tem pouquíssimo tempo e a ambição do cara com ele, transpassou o âmbito da mídia musical, ao disponibilizar também uma série de quadrinhos aprofundando os temas do CD. Infelizmente não tive acesso a revista, mas o pouco que vi online, fiquei impressionado com a qualidade do traço e das cores empregadas. Vale dar uma conferida…
A espera foi longa, mas quando notei os primeiros momentos da introdução “The Invaders” (retirada de uma popular série de ficção científica americana dos anos 60), emendada com a vinheta “Toltec 7 Arrival” invadindo os PAs, meu coração quase pulou pela boca! Eu estava aguardando pela novata “Afterglow of Ragnarok” para a abertura dos trabalhos, mas Bruce preferiu apelar para a nostalgia com “Accident of Birth”, do full-length de mesmo nome lançado em 1997, “Abduction” de “Tyranny of Souls” (2005) e “Laughing in the Hiding Bush” do aclamado “Balls to Picasso” (1994). Uma após a outra, sem intervalos ou espaços para o fã tomar fôlego!
Na sequência a primeira de “The Mandrake Project”, “Afterglow of Ragnarok”, foi recebida com certa timidez pelos presentes. E tal fato é até compreensível, pelo curto espaço do lançamento do álbum com a performance em questão. Outras das novas presentes foram “Resurrection Men”, “Rain on the Graves” e “Many Doors to Hell”, todas elas sendo mais avaliadas do que apreciadas pelos que ali estavam. Particularmente achei que todas se saíram bem ao vivo e, ainda acrescentaria, “Eternity Has Failed” no pacote. Para quem não sabe, essa última é a versão original de “If Eternity Should Fail”, lançada pelo Iron Maiden no álbum “The Book of Souls” (2015). Uma pena não ter rolado!
“Chemical Wedding”, do homônimo de 1998, me fez viver um instante de reflexão. Fiquei me perguntando como um senhor de sessenta e cinco anos, que venceu um câncer na língua, poderia entregar tanta vitalidade. Suspeitei até de uso de playbacks, tamanha a qualidade absurda da sua atuação! Mas meus achismos descabidos caíram por terra, sem muita demora. “Gates of Urizen” nos trouxe doses de calmaria e, certamente, uma das passagens mais bonitas do set. Acima da carga emocional de “Gates of Urizen”, me arrisco a afirmar que apenas “Tears of the Dragon” e “Navigate the Seas of the Sun” (dedicada ao povo do Rio Grande do Sul, vítima das fortes enchentes) superaram. Sei que relatei uma obviedade, mas as duas concederam picos muito elevados de sentimentos, pelo menos para este que vos escreve.
Não posso ser leviano e esquecer de mencionar a tal The House Band of Hell (batizada por Bruce), composta por Dave Moneno (bateria), Mistheria (teclados), Tanya O’Callaghan (baixo), Philip Naslund (guitarra) e Chris Declerq (guitarra). Um grupo coeso, entrosado e que teve o seu protagonismo na inusitada versão da instrumental “Frankenstein”, do The Edgar Winter Group. Inclusive, foi nela que o cantor arriscou ir para a percussão para se divertir com seus companheiros músicos, principalmente com Moreno que dividiu um divertido solo, chamando bastante a atenção.
“The Alchemist” achei descartável e, facilmente, a teria trocado por “Road to Hell”. Contudo, ela serviu de antecessora para o hino “Tears of the Dragon”. Impossível não a destacar novamente, tendo em vista o seu enorme apelo comercial. Seu início se deu com um ótimo arranjo acústico, iluminação conduzida por lasers e com todos gritando a sua letra em uníssono. Não foram poucas pessoas que vi chorando próximas a mim e, preciso admitir, que eu também fiquei extremamente emocionado e impactado. Refrão lindo, construção atemporal e um cantor que desafia os limites impostos pela idade!
“Darkside of Aquarius” foi mais uma de “Accident of Birth” a marcar presença. Nela senti uma sensação incômoda de vazio, por não ver ao lado de Dickinson o seu parceiro e compositor Adrian Smith. Essa música é a cara de Adrian e, mesmo que tenha sido executada de maneira cirúrgica, seria até desrespeitoso não sentir falta do seu eterno parceiro na Donzela de Ferro, e em parte das suas aventuras solo.
O encerramento veio com a dobradinha de “The Chemical Wedding”: “Book of Thel” e “The Tower”. Eu tenho muitas ressalvas com a qualidade de áudio desse play, mas pelo que constatei no recinto, eu devia ser parte de uma esmagadora minoria, tendo como base o resultado obtido por elas. Todos cantavam e pulavam, principalmente em “The Tower”, não por acaso a última confirmada para figurar na seleta lista de canções da noite.
Com uma qualidade sonora impecável, administrada pelo experiente Ken ‘Pooch’ Van Druten, engenheiro de som do Iron Maiden, BRUCE DICKINSON se despediu dos brasileiros com a sensação de dever cumprido! Contudo, muitos sentiram falta de algo do excelente “Tattooed Millionaire” (1990), como a faixa-título, “Son of a Gun” ou “Born in ’58”. Não sei se é porque o material se afasta, um pouco, do que Bruce escreveu de “Balls to Picasso” para frente ou se ele simplesmente não gosta do disco, mas a verdade é que muita gente ama aquela obra. Outros ainda mencionaram “Skunkworks” (1996), mas desse aí não senti a mínima ausência. Enfim, impossível saber o que se passa na cabeça do coroa, não é verdade?! Mas o fato é que a noite foi maravilhosa, repleta de recordações que ficarão eternizadas na minha memória.
Noturnall Setlist:
01. Try Harder
02. No Turn at All
03. Fight the System
04. Cosmic Redemption
05. Wake Up
06. Reset the Game
07. Nocturnal Human Side
Bruce Dickinson Setlist:
01. Intro: The Invaders/Toltec 7 Arrival
02. Accident of Birth
03. Abduction
04. Laughing in the Hiding Bush
05. Afterglow of Ragnarok
06. Chemical Wedding
07. Many Doors to Hell
08. Gates of Urizen
09. Resurrection Men
10. Rain on the Graves
11. Frankenstein (The Edgar Winter Group cover)
12. The Alchemist
13. Tears of the Dragon
14. Darkside of Aquarius
15. Navigate the Seas of the Sun
16. Book of Thel
17. The Tower
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