Parece que foi ontem, mas já se passaram quatro longos anos desde a chegada do debut “Kings in the North”, da sueca CROWNE. Quando tive o primeiro contato com o quarteto, apresentado a mim como uma iniciativa encabeçada pelo baixista do Europe, John Levén, eu não fazia ideia de que seria amor à primeira audição. A mistura de Heavy Metal e Power Metal, organizada dentro de uma estrutura voltada ao Hard Rock moderno, soou imediatamente envolvente e irresistível.
O que acontece com a CROWNE não é algo comum, mesmo considerando que seus integrantes acumulam décadas de estrada. Com apenas três trabalhos no currículo, a formação já exibe uma assinatura própria bem definida, algo que ficou evidente no antecessor “Operation Phoenyx” (2023), recheado de ideias cheias de personalidade. Em “Wonderland”, o lançamento mais recente, essa fórmula permanece intacta, com clara prioridade para construções melódicas e bases sólidas, pensadas para dar liberdade total ao impressionante vocalista Alexander Strandell, que se diverte e brilha no posto.
Diante desse cenário, o mais desavisado pode se preparar para mais um disco recheado de potenciais hits, refrãos marcantes, temas elevados e um feeling que beira o inacreditável. Confesso que havia certa desconfiança sobre a capacidade do grupo em manter o nível elevado apresentado anteriormente. Essa dúvida, porém, se dissipou logo nos primeiros instantes da faixa-título, responsável por abrir a obra e que já pode ser encarada como uma nova clássica da sua trajetória. O refrão é altamente memorável e insistente na medida certa, garantindo que o ouvinte saia cantarolando logo após um breve contato. Eu mesmo me peguei repetindo-a várias vezes, e não tenho dúvidas de que isso acontecerá com muita gente.
Na sequência, a explosiva “Waiting for You” surge reafirmando os motivos que a levaram a ser escolhida como track de apresentação da bolachinha. Direta, poderosa e sustentada por mais um trecho pegajoso, ela conta ainda com uma interpretação inspirada de Strandell, o que a coloca entre os grandes destaques de “Wonderland”. Há ecos de Stratovarius aqui e ali, especialmente na condução dos teclados, mas nada que comprometa o fluxo natural do registro ou dilua a identidade da CROWNE. Já “Eye of the Oracle” aposta em uma cadência mais controlada e pulsante, acrescentando variedade e dinamismo ao chamado “lado A”.
Além do já citado cantor, o guitarrista Love Magnusson (Dynazty) apresenta um desempenho seguro e inteligente, equilibrando solos melodiosos com bases mais encorpadas e atuais. John Levén, por sua vez, mantém a presença imponente de sempre, sustentando a coesão necessária ao lado do baterista Christian Lundqvist (Biff Byford). Esse entrosamento fica especialmente evidente em “Warlords of the North”, uma das passagens mais pesadas e que remete diretamente à sonoridade do primeiro LP. Excelente!
A balada “Goodbye”, claramente inspirada na estética do Queen, fecha minhas menções. Trata-se de uma canção belíssima, com alto potencial de emocionar os fãs mais atentos do gênero. Impressiona como, após três títulos, um projeto que nasceu quase despretensioso consegue manter um nível tão elevado, respeitando suas raízes e demonstrando um apurado bom gosto para melodias sentimentais. “Wonderland” já figura na minha lista de melhores lançamentos de 2025 e, graças à Shinigami Records, toda a discografia da CROWNE está disponível no mercado nacional. Não perca tempo: vale garantir a sua cópia o quanto antes.