BANGERS OPEN AIR: mudança de nome com relevância mantida (Parte II)
Postado em 03/05/2025


Artista: Vários
Evento: Bangers Open Air
Cidade/Estado/País: São Paulo – São Paulo – Brasil
Local: Memorial da América Latina
Data: 03 de Maio
Ano: 2025
Produtora: Consulado do Rock & Parceiros

O segundo dia do Bangers Open Air nos reservava momentos inéditos, alguns históricos e encontros inusitados. Mal sabíamos que, o nosso time, viveria o privilégio de acompanhar a primeira banda do norte e nordeste, confirmada no maior evento ligado ao Metal da história desse país. No caso, me refiro ao Malefactor da Bahia, que ressaltou o caráter inclusivo do festival, levantando a sua bandeira em prol de mais abertura para artistas de todas as regiões do Brasil.

A missão exigia muita responsabilidade, então nos hospedamos no mesmo hotel dos baianos, para acompanha-los desde o café da manhã, que ocorreu ao lado do Pretty Maids, até o encerramento da sua participação no Waves Stage às 16:50. Pela priorização de tal ação, tivemos que abrir mão dos shows da Burning Witches, Viper, Kamelot, Sonata Arctica, Matanza Ritual e Ensiferum. Lamentamos as perdas, mas a primeira presença de um grupo nordestino naquele dia 03 de maio, se mostrou emblemática demais para ser descartada.

Depois do café fomos direto para o saguão do hotel, esperar a van que nos levaria ao Memorial da América Latina. Importante dizer que os traslados estavam muito eficientes, sempre pontuais. E foi durante a espera da nossa vez, que pude conhecer o simpático vocalista do H.E.A.T, Kenny Leckremo, que nos revelou estar muito feliz pelo seu retorno ao Brasil, depois de uma estreia matadora há dois anos atrás, na primeira edição do Summer Breeze Brasil. Enfim, essas são as experiências que apenas um projeto como o Bangers Open Air pode proporcionar.

As equipes do Malefactor, MS Metal Agency Brasil e The Ghost Writer Magazine chegaram bem cedo ao local, sendo muito bem recebidas pela produção. Pouco se passava das dez da matina quando realizamos o check-in necessário, tendo em vista que o quarteto teria o seu primeiro compromisso do dia, às 11:00, com uma sessão de autógrafos previamente agendada. A rigidez com a qual o cronograma foi seguido e respeitado, denotou o quão preparado todo o time estava, para encarar o desafio que estava por vir.

Fomos todos para a área reservada às signing sessions, para que os músicos tivessem contato presencial com os seus fãs. Algumas pessoas já formavam uma fila tímida, que se intensificou com a proximidade do horário firmado. Bacana demais ver vários nordestinos vindo ao encontro dos caras, trazendo os seus materiais para serem autografados. Muita interação, descontração, fotos e felicidade de todos os organizadores, diante da acertada escolha do Malefactor para ser a primeira banda a se sentar naquela mesa.

Como já foi mencionado, por conta da priorização ao Malefactor, perdemos os shows da Burning Witches e Viper, que ocorreram nos palcos Ice Stage e Sun Stage respectivamente, além do projeto educacional School of Rock, que inaugurou o retorno do Waves Stage ao auditório do Memorial. Novamente lamentamos, mas estar em um festival com vários palcos ativos simultaneamente, requer fazer escolhas muito difíceis. Ainda assim, para não dizer que não vimos nada das três acima citadas, conferimos um pequeno trecho do Viper, que estava comemorando o aniversário de lançamento do clássico “Evolution” (1992). Felizmente, um ótimo público compareceu!

A caminhada foi enorme, mas chegamos vivos ao Hot Stage visando assistir ao maravilhoso H.EA.T, do já citado Kenny Leckremo. No mesmo horário no Waves Stage, a Hardgainer, banda vencedora do programa New Blood, concurso promovido pela rádio KISS FM, estava se apresentando. Pelo atrito com os suecos, fomos obrigados a descarta-la, mantendo a coerência da nossa lista de referência, diante das prioridades. Voltando ao H.EA.T, atesto que poucas vezes assisti a um show de Hard Rock que tenha me empolgado tanto!

