LUGUBRA: Flores e Pedras
Postado em 25/01/2024


Artista: Lugubra
País: Brasil
Álbum: Flores e Pedras
Gravadora: Abismo Metal Store
Licenciamento: Abismo Metal Store
Versão: Compact Disc
Ano de Lançamento: 2024

A LUGUBRA pode até ser um nome ainda pouco conhecido fora da Bahia, mas quem acompanha de perto a cena local de Salvador sabe exatamente de quem se trata. Surgido das cinzas da veterana Drearylands, o novo projeto — capitaneado por Leo “Lion” Leão (vocal), Rafael Syade (guitarrista) e Marcos Cazé (baixista) — busca ampliar aquilo que a antiga banda já havia apresentado no passado, fazendo isso com uma reverência admirável à própria história.

É possível, então, afirmar que Flores e Pedras”, seu álbum de estreia, funciona como uma espécie de continuação espiritual da Drearylands? Acredito sinceramente que sim. Essa percepção se torna ainda mais clara nas releituras de “Em Frente ao Espelho” e Redenção”, ambas originalmente lançadas sob a alcunha anterior. Mesmo com esse vínculo evidente, o LP consegue ir além da herança deixada, apresentando um time renovado e com os olhares mirando para o futuro. O legado é respeitado, mas não se transforma em muleta — uma escolha madura e coerente.

Definir a sonoridade da LUGUBRA não é tarefa simples, já que o repertório dialoga com diferentes vertentes do Metal. Há riffs e bases que remetem à fase mais recente do Megadeth, nuances de Modern Metal e passagens atmosféricas características do Doom. Falso Jardim” é um ótimo exemplo dessa mistura, trazendo uma dramaticidade que rememora os primeiros títulos da carioca Imago Mortis. Na minha avaliação, trata-se de uma das tracks mais interessantes do disco, ao lado de Decolonial”, que abre o full-length, e de Nau dos Insensatos”.

Outro ponto que merece atenção é a opção por utilizar o português em todas as composições, algo que ainda foge do padrão dentro do gênero. Sob esse recorte, fica evidente que Leo “Lion” Leão segue em um grande momento, entregando emoção constante e um senso de urgência que já se tornou marca registrada. Arrisco dizer que ele figura entre os principais letristas do país e que, ao optar por cantar em nossa língua, torna a mensagem consideravelmente mais acessível aos fãs.

A produção ficou a cargo de Jera Cravo — responsável por trabalhos do Malefactor e do Cobalto — com o suporte direto de Rafael Syade, que se saiu muito bem na nova função. O resultado é um som claro, coeso e pesado, exatamente como a proposta pede. Tudo se encaixa de forma natural e, nesse aspecto, não tenho ressalvas, ainda que, pessoalmente, eu costume preferir masterizações realizadas por estúdios europeus e norte-americanos. Talvez ainda estejamos em um estágio de amadurecimento por aqui quando o assunto é pós-produção, mas reconheço que posso estar sendo exigente além da conta.

“Flores e Pedras” me rendeu bons momentos de saudosismo, afinal acompanhei de perto toda a carreira dos 3 músicos citados. Ver que eles mantêm viva a memória da Drearylands, agora sob uma nova roupagem, já teria valido a audição por si só. Trata-se de um trabalho moderno, inteligente e altamente recomendável para quem não torce o nariz para um direcionamento sonoro mais contemporâneo.

Formação:

Leo “Lion” Leão (vocalista)
Rafael Syade (guitarrista)
Mateus Alves (guitarrista)
Marcos Cazé (baixista)
Ricardo Agatte (baterista)

Tracklist:

01. Decolonial
02. Nau dos Insensatos
03. Espólio
04. Amor e Fel
05. Falso Jardim
06. Mens Insana
07. Redenção
08. Em Frente ao Espelho

 
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