Das cinzas da Nihilist e da necessidade de Nicke Andersson, Ulf Cederlund, Alex Hellid e do saudoso vocalista L-G Petrov se afastarem do convívio com o baixista Johnny Hedlund, surgiram Entombed e UNLEASHED. A partir dessa ruptura, quem saiu ganhando foi o público, com a consolidação de dois projetos que atravessaram o tempo e entregaram títulos emblemáticos como “Left Hand Path” (1990) e “Where No Life Dwells” (1991), respectivamente.
Nesse contexto, Hedlund era visto como o elo mais frágil no encerramento das atividades da Nihilist, porém demonstrou resiliência, obstinação e foco ao reconstruir sua carreira desde o início, orientado pelo Death Metal. Com o passar dos anos, a incorporação de temas ligados à cultura nórdica levou a delinear um novo caminho para o músico, que acabou pavimentando a estrada para que dezenas de nomes surgidos posteriormente pudessem atravessá-la, agora vinculados à recém-criada vertente conhecida como Viking Metal.
Todo esse processo ocorreu de forma espontânea, sem planejamento prévio por parte de Hedlund, mas abriu espaço para o surgimento de referências relevantes para o cenário, como Amon Amarth, Ensiferum, Turisas, Moonsorrow, Einherjer, Falkenbach, entre outras. A continuidade dessa trajetória foi registrada em agosto de 2025, com a chegada do décimo quinto álbum “Fire Upon Your Lands” (Napalm Records), quase quatro anos depois de “No Sign of Life”, retomando a já tradicional estética viking e a base sólida derivada do Death Metal.
A produção é precisa e privilegia o peso e a clareza de todos os instrumentos, com gravações realizadas no Chrome Studios, em Estocolmo, na Suécia. Johnny Hedlund segue consistente na função de vocalista, mantendo sua característica abordagem entre o gutural e um timbre mais áspero, com uso frequente de drives. O trabalho de cordas desenvolvido pelos guitarristas Fredrik Folkare e Tomas Måsgard garante solos expressivos, carregados de linhas melódicas em meio à agressividade do Death Metal. Entre os momentos mais relevantes estão “Loyal to the End” e “Midjardarhaf”.
Embora o Death Metal seja o eixo central deste material, é importante considerar a abordagem europeia adotada, marcada pela abundância de linhas melódicas, o que pode afastar ouvintes mais puristas do segmento. Assim, mesmo que faixas como “Left for Dead”, “A Toast to the Fallen” e “The Road to Haifa Pier” apresentem clima hostil e forte sensação de urgência, o lado mais acessível do UNLEASHED permanece claramente perceptível e atuante.
“To My Only Son” chama atenção pela evidente referência ao Manowar. Ao se aproximar de forma acentuada do conceito e da estrutura da clássica “Defender”, ao retratar a carta de um guerreiro ao filho sobre viver com orgulho, o conjunto se expõe a possíveis críticas. A semelhança chega ao ponto de reutilizar o verso “As you read these words, I want you to know…”, tornando a alusão praticamente inevitável. A impressão transmitida é a de que a homenagem se aproxima mais de uma reprodução excessivamente fiel do que de uma simples inspiração.
O encerramento da obra chega com “Unknown Flag” e também causa certa estranheza, por aparentar abordar a temática da pirataria, em contraste com a narrativa viking mantida ao longo do repertório. A faixa soa deslocada no contexto geral, embora não apresente problemas em sua construção. De modo geral, o registro se mostra coeso ao longo de pouco mais de trinta e oito minutos. Para quem apreciou trabalhos como “The Hunt for White Christ” (2018) e “Dawn of the Nine” (2015), a tendência é encontrar em “Fire Upon Your Lands” uma continuidade direta dessa fase.