O som estava ótimo, passando longe dos sustos que sofremos no dia anterior, com Dogma e Armored Saint. Leckremo, para variar, foi o destaque de toda a apresentação! O cara, além de se parecer fisicamente com o Bruce Dickinson dos anos oitenta, sabe entreter uma plateia como ninguém. Ele corre, pula, gesticula, se joga no chão e se comunica o tempo todo com os presentes. Uma verdadeira aula e, isso sem mencionar, o seu belíssimo timbre e alcance vocal.

O calor castigava os escandinavos, mas isso não os impediu de apresentarem as canções do seu mais recente disco, “Welcome to the Future”. Dele tivemos “Disaster” e “Bad Time For Love”, que se mostraram excelentes escolhas e plenamente conectadas com as clássicas “Hollywood” e “Back to the Rhythm”. Sempre mantendo uma conotação muito divertida, o cantor ainda nos relembrou que a banda veio do mesmo país que surgiu a atemporal “The Final Countdown”, dos conterrâneos do Europe. O tecladista Jona Tee, comprou a brincadeira e ainda tocou a introdução dela, gerando euforia em todos, mas não passou disso!

“Living on the Run”, do álbum “Address The Nation” (2012), foi a última e encerrou a sua segunda passagem pela capital mais cinza do planeta. A partir dali, tivemos que pegar fôlego extra para seguirmos até o Sun Stage, para termos o nosso primeiro contato com os também suecos da Dynazty. Liderado pelo vocalista Nils Molin, o grupo chegou com tudo para a promoção do álbum “Game of Faces” (2025), arrastando uma boa parcela das pessoas que estavam no Memorial.

Não preciso nem lembrar que, mais uma vez, perdemos o Waves Stage que abrigava o Gloria Perpetua com o seu “The Darkside We Wanna Hide”, além de parte do caos sonoro promovido pelo Municipal Waste no Ice Stage. Dá uma dor no coração ter que abstrair essas situações, mas faz parte do modelo europeu que é empregado na versão brasileira do festival. Voltando ao Dynazty, conseguimos ver a primeira metade da sua atuação, com o ponto mais alto alcançado com “Waterfall”, do ótimo “The Dark Delight” (2020).

Do mais novo conseguimos assistir a faixa-título, que arrancou uma resposta mais introspectiva dos presentes. O híbrido de Heavy Metal, Power Metal e pitadas de Hard Rock tem funcionado em arregimentar uma fan base de respeito. A carga dramática imposta pelos caras, principalmente pela atuação de Molin, é outro aspecto que precisa ser considerado, para se atestar o porquê da Dynazty estar em pleno processo de ascensão. Muito bom!

Abandonamos a Dynazty no meio para pegarmos algo do Municipal Waste, com o seu Thrash Metal rápido e escrachado. A experiência, nesse caso, foi bem diferente, já que assistimos ao ato final em cima do palco, bem ao lado do baterista Dave Witte. Por diversas vezes o maluco fazia questão de olhar para a gente, sorrindo, dando língua e interagindo enquanto tocava. Engraçado demais, para dizer o mínimo!

A sensação de ver as enormes rodas que se formavam durante o Municipal Waste, foi indescritível! A velocidade do seu Thrash Metal, atrelado ao frenético cantor Tony Foresta, formam a receita que injeta adrenalina em quem estiver por perto. Impressionante foi ver que não havia oscilação, no que se refere ao ânimo, quando a trinca “Crank the Heat”, “Mind Eraser” e “Under the Waste Command” nos foi despejada sem piedade. Certamente, um dos espetáculos mais divertidos até ali!

Antes mesmo do final do Municipal Waste, fomos ao encontro da equipe do Malefactor, mas não sem antes darmos de cara com Tony Kakko, líder e membro fundador da finlandesa Sonata Arctica. Doeu demais perder esse show em especial, até porque acompanho a sua carreira desde os seus primeiros passos, quando o debut “Ecliptica” (1999) ganhou a luz do dia. Mas o dever nos chamava, então demos um “até breve” sofrido para o Sonata Arctica, Matanza Ritual, Ensiferum e Kamelot. Conseguem entender o quanto é difícil?! Espero que sim!

