DIVINE PAIN: Destructive Measures
Postado em 12/02/2024


Artista: Divine Pain
País: Brasil
Álbum: Destructive Measures
Gravadora: Abismo Metal Store
Licenciamento: Abismo Metal Store
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2024

Com a agenda constantemente ocupada — e, agora, também integrando Malefactor e Headhunter D.C. —, eu não imaginava que o guitarrista Danilo Coimbra encontraria espaço para se dedicar ao projeto DIVINE PAIN. Ledo engano de quem vos escreve: em 2024, foi lançado o seu segundo álbum, “Destructive Measures”, com formação renovada e algumas surpresas realmente bem-vindas, que deixam claro um momento criativo mais amplo e confiante por parte do músico.

O direcionamento artístico permanece ancorado no Death Metal, conforme apresentado no trabalho de estreia, “Immortality” (2010). Entretanto, desta vez, Danilo optou por incorporar novas abordagens rítmicas e atmosferas ligadas ao Doom Metal. Essa vertente se evidencia, por exemplo, em “A Path into the Void”, com mais de sete minutos de duração. A track é inteiramente cadenciada, mórbida e pesada, afastando-se de tudo o que o cara havia desenvolvido ao longo da carreira, inclusive durante seus extensos anos ao lado do Malefactor — um movimento ousado e, pessoalmente, bastante acertado.

Essa faceta mais arrastada adiciona frescor ao conjunto da obra e amplia o alcance da experiência, tornando o lançamento mais eclético e imprevisível. Mesmo assim, o alicerce de “Destructive Measures” segue firmemente sustentado pelo Death Metal. Essa característica já se revela nos primeiros segundos de “Flesh-Eating Protocols” e “Violence as Prevention”, dois dos principais momentos do disco. Enquanto a faixa de abertura aposta em velocidade extrema e blast beats, a seguinte privilegia balanço e impacto, convidando ao headbanging e funcionando de forma complementar, tanto na proposta quanto na intensidade.

Outro destaque incontestável é “Gospels of Damnation”, que evidencia um novo viés de Danilo como instrumentista. Explorando com criatividade a alavanca, ele constrói solos diferentes dos que costuma apresentar no Malefactor. A melodia ganha papel decisivo, sem que a brutalidade perca espaço, resultando em um efeito visceral que remete diretamente ao que Trey Azagthoth desenvolveu no Morbid Angel. A referência não é gratuita: a influência histórica do quarteto norte-americano sobre a trajetória de Danilo é evidente e ajuda a compreender escolhas estéticas que surgem com mais clareza neste registro.

Os riffs de “Destructive Measures” figuram entre os maiores trunfos do material, reforçando a coesão e a relevância do título. A variedade atende expectativas distintas: há momentos mais melódicos, como em “Dead Man Walking”, e outros marcados por densidade extrema, caso de “Deus Mortuus Est”. Esta última demonstra, de forma natural e convincente, como o Doom Metal foi incorporado à identidade do DIVINE PAIN, inclusive para quem, inicialmente, poderia encarar essa mescla com alguma reserva. “Destructive Measures” se consolida, portanto, como um LP de Death Metal plural, enriquecido por passagens que ampliam sua projeção e repercussão. Embora a produção não seja o ponto mais forte, a bolachinha encontra espaço relevante no cenário e, ao lado de nomes como Morbid Angel e Incantation, mostra que o DIVINE PAIN tem plenas condições de manter viva a chama do gênero no hemisfério sul.

Formação:

Danilo Coimbra (guitarrista)
Fábio Brayner (vocalista)
Rodrigo Nunes (baixista)
Daniel Beans (baterista)

Tracklist:

01. Intro
02. Flesh-Eating Protocols
03. Violence as Prevention
04. 731
05. The God’s Funeral
06. Gospels of Damnation
07. Dead Man Walking
08. Six Feet Under
09. Deus Mortuus Est
10. A Path into the Void

 
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