SAVATAGE: Quando o Clássico Encontra-se com o Metal Progressivo Sueco
Postado em 21/04/2025


Artista: Savatage (Estados Unidos) & Opeth (Suécia)
Evento: Pro Latin America Tour
Cidade/Estado/País: São Paulo – São Paulo – Brasil
Local: Espaço Unimed
Data: 21 de Abril
Ano: 2025
Produtora: Mercury Concerts

Foi a promessa de um setlist mais amplo e abrangente que nos encorajou a termos este novo encontro com o SAVATAGE, que aconteceu dias depois da catarse provocada pela banda na última edição do Monsters of Rock. Para quem me conhece, sabe o quanto sou fã desses caras, e a experiência no Allianz Parque, em 19 de abril, foi uma das mais emotivas que já tive em toda a minha vida. Portanto, não existiram dúvidas para que a decisão por esta cobertura exclusiva fosse tomada.

Ficou nítido, até pelo tempo disponibilizado para o SAVATAGE no Monsters of Rock, que houve uma grande economia de clássicos, principalmente de álbuns como “Handful of Rain” (1994) e “Dead Winter Dead” (1995). E isso gerou certa frustração? Sim, gerou, mas, como se tratava de um festival com várias bandas, foi algo compreensível. Dito tudo isso, nem pensamos duas vezes e rumamos para o Espaço Unimed, na fria noite de 21 de abril, para um reencontro que prometia reacender alguns sentimentos que ainda estavam precisando ser liberados.

Para acompanhar o SAVATAGE, o Opeth foi escalado como open act, e foi uma ótima oportunidade de vermos o time liderado por Mikael Åkerfeldt dentro de um outro contexto, em um ambiente fechado, já que no Monsters of Rock não funcionou muito para mim. E agradaram, ainda que eu tenha chegado bem em cima da hora para me posicionar na área VIP reservada para a imprensa especializada.

Promovendo o ótimo “The Last Will and Testament” (2024), o grupo executou “§1”, “§3” e ainda acrescentou aqui “§7”, descartada na oportunidade anterior em terras brasileiras. O lado progressivo do Opeth está cada vez mais acentuado e, se o fã estiver familiarizado, certamente vai participar da viagem musical proposta em cada detalhe. Infelizmente, não é o meu caso, mas não entenda errado. Eu gosto de Prog/Metal, mas quando estou bem acomodado em casa, ouvindo um disco.

“The Leper Affinity”, do seminal “Blackwater Park” (2001), também foi outra surpresa e foi bem recebida por todos. Outro destaque ficou para a interação divertida de Mikael Åkerfeldt com a audiência. Ele sempre tem alguma história para contar, com muito sarcasmo e, geralmente, envolvendo outras personalidades do mundo do Metal. Quem nunca ouviu sobre a sua narrativa acerca de um convite para uma jam com o Dream Theater, corra atrás para assistir no YouTube. Hilário.

O repertório ainda contou com “Master’s Apprentices” e “The Leper Affinity”, tendo o seu encerramento novamente com “Sorceress” e “Deliverance”. E foi assim que o Opeth se despediu do público brazuca e, desta apresentação, constatamos duas coisas muito importantes. A primeira é que estar em um local fechado, usufruindo de iluminação adequada e backline de primeira, faz com que a sua música cresça exponencialmente. E a segunda é que, mesmo em condições melhores, ainda é extremamente difícil agregar novos seguidores, por estarmos lidando com muita complexidade e climáticas que beiram a psicodelia.

A equipe da nossa revista eletrônica se manteve no mesmo local, deixando de lado qualquer experiência de visitação ao Espaço Unimed, para que se garantisse um melhor campo de visão do palco. E não demorou para que o SAVATAGE entrasse em cena, com a mesma abertura que nos foi apresentada no estádio do Palmeiras dias atrás, com “The Ocean”, “Welcome” e a explosiva “Jesus Saves”.

