BANGERS OPEN AIR: mudança de nome com relevância mantida (Parte I)
Postado em 02/05/2025


Artista: Vários
Evento: Bangers Open Air
Cidade/Estado/País: São Paulo – São Paulo – Brasil
Local: Memorial da América Latina
Data: 02 de Maio
Ano: 2025
Produtora: Consulado do Rock & Parceiros

Como é bom poder retornar! Foi há quase um ano atrás que estávamos participando da cobertura, da segunda edição do Summer Breeze Brasil, ocorrida em São Paulo, no já habitual Memorial da América Latina. Mal dá para acreditar que assistimos nomes como Mercyful Fate, Anthrax, Epica, Gene Simmons Band, Mr. Big, Hammerfall e muitos outros. Diversas recordações, muito entretenimento, mas também muito trabalho para trazer as nossas impressões sobre a audaciosa empreitada.

O novo capítulo do Summer Breeze Brasil reservou uma surpresa indigesta aos seus fãs brasileiros, quando anunciada a sua mudança de nome para Bangers Open Air. A referida informação gerou apreensão e dúvidas, inclusive a este mesmo portal, sobre a manutenção do padrão de qualidade estabelecido pela sua produção. Contudo, preferimos apostar na credibilidade do time que se mantinha o mesmo, segundo nota oficial emitida pelos responsáveis da nova marca.

O cast não surpreendeu e foi o primeiro sinal que, o esforço para selecionar o que existe de melhor na cena mundial, foi prioridade máxima dos envolvidos. Todavia, pedras apareceram no decorrer do caminho, ilustradas pelos cancelamentos das bandas Knocked Loose, I Prevail e We Came As Romans. Sim, os percalços causaram chateação, mas por outro lado as escalações de Destruction e Blind Guardian trouxeram um enorme sentimento de satisfação, ainda que tardio. Além da dupla aqui mencionada, os headliners Kamelot (que ganhou uma data extra, suprindo a vaga deixada pela I Prevail), Kerry King, Glenn Hughes, Saxon, Powerwolf, Sabaton, W.A.S.P. e Avantasia; prometiam tornar a experiência novamente inesquecível.

Outro ponto que diferenciou o Bangers Open Air, com relação ao que aconteceu no ano anterior no Summer Breeze Brasil, foi a substituição da programação cheia da sexta-feira (02) pelo formato de warm-up. O aquecimento contou com apenas seis shows, divididos nos dois palcos principais (Ice Stage e Hot Stage), encabeçado pelas atrações principais Glenn Hughes e Doro, além dos não menos importantes Pretty Maids, Armored Saint, Dogma e Kissin’ Dynamite. A mudança frustrou?! Sim, frustrou! Mas nada que destruísse as nossas mais otimistas das expectativas.

Quando recebemos a programação do primeiro dia, foi confirmada que a Kissin’ Dynamite daria o pontapé inicial nos trabalhos, às 15 horas, no Ice Stage. Sabendo disso, a nossa equipe chegou uma hora antes, para checar se toda a estrutura disponibilizada sob a nova marca, condizia com as outras duas edições dos anos anteriores. A apreensão deu lugar ao alívio, pois o que vimos foi uma transposição exata do que tínhamos em 2024, para este 2025! Todo o pacote de opções estava no seu devido lugar, incluindo a praça de alimentação, área gourmet do lounge, setor de merchandising alocado próximo ao auditório do Memorial, setor de imprensa e os quatro palcos.

O nosso status enquanto veículo jornalístico recebeu um bem vindo upgrade, que nos proporcionou ter acesso ao backstage e área reservada apenas aos artistas. E foi quando fomos visitar a parte traseira do Ice Stage, que topamos com o vocalista alemão Hannes Braun da Kissin’ Dynamite. O cara rumava a passos largos em direção ao palco, denunciando que não tardaria para que a nova revelação do Hard Rock europeu, tomasse o protagonismo inicial das festividades naquela tarde ensolarada. Foi então que tomamos o sentido oposto e corremos para a parte frontal da estrutura, que ainda não contava com um grande número de fãs.

Eu não conhecia nada sobre a alemã Kissin’ Dynamite, então fui de coração aberto para assisti-la. A proposta é o bom e velho Hard Rock AOR, com forte apelo para a estética dos anos oitenta. Podemos até dizer que é algo na linha da ótima Nestor, mas sem o mesmo brilhantismo e aptidão para as melodias. O álbum promovido chama-se “Back With a Bang!” (2024) e dele tivemos algumas boas canções, como “My Monster” e “The Devil is a Woman”, que serviram para esquentar o pessoal que chegou cedo para acompanha-la.

