Antes que me julguem, preciso deixar bem claro que sou um viúvo convicto do estupendo vocalista Howard Jones! Ele, infelizmente, deixou o KILLSWITCH ENGAGE após o lançamento do álbum homônimo de 2009, para se dedicar a outros projetos dentro da cena, como os ótimos Light the Torch e Sion. Senti muito a falta do cara, ainda que o retorno de Jesse Leach ao posto tenha mantido o padrão de qualidade lá em cima. Dito isto, vamos ao que verdadeiramente interessa: este “This Consequence” de 2025, licenciado no Brasil pela Valhall Music.
O novo material pode desapontar em um primeiro momento, porque não revigora em quase nada a música dos americanos, que se mantém sempre fiéis aos padrões estéticos do Metalcore. Mas quando utilizo a palavra “quase”, ainda que de maneira tímida, é porque os caras adicionaram algumas novas camadas à sua sonoridade, como já vistas nos primeiros momentos de “Abandon Us”, faixa de abertura que possui bases que me remeteram aos contratempos propostos pelo Djent.
“Forever Aligned” é outro destaque, por ser mais agressiva, pesada e com forte apelo para os níveis mais extremos do Metal. Uma ótima pedida, principalmente para quem já cansou dos refrões extremamente açucarados e repetitivos. Eles, inclusive, parecem servir como uma espécie de freio de mão, sempre mantendo o lado comercial do grupo em evidência, para ninguém ousar se esquecer da sua suposta importância. Aliás, a fórmula aqui é tão bem definida e engessada que consigo imaginar os músicos um pouco reféns, sendo obrigados a inserir clichês do gênero, mesmo que as ideias preliminares dentro do processo de escrita não peçam por nada disso.
O guitarrista Adam Dutkiewicz continua um excelente compositor, tendo em vista que as canções aqui, todas elas, agradam bastante! Mesmo que não fuja do que já foi produzido pela própria banda no decorrer da carreira, “Collusion” corrobora a afirmativa ao flertar claramente com o Nu Metal, apresentando diversos grooves e vocalizações que vão desde os habituais screams até o gutural, acenando, mesmo que de longe, para o Death Metal. E “The Fall of Us” segue na mesma direção, com muita velocidade e blast beats em constante estado de progressão. Talvez esta tenha sido a que mais me agradou durante minhas primeiras audições.
Enquanto “Broken Glass” se mostra mais cadenciada e experimental, “Requiem” traz um lado Thrash Metal que estava meio adormecido nos últimos discos. Impossível não escutar esta última e não lembrar do Testament, devido a uma conjuntura estrutural bem similar aos tempos áureos dos deuses da Bay Area. Então, se até agora, mesmo com tantos pontos positivos, ninguém tenha se impressionado com “This Consequence”, em “Requiem” temos aquela velha pontinha de esperança. Certamente, os mais conservadores vão adorá-la!
“This Consequence” é um bom trabalho e não causa qualquer tipo de demérito ou constrangimento na discografia do KILLSWITCH ENGAGE. O disco peca apenas por não trazer nada substancial que acrescente vitalidade e torne o título digno de destaque na cena. Temos, então, o famoso mais do mesmo, com pequenas nuances aqui e ali, além do incômodo adendo referente à reiterada inclusão de vocais limpos em todas as tracks. Tal fator pode ser muito enfadonho para alguns, pode acreditar! Comigo não houve problemas, até porque Jesse Leach é um excelente cantor, mas não há como não perceber que a turma pesou a mão nisso, após quase quarenta minutos de conteúdo avaliado.