Para este segundo show em São Paulo, foram acrescentadas nada mais nada menos que oito músicas, se compararmos ao evento anterior. Tá certo que todos já sabiam que haveria anexações, mas o que o SAVATAGE preparou para os bangers que ali estavam foi muito além dos prognósticos mais positivos. E foi nesta toada que seguiram com “Sirens” e a faixa-título, além de “Another Way”, ambas de “The Wake of Magellan” (1997). Não sou lá muito entusiasta deste disco, mas o caráter democrático já dava os seus primeiros sinais, principalmente pela presença de “Another Way”.

“Strange Wings”, “Taunting Cobras” e “Turns to Me” foram outras que caíram de paraquedas no nosso colo, levando todos, inclusive este que vos escreve, ao êxtase. Só a presença de “Strange Wings”, do álbum “Hall of the Mountain King” (1987), já valeria o ingresso, ainda mais com a interpretação convincente do vocalista Zak Stevens, em uma das mais difíceis de serem reproduzidas da fase de Jon Oliva.

“The Storm” serviu como prenúncio para “Handful of Rain” e “Chance”, antes da chegada da belíssima balada “This is the Time (1990)”, de “Dead Winter Dead” (1995). Todas elas apresentadas com precisão cirúrgica por todo o grupo, mas eu não conseguia desviar a minha atenção do guitarrista Chris Caffery e do classudo baterista Jeff Plate. Como esses caras tocam, meu amigo. E aqui enalteço Plate novamente, pois a sua desenvoltura na condução do seu instrumento é comparável à lenda Scott Travis (Judas Priest), tamanho é o requinte e a plasticidade.

“Gutter Ballet” demonstrou o quão capacitado é Stevens para assumir o posto de cantor do SAVATAGE. Mesmo com tom grave e voz de peito, ele reinterpretou a canção, concedendo a ela, inclusive, mais peso e dramaticidade. O mesmo posso dizer de “Edge of Thorns”, que é uma clássica absoluta da sua era, e “The Hourglass”, mais uma representante de “The Wake of Magellan”. Atuação irretocável!

O telão novamente protagonizou com a participação do amado Jon Oliva em “Believe”. E aqui vale, mais uma vez, a informação de que Oliva, vocalista, tecladista e membro fundador do SAVATAGE, além de sofrer um grave acidente em 2023, foi diagnosticado com esclerose múltipla e doença de Ménière, impossibilitando a sua vinda ao Brasil. Dito isso, mais uma vez, chorei litros com a homenagem a este senhor, que tanto nos presenteou com suas músicas no decorrer das décadas.

A injustiçada e nunca lembrada “Power of the Night”, do homônimo de 1985, foi responsável por um dos momentos de maior interação com o público. Nem eu lembrava o quanto ela significou para uma geração, então foi lindo ver todos cantando em uníssono e boa parte batendo cabeça durante a sua execução. E, quando mal estávamos nos recompondo, “Hall of the Mountain King” encerrou a festa com as velhas promessas de um breve retorno! Parabéns aos envolvidos, principalmente à Mercury Concerts, que entregou uma estrutura de altíssimo nível, sendo recompensada com casa cheia e muitos sorrisos.

Savatage Setlist:

01. The Ocean
02. Welcome
03. Jesus Saves
04. Sirens
05. Another Way
06. The Wake of Magellan
07. Strange Wings
08. Taunting Cobras
09. Turns to Me
10. Dead Winter Dead
11. The Storm
12. Handful of Rain
13. Chance
14. This is the Time (1990)
15. Gutter Ballet
16. Edge of Thorns
17. The Hourglass
18. Believe
19. Power of the Night
20. Hall of the Mountain King

Opeth Setlist:

01. §1
02. Master’s Apprentices
03. The Leper Affinity
04. §7
05. In My Time of Need
06. §3
07. Ghost of Perdition
08. Sorceress
09. Deliverance

 
Categoria/Category: Shows

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