Braun se mostrou muito performático e carismático em cena. Ele sorria todo o tempo, se comunicava com os presentes e atingia alguns tons altos com leveza e facilidade. Nas baladas ele também se saiu bem, com interpretações dignas de nota para as açucaradas “Not the End of the Road” e “You’re Not Alone”. Além delas, outros pontos altos foram as enérgicas “No One Dies a Virgin” e “Raise Your Glass” que falaram alto, com uma qualidade de som praticamente impecável.

Se eu não esperava nada da Kissin’ Dynamite e fui presenteado com um bom show de Hard Rock, o mesmo não poderia falar das enigmáticas freiras da Dogma. Seguindo a mesma estratégia de marketing do Ghost, as meninas não revelam as suas identidades, tampouco o país de onde vieram. Reza a lenda que são chilenas, mas não ponho a minha mão no fogo por essa mensagem, recebida via telefone sem fio.

O debut álbum homônimo das garotas é bem agradável, pois se escora no lado mais tradicional do Hard Rock, com algumas pitadas mais pesadas aqui e ali. Contudo, a boa impressão que o disco me causou, caiu por terra quando elas iniciaram o seu set. Para começo de conversa, o som que se mostrou cristalino na atuação do Kissin’ Dynamite, foi um verdadeiro desastre já nos primeiros momentos de “Forbidden Zone”. Bateria altíssima, com um bumbo insuportável, guitarras microfonando e um desempenho vacilante da vocalista Lilith, foram apenas alguns dos vários pontos negativos.

Diferente do álbum, Lilith parecia insegura, desafinando bastante. Talvez por não estar tendo o retorno adequado do áudio no palco, então aproveitou para focar na parte cênica com diversos excessos de sensualidade que, em um primeiro momento até surtiram efeito positivo, mas com a repetição tudo aquilo ficou cansativo demais. Encarei como um verdadeiro balde de água fria, mesmo que a inédita “Banned” e o cover de “Like a Prayer”, de Madonna, tenham se destacado, nos poucos trechos inteligíveis.

Não sei quem foi o técnico de som da Dogma, mas esse cara precisa ser demitido com muita urgência. Ainda espero poder vê-las em outra ocasião, pois a primeira impressão que tive do seu trabalho ao vivo, foi extremamente ruim! Continuaram com “Make Us Proud”, “Father I Have Sinned” e a derradeira “The Dark Messiah”. Quando o show acabou, impossível não notar o semblante de alívio das pessoas próximas a mim! Triste de ver e, realmente, foi uma pena tudo ter transcorrido daquela forma!

Saindo do Hot Stage para o seu vizinho, Ice Stage, estava curioso para ver a estadunidense Armored Saint, dos batalhadores John Bush (vocal) e Joey Vera (baixo). Desde o primogênito “March of the Saint” (1984) que acompanho a sua carreira, mas confesso que me afastei do conjunto, desde que John foi confirmado como vocalista do Anthrax, em 1993, ocupando a vaga deixada por Joey Belladonna.

E foi chutando a porta, justamente com “March of the Saint”, que os caras optaram por dar início ao seu espetáculo. Já com um número muito maior de pessoas, John soube conduzir como ninguém a audiência, mas os problemas que a Dogma enfrentou com o som, não pouparam os americanos. Desta feita, definição tinha, mas vozes e instrumentos estavam muito baixos. Não foram poucas as pessoas que sinalizavam o problema para os músicos, que até viam, mas não entendiam as nossas súplicas. E esse desapontamento transcorreu no show inteiro, o que acabou por me deixar muito chateado!

Outro ponto alto foi em “Can You Deliver”, mais uma de “March of the Saint”, e que foi o gatilho para John saltar do palco e vir para os braços dos fãs. O cara passou por toda a área do lounge e foi direto cair nos braços de quem estava na pista comum. Inclusive, tanto na ida quanto na volta, ele passou do meu lado. Sempre cantando e agitando constantemente, até retomar o seu posto ao lado de Vera em cima do palco. Do memorável “Symbol of Salvation” (1991) fomos agraciados com as inesquecíveis “Last Train Home” e “Reign of Fire”, ambas entoadas pelos quarentões de plantão e que não poupam passagens mais saudosistas!