Conseguimos acompanhar toda a preparação do Malefactor, antes de adentrar no Waves Stage. A ansiedade fazia parte do ambiente, até porque os caras sabiam do alto nível da sua representatividade, e que aquele não era mais um mero show na sua carreira. Isso ficou claro quando nos deparamos com a lenda das baquetas, Gene Hoglan (Dark Angel, ex-Death, Testament), nos arredores do auditório. Um ingrediente como esse é para deixar qualquer um subindo pelas paredes.

Antes dos soteropolitanos, conseguimos ver o finalzinho da paulista Válvera. O quarteto apresentou um Thrash Metal vigoroso, moderno e com diversas inserções do Heavy Tradicional. O destaque foi para o novo Single “Crawl to the Dawn”, que pode ser o cartão de visitas do seu próximo álbum, sucessor do full-length “Cycle of Disaster” (2020). Veremos então o que o futuro reserva, mas a impressão causada foi extremamente positiva!

Na sequência o Metal Extremo tomou conta do recinto, com a entrada da primeira representante do norte e nordeste, no maior festival de Hard/Heavy que esse país já viu. O Malefactor trouxe o seu Pagan Metal, com altas doses de melodia, para uma audiência que lotou o auditório do Memorial. Não por acaso, muitos nordestinos gritavam a plenos pulmões o nome da Bahia, bem como outras referências de carinho e respeito ao nosso rico nordestão! Foi emocionante, tanto que vi algumas pessoas chorando e revelando o quanto feliz estavam, por vivenciarem aquilo tudo!

No repertório o quarteto foi bem democrático, para abraçar o máximo de álbuns da sua discografia, além de inserir os novos Singles “Cristozofrenia” e “Baron Samedi”. As duas já estavam na boca do povo, mas o ápice aconteceu com as sempre presentes “Centurian” e “Behold the Evil”, essa última do reverenciado “Sixth Legion” (2017). Lord Vlad (baixista e vocalista) parecia estar bem à vontade, tanto que nem deu para perceber que ele tinha sido acometido por uma forte gripe, dias antes. Ele transitou por diversos nichos, entregando trechos com guturais, outros priorizando os screams, indo até os mais melódicos como averiguado em “Elizabathory” e “Barbarian Wrath”. Impressionante!

A última foi “Sodom and Gomorrah”, novamente de “Sixth Legion”, encerrando o set e nos lembrando que o Saxon não ia esperar por nós. Brincadeiras à parte, fomos literalmente correndo até o Hot Stage para vermos alguma coisa dos ingleses. O local estava muito cheio e, para nossa alegria, conseguimos ficar bem pertinho de Biff Byford. A alegria por vê-lo tão próximo foi acentuada quando soltaram ao vento “Denim and Leather”, “Wheels of Steel”, “Crusader” e a maravilhosa “Princess of the Night”.

Biff está em plena forma, mesmo já tendo na conta setenta e quatro anos de idade! A voz está inteira e, como pegamos apenas o final do show, temos a certeza que a sua performance foi homogênea, desde os primeiros acordes de “Hell, Fire and Damnation”, passando por “Motorcycle Man” e “Heavy Metal Thunder”. Parabéns para quem conseguiu vê-lo na íntegra, mas no nosso caso, ficará para uma próxima oportunidade.

Os mexicanos do Pressive já tomavam o Waves Stage de assalto, quando preferimos nos posicionar melhor para aguardarmos os lobisomens do Powerwolf. E foi com a memória afetiva nos acompanhando, de filmes como “Bala de Prata” e “Um Lobisomem Americano em Londres”, que pudemos presenciar os aspectos teatral e épico se fundirem, quando “Bless ’em With the Blade” anunciava a chegada do quinteto alemão.

O álbum “Wake Up the Wicked” (2024) continua rendendo ótimos frutos para o Powerwolf, tanto que alguns dos destaques foram justamente extraídos dele. Ou seja, “Sinners of the Seven Seas” e “Heretic Hunters” assumiram posições de preferidas dos fãs, ao lado das sempre festejadas “Army of the Night” e “Werewolves of Armenia”. Tudo isso tendo como pano de fundo um cenário maravilhoso, com elementos sacros, profanos e góticos. Talvez, um dos melhores dentre todos os participantes de 2025.

A teatralidade inserida no seu Power Metal, tornou o Powerwolf gigante, principalmente na Europa, onde o vocalista Attila Dorn, os irmãos guitarristas Charles Greywolf e Markus Pohl, o tecladista Falk Maria Schlegel e o baterista Roel van Helden; são sempre lembrados para serem headliners dos principais eventos por lá. Acredito que seja justo o status alcançado, pois eles entregam uma apresentação visualmente incrível.

Para podermos conferir parte do show do Dark Angel, tivemos que abandonar o Powerwolf antes da sua conclusão. Sendo assim, rumamos para o Sun Stage às pressas, pois a expectativa em poder ver a banda que apresentou o baterista Gene Hoglan para o mundo, era altíssima. O quinteto retornou às suas atividades, anunciando novo álbum, nova formação e, tudo isso, ao pisar pela primeira vez em solo brasileiro. Agora contando com o vocalista Ron Rinehart, o baixista Mike Gonzalez, os guitarristas Eric Meyer e Laura Christine, além do próprio Hoglan; os norte-americanos foram muito precisos na execução do seu Thrash Metal old school.

Ao chegarmos ao local notamos a falta de Eric Meyer, o que nos causou certa apreensão. Teria ele sido desligado da banda?! Pensamos, porém, nos foi informado que por problemas com o seu visto, ele ficou impossibilitado de entrar no Brasil. Uma pena, mas os seus demais companheiros souberam honrar a sua ausência. Eu não conhecia Ron Rinehart, nunca havia escutado nada com a sua voz, e sinceramente achei que ele não estava à altura da importância do Dark Angel. Atuação apenas mediana, o que acabou por gerar certa desconexão da minha parte.

O mesmo não podemos falar da esposa de Hoglan, Laura Christine, que chamou para si a responsabilidade de suprir o buraco deixado por Meyer. Baixinha em estatura, mas de uma grandeza técnica invejável, a moça trouxe muita consistência para clássicas como “Merciless Death” e “The Burning of Sodom”. Já “Extinction-Level Event” foi dedicada ao ex-guitarrista e co-fundador do Dark Angel, Jim Durkin, falecido em 2023, o que acabou por tornar o ambiente muito mais propício à comoção. Bela e justa homenagem!

Preciso mesmo mencionar que Gene Hoglan roubou a maior parte da atenção de todos para si?! Seria chover no molhado, não é mesmo?! Mas a redundância exige que comentemos isso, até porque, sem ele, o peso e rítmica de “Death Is Certain (Life Is Not)” e “Darkness Descends” jamais alcançariam o resultado obtido pelo quarteto. Ao final, ainda rolou “Perish in Flames”, antes de mais um retorno anunciado para o Ice Stage, visando o último compromisso do segundo dia de maratona: o Sabaton!

Já passavam das 20:00 quando decidimos abortar os shows do Carro Bomba, Lacrimosa e Dream Spirit, focando as nossas atenções apenas para os suecos do Sabaton. Além de todos sermos grandes fãs da sua discografia, o acontecimento prometia muita pirotecnia, um vasto setlist e as já habituais correria e diversão. Dito e feito, pois quando a tropa capitaneada por Joakim Brodén chegou, muitas explosões e canhões frenéticos de luz denotaram como seria a nossa vivência juntos aos amigos “militares”.

Além de Joakim, os escandinavos Chris Rörland e Tommy Johansson (guitarras), Pär Sundström (baixo) e Hannes Van Dahl (bateria); chegaram como se estivessem invadindo a Normandia. Referência infame à parte, o fato é que a trinca “Ghost Division”, “The Last Stand” e “The Red Baron” serviu para que o quinteto se impusesse como a atração principal, que de fato era. A condução é sempre frenética e essa sensação é passada com muita fidedignidade ao público. Poucos, inclusive, foram os momentos de calmaria como em “Christmas Truce” e “Carolus Rex”, na versão sueca, para que parte do fôlego fosse recuperado. Outros destaques que faço questão de pontuar foram “Night Witches” e “The Attack of the Dead Men”, por proporcionarem maior imersão dentro da conjuntura de urgência da I Guerra Mundial.

“Fields of Verdun” e “The Art of War” precederam o momento mais divertido da noite, quando Joakim empunhou uma guitarra rosa, executando um trecho de “Master of Puppets”, clássica absoluta do Metallica. O carisma transborda quando o assunto é o Sabaton e, até por isso, sinto que é tão querido e amado por onde passa. Obviamente, no Brasil não poderia ser diferente, então foram constantes o gritos enaltecendo o grupo, em meio aos tiros e explosões que saiam do palco a todo instante.