Com dois shows com qualidades sonoras muito ruins, fiquei temeroso que a clássica Pretty Maids fosse a próxima vítima dos estagiários que estavam comandado a mesa. Ledo engano, graças ao meu bom Deus! Dito isso, poder ver o celebrado vocalista Ronnie Atkins recuperado de um câncer de pulmão, não tem preço. E foi com toda essa aura positiva, que presenciamos o melhor desempenho musical demonstrado até ali.

O quinteto veio para o Bangers Open Air para nos conhecer, sem que estivesse promovendo um álbum específico. O seu último lançamento foi em 2019 com o competente “Undress Your Madness” e, de lá para cá, nada inédito foi anunciado. “Mother of All Lies” foi a primeira, rememorando “Motherland” de 2013 e, como não sou profundo conhecedor da sua discografia, a maioria das canções soaram “virgens” e intocadas para mim. E foi nessa toada que Atkins conduziu os seus parceiros, em meio ao seu vasto arsenal técnico, rumo aos corações dos metalheads.

“Kingmaker” do full-length de mesmo nome de 2016, trouxe uma faceta mais voltada para o Hard Rock, com um refrão pegajoso e propício para que a plateia cantasse junto. A empolgação foi uma crescente daquele ponto em diante, com as adições de “Back to Back”, “Red, Hot and Heavy”, “I.N.V.U.”, “Future World” e a belíssima balada “Little Drops of Heaven”. Aliás, estou me devendo uma audição do álbum “Pandemonium” (2010), a mim recomendado por um entusiasta de carteirinha dos dinamarqueses.

Antes de se despedirem, ainda deu tempo de executarem “Please Don’t Leave Me”, que nada mais é do que um cover de John Sykes, registrada em meados de 1992. “Future World” e “Love Games” selaram a primeira passagem do Pretty Maids em solo brasileiro, com classe, requinte e altas doses de bom gosto. Aquela foi o tipo de experiência que aquece a alma! As sensações causadas pela tropa de Mr. Atkins, são difíceis de descrever em palavras, então recomendo que busque assisti-la presencialmente.

Eu ainda estava digerindo o Pretty Maids quando notei canhões de luzes, em vários tons de azul, denunciando que a rainha Doro Pesch já estava prestes a emprestar, um pouco, do seu talento e beleza para o público. Naquela altura, já tínhamos o maior número de cabeças que o warm-up angariou, para a felicidade da nossa musa. Eu já havia tido a oportunidade de ver Doro há muitos anos atrás, no extinto festival Live N’ Louder, também ocorrido em São Paulo, mas confesso que não estava pronto para a emoção que esse reencontro me proporcionaria. Com um set que mesclou diversas músicas do Warlock, algumas poucas da sua carreira solo e a já costumeira versão de “Breaking the Law” do Judas Priest, a loira não decepcionou.

Do Warlock, desde o começo com “I Rule the Ruins” até a última “All We Are”, foi bastante assertiva. É bem sabido que é jogar em campo seguro quando falamos do Warlock, e ela sabe muito bem disso. Não por acaso, das doze executadas, oito eram da banda que a projetou aos quatro cantos do planeta. “Burning the Witches”, como sempre, pôs toda a legião de preto para bater cabeça, enquanto que “Für immer” foi responsável pela maior conectividade dela com os presentes. Lindo de ver!

“Raise Your Fist in the Air” e “Fire in the Sky”, da sua carreira solo, foram as que mais gostei. Importante também mencionar o espaço que a moça tem dado, para o guitarrista brasileiro Bill Hudson. O cara por diversas vezes se impôs em cena, com muita personalidade e habilidade com o seu instrumento. Obviamente não falou um curto bate papo conosco, no bom e velho português, fazendo a alegria da geral!

“Breaking the Law” é um plus e sempre agrada! Já tem vários anos que Doro a inclui no seu repertório, e não acredito que chegue o dia que ela vá retirar. Ela é muito ligada aos músicos do Judas Priest, principalmente a Rob Halford, que se tornou um grande amigo e parceiro dentro da música. Acredite, amigo leitor, mesmo sendo uma canção muito batida, algo como o que acontece com “The Trooper” do Iron Maiden, o efeito que ela causa é muito legal de assistir.

Ainda sob o efeito do clima festivo de despedida, proporcionado por “Breaking the Law” e “All We Are”, rumamos para o Hot Stage para acompanharmos a lenda do Classic Rock, Glenn Hughes. Eu já estava exausto, mas poder ver um dos melhores e mais importantes vocalistas do Rock mundial, é algo que merece que tiremos energia até do último fio de cabelo. E assim foi feito, pois pontualmente as 20:35 Glenn dava o ar da sua graça, arrancando lágrimas dos mais velhos.

A escolha Glenn Hughes para fechar o primeiro dia do Bangers Open Air, acredito que foi acertada. E foi especial demais, pois tratava-se do último show da bem sucedida “Glenn Hughes Performs Classic Deep Purple Live” que, como o próprio nome sugere, trata-se de uma homenagem aos seus tempos no Deep Purple, que ocorreram entre os anos de 1973 e 1976. Então, o que dizer de hinos absolutos como “Stormbringer”, “Might Just Take Your Life”, “Sail Away” e “Burn”?! Até para mim, que não sou lá grande fã de Classic Rock, me vi por diversas vezes cantando e vibrando em várias passagens.

Não quero cometer a injustiça de esquecer de mencionar, a banda que acompanha Glenn. Todos entrosados, deixaram o som coeso e proporcionaram segurança suficiente para o veterano focar apenas em si mesmo. Portanto, Søren Andersen na guitarra, Bob Fridzema nos teclados e Ash Sheehan na bateria; passaram no teste de poder dividir o mesmo espaço que uma das principais lendas da história do Rock, principalmente Sheehan que conduziu um solo interessante e que passou bem longe de ser chato.

Apesar dos problemas enfrentados pelo Dogma e pelo Armored Saint, atesto que o primeiro dia de Bangers Open Air entregou o que se propôs. Poder ter acompanhado a miscelânea dos novatos ao lado dos dinossauros, me fez relembrar o porque do Hard Rock e do Heavy Metal serem vertentes tão apaixonantes, dentro dos seus respectivos universos, repletos de complexidades. Agora é descansar, para que o segundo dia seja enfrentado com o máximo de vitalidade possível.

Continua…

Glenn Hughes Setlist:

01. Stormbringer (Deep Purple cover)
02. Might Just Take Your Life (Deep Purple cover)
03. Sail Away (Deep Purple cover)
04. You Fool No One/Solo de guitarra/Blues/High Ball Shooter/You Fool No One/Solo de bateria/You Fool No One (Deep Purple cover)
05. Mistreated (Deep Purple cover)
06. Gettin’ Tighter (Deep Purple cover)
07. You Keep On Moving (Deep Purple cover)
08. Burn (Deep Purple cover)

Doro Setlist:

01. I Rule the Ruins (Warlock cover)
02. Earthshaker Rock (Warlock cover)
03. Burning the Witches (Warlock cover)
04. Fight for Rock (Warlock cover)
05. Time for Justice
06. Raise Your Fist in the Air
07. Metal Racer (Warlock cover)
08. Für immer (Warlock cover)
09. Hellbound (Warlock cover)
10. Fire in the Sky
11. Breaking the Law (Judas Priest cover)
12. All We Are (Warlock cover)

Pretty Maids Setlist:

01. Mother of All Lies
02. Kingmaker
03. Rodeo
04. Back to Back
05. Red, Hot and Heavy
06. Pandemonium
07. I.N.V.U.
08. Little Drops of Heaven
09. Please Don’t Leave Me (John Sykes cover)
10. Future World
11. Love Games

Armored Saint Setlist:

01. March of the Saint
02. End of the Attention Span
03. Raising Fear
04. Long Before I Die
05. The Pillar
06. Last Train Home
07. Feft Hook from Right Field
08. Standing on the Shoulder of the Giiants
09. Win Hands Down
10. Can U Deliver
11. Reign of Fire

Dogma Setlist:

01. Forbidden Zone
02. My First Peak
03. Made Her Mine
04. Banned
05. Like a Prayer (Madonna cover)
06. Bare to the Bones
07. Make Us Proud
08. Pleasure From Pain
09. Father I Have Sinned
10. The Dark Messiah

Kissin’ Dynamite Setlist:

01. Back With a Bang
02. DNA
03. No One Dies a Virgin
04. I’ve Got the Fire
05. My Monster
06. The Devil is a Woman
07. Not the End of the Road
08. You’re Not Alone
09. Raise Your Glass

 
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