Uma das mais recentes foi “Soldier of Heaven”, não por acaso uma das que mais me identifico. Refrão lindo, pegajoso e que só não foi melhor do que “Smoking Snakes”, dedicada à nossa Força Expedicionária que lutou ao lado das tropas aliadas, na Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha nazista e a Itália fascista. Como sou historiador, poder acompanhar de perto a valorização da nossa história, por cinco caras de um lugar tão distante é por demais gratificante. Quando minha cabeça voltou para o eixo correto, já estavam executando “Primo Victoria” e “Swedish Pagans”, ambas cantadas em uníssono por todos os bangers que ali estavam, independente de idade, sexo ou credo. Todos em uma só voz! Encerramento com chave de ouro, só faltaram destruir uma suástica bem ali na nossa frente!

Continua…

Sabaton Setlist:

01. Ghost Division
02. The Last Stand
03. The Red Baron
04. Bismarck
05. Stormtroopers
06. Carolus Rex (versão sueca)
07. Night Witches
08. The Attack of the Dead Men
09. Fields of Verdun
10. The Art of War
11. Resist and Bite (com trecho de “Master of Puppets” do Metallica)
12. Soldier of Heaven
13. Christmas Truce
14. Smoking Snakes
15. Primo Victoria
16. Swedish Pagans
17. To Hell and Back

Dark Angel Setlist:

01. Time Does Not Heal
02. Never to Rise Again
03. No One Answers
04. The Burning of Sodom
05. Extinction-Level Event
06. Merciless Death
07. The Death of Innocence
08. Death Is Certain (Life Is Not)
09. Darkness Descends
10. Perish in Flames

Powerwolf Setlist:

01. Bless ’em With the Blade
02. Incense & Iron
03. Army of the Night
04. Sinners of the Seven Seas
05. Amen & Attack
06. Dancing With the Dead
07. Armata Strigoi
08. Sainted by the Storm
09. Heretic Hunters
10. Fire and Forgive
11. Werewolves of Armenia
12. Demons Are a Girl’s Best Friend
13. Blood for Blood (Faoladh)
14. Sanctified With Dynamite
15. We Drink Your Blood

Saxon Setlist:

01. Hell, Fire and Damnation
02. Power and the Glory
03. Motorcycle Man
04. Madame Guillotine
05. Heavy Metal Thunder
06. Strong Arm of the Law
07. 1066
08. And the Bands Played On
09. Denim and Leather
10. 747 (Strangers in the Night)
11. Wheels of Steel
12. Crusader
13. Princess of the Night

Malefactor Setlist:

01. Centurian
02. Behold the Evil
03. Cristozofrenia
04. Necrolust in Thulsa Abbey
05. Baron Samedi
06. Elizabathory
07. Barbarian Wrath
08. Sodom and Gomorrah

Válvera Setlist:

01. The Skies Are Falling
02. Bringer of Evil
03. Reckoning Has Begun
04. The Damn Colony
05. Where I Left Behind
06. Crawl to the Dawn
07. The Traveller
08. Unleashed Fury
09. Demons of War

Dynazty Setlist:

01. In the Arms of a Devil
02. Game of Faces
03. Natural Born Killer
04. The Grey
05. Waterfall
06. Yours
07. Call of the Night
08. Drum Solo
09. Presence of Mind
10. The Human Paradox
11. Heartless Madness

Municipal Waste Setlist:

01. Garbage Stomp
02. Sadistic Magician
03. Slime and Punishment
04. Breathe Grease
05. Grave Dive
06. You’re Cut Off
07. The Thrashin’ of the Christ
08. Poison the Preacher
09. Wave of Death
10. High Speed Steel
11. Restless and Wicked
12. Crank the Heat
13. Mind Eraser
14. Under the Waste Command
15. Beer Pressure
16. Thrashing’s My Business… And Business Is Good
17. I Want to Kill the President
18. Wrong Answer
19. The Art of Partying
20. Demoralizer
21. Born to Party

H.E.A.T Setlist:

01. Disaster
02. Emergency
03. Dangerous Ground
04. Hollywood
05. Rise
06. Beg Beg Beg
07. Back to the Rhythm
08. Bad Time for Love
09. 1000 Miles
10. One by One
11. Living on the Run